Amy, transgressão, festa da maconha e a lógica de um raciocínio caótico

Não, não é um post sobre futebol (há algum tempo eu disse que ia escrever sobre whatever de vez em quando). É que nesta sexta, fiquei elocubrando sobre a polêmica em relação à Festa da Maconha, um evento tão moderno quanto o Grateful Dead e tão transgressor e inconformado quanto o PT do presidente Lula (bem, talvez ele não seja mais presidente, mas o partido certamente é dele). Me coloquei a pensar que de fato, a liberação da maconha talvez seja a única saída viável. Além de toda a questão social ligada ao fomento da criminalidade, repressão e afins, se liberada, talvez a maconha perca essa aura de transgressão e rebeldia que a acompanha e faça a fúria pós-adolescente se dar conta de quão conservadora ela é. Os rebeldes da Festa da Maconha são os Kassabs, Genoínos e Aécios de amanhã.

Querer provar que o mundo está errado é uma característica salutar de quem se prepara para o mundo adulto. Lembro de uma frase da Fernanda Abreu que dizia que todo mundo é comunista na faculdade. Como dizia um grandíssimo amigo, um dos filósofos que encontrei na vida, Carlos Lopes (ou para quem gosta de metal, o lendário Carlos Vândalo da banda carioca Dorsal Atlântica): discutir a liberação das drogas é fundamental, só que não dá para debater com quem tem 18 anos.

O problema aí é que o jovem, também por natureza, acha que ninguém na história do mundo, foi tão inteligente e visionário quanto ele (especialmente quando está chapado). Por isso, ele, claro, do alto dos seus 18 anos, TEM de ser parte do debate. É exatamente a mesma coisa à qual James Sullivan, do New Model Army se referiu em Purity, We’ve seen the restless children at the head of the columns
Come to purify the future with the arrogance of youth.

Talvez fosse hora de nos darmos conta que a transgressão e contestação não estão mais no consumo de drogas como uma bandeira (e aqui, também me refiro à bebida e à cultura do macho-que-bebe-muito-e-por-isso-é-macho). Tem um cheiro embolorado de anos 60. Para a enésima frase da minha geração, é um museu cheio de novidades. Transgredir e contestar, hoje em dia, seria ter uma opinião própria, e mantê-la mesmo sob pressão.

Aí é que reside minha bronca contra esse discursinho insípido da liberação das drogas. Ele é interessante porque é muito mais fácil ficar chapado e posar de contestador do que se aferrar a meia dúzia de princípios pelo resto da vida. Saindo da faculdade, os “manifestantes” da PUC vão trabalhar nas empresas dos papais e esquecer tudo o que diziam ser certo quando estavam na faculdade. A única herança que levarão de seus dias de contestação será fumar um baseado de vez em quando e ficar com cara de pastel. Mas na hora de pagar melhor uma empregada, tratar melhor os comandados e exigir que o governo seja menos corrupto, aí não. Aí dá muito trabalho.

Nesse contexto de uso ou não uso de drogas, acabei pensando em uma usuária de drogas contumaz que se imolou porque era realmente diferente e não porque queria bancar a contestadora. Amy Winehouse se destruiu nas drogas, mas, ao contrário da maioria das malas que fica se arrastando como um pano de chão e achando que cabelo ensebado é sinal de genialidade, Amy tinha em si algo de Roy Batty, de Blade Runner, “a luz que brilha mais intensamente é a que se apaga primeiro”. Certamente uma legião de boçais se droga e se maravilha com os próprios delírios achando que é a reencarnação de Jim Morrison, quando na verdade, são só mais alguns idiotas enchendo o mundo de música ruim e poesia tosca. Não sei dizer quanto Amy devia do seu talento às drogas, mas é uma pena que não tenha conseguido gerenciar os demônios que esses delírios liberaram

Amy deu também a licença poética para esse post ser num blog que, majoritariamente, fala de futebol. Em Fuck Me Pumps, ela fala exatamente sobre o tipo de mulher que anda com jogadores de futebol. Fala da Maria Chuteira e outros espécimes fúteis da fauna notívaga. Ela sabia do que falava. Ao contrário dos imberbes sabichões que protestavam pelo “direito” de fazer a Festa da Maconha. Ou melhor: provavelmente ela não sabia, mas tudo bem. O artista nem sempre sabe.

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14 Comments

  1. Anônimo

    Meus Irmãos.
    Esses problemas são cosequências de famílias doentes,mal estruturadas e que não procuram a cura e orientações que estão dispostos e acessível nas escrituras sagradas.Infelizmente o homem se afasta das coisas de Deus e deixa de seguir as Suas orientações que são uma delas:” Se meu povo que clama por mim,orar ,obedecer,se arrepender,fugir dos maus caminhos (pecado) Eu sararei as suas feridas e comerás o melhor dessa terra.
    O vício é uma forma da pessoa ,ficar concentrada(anestesiada) para esconder a dor,mágoa ou decepções sofridas.Porque ela estando sóbria pensa na dor que carcome a sua alma e gera inquietações em seu estado de espírito.
    As escrituras diz que o socorro dos homens é em vão.O socorro vem do Senhor(quando nós clamamos).Como você terá socorro se voce não pede.Deus não entra na sua vida sem a sua permissão.
    Eu também pensa assim,achava que eu poderia resolver todos os meus problemas,quando não, recorria a outros e as vezes encontrava a solução que era paliativa por certo período,mas não era cura total.
    Se Deus não edificar a sua vida em vão são os que edificam.
    Deixe Jesus ser o Senhor de sua vida e interceder por voce em nome do Pai que estais no céu.

    Sds, Lucio

  2. Anônimo

    Olha… Mais uma vez, discordo de algumas coisas em sua última mensagem, porém tudo tem que ter um fim, inclusive essa discussão. Então, é isso. Abraços e continue contestando!

  3. Thiago Ugiette

    bah! devemos concordar em discordar mesmo…
    só pra ficar claro algumas coisinhas:
    1 – eu acho que moradia/saneamento basico/planejamento urbano são questões importantes tbm, não considero mais importante que Segurança publica/SUBSTANCIAS ilicitas (a palavra “droga”, ao menos em relação a cannabis é um tanto ofensiva.), mas entendo o teu ponto de vista. eu. particularmente, acho que as duas questões estão no mesmo nivel (sendo simplorio, ou simplista, “não adianta morar bem e morrer na esquina de casa na mão de um nóia!!”) mas, em relação a cannabis, ao menos, uma simples mudança na lei e um pouco de bom senso, e muito pai de familia ia deixar de ser constrangido por “fumar um baseado”. (Hemp, Planet – A culpa é de quem)

    2 – não é que eu não gostei da analogia com o alcool ou do termo “dependencia quimica”, é só que o alcool se mostra bem mais prejudicial a sociedade que a cannabis. e é fato que o uso de cannabis pra se livrar da dependencia de outras drogas é EFETIVO. é, também, verdade que algumas (entre 5% e 15%) pessoas desenvolvem “utilização temeraria” (gostou, né?? é melhor que dependencia!! =p) em relação a cannabis e, daí partem pra substancias que merecem ser chamadas de drogas, no sentido mais pejorativo da palavra, como o crack ou o oxi (juro que nunca vi essa droga na minha vida, graças a Deus, cheguei a pensar que era mito…), entretanto a mesma cannabis que causou isso, acompanhada de um bom tratamento psicologico, ou psiquiatrico(sei lá qual o mais adequado), pode livrar estas pessoas dessa dependencia.

    3- se pensarmos que o estado não pode avalizar vicios, isso deve incluir o alcool e o tabaco, não aceito essa de “estes são culturalmente aceitos e aqueles não.” é balela.

    4 – sei que temos varios problemas na nossa sociedade, mas a não ser que resolver um problema crie outro, não podemos deixar de dar atenção aos problemas de resolução mais imediata. se a maconha for legalizada de uma forma correta e estudada o crime organizado perde um produto esta é a maior questão. as vezes as pessoas acham que legalizar a maconha é liberar o trafico, NÃO! é, de fato, tirar um produto das mãos dos traficantes.

    5 – “A impressão que eu tenho é que o risco de uma legalização ocorrer sem fazer ações contra o crime organizado e os grandes financiadores do tráfico é grande… ” eu to tentando entender se você acha que A – ” há um grande risco da legalização ocorrer sem ações contra o crime organizado e os grandes financiadores do trafico.”, ou B- ” Se a legalização ocorrer, sem essas ações, o risco é grande.”, se for o entendimento “B”, eu concordo! não espero uma legalização de qualquer jeito, pra tornar minha vida mais facil e eu poder fumar em qualquer lugar e a qualquer hora, quero uma legalização que destrua preconceitos e aproveite pra dar um duro golpe nos grandes traficantes.

    acho que deu pra passar a ideia e espero que você possa ver, mesmo que você não ache tão primordial assim, a discussão, assim como a marcha, é mais que valida, é URGENTE!

    abraços cara, e sinceramente foi bom discutir com você!!

    ps: a ONU, que não costuma ser tão camarada quanto o IBGE e ainda assim não é muito confiavel, diz que esses dados do analfabetismo funcional estão errados, e pra baixo!!! por incrivel que pareça. eles falam em 11% de uma população de 200mi, ou seja 22mi de analfabetos funcionais, ainda assim, nada muito agradavel.

  4. Anônimo

    Não se preocupe! Eu não te chamei de contestador revolucionário (nem filósofo), pelo contrário… Pelo fato de você, aparentemente, fazer algo de útil para a sociedade não pode ser chamado assim.

    Eu acho que moradia/saneamento básico/planejamento urbano são questões muito mais importantes do que “a discussão de uma nova política em relação as drogas ilícitas e seu impacto na segurança pública”. Essa é minha opnião e você tem todo o direito de discordar.

    Acho que você não gostou da minha analogia com o alcoolismo ou talvez do termo “dependência química” (dá um tom meio grave a coisa, né?) e até citou a super interessante… Pois eu poderia citar reportagens da bbc por exemplo, falando de “estudos” que afirmam que a maconha é prejudicial a saúde.

    Bom, o fato é que eu conheço pessoas que usam maconha e vivem normalmente… Como também conheço pessoas que hoje se encontram a sete palmos abaixo da terra e começaram com um simples “baseado”.

    A questão é que não dá pra prever se uma pessoa poderá ser dependente ou não com antecedência.

    Não importa se a taxa de uso compulsivo por usuários de maconha seja a metade da por alcool ou tabaco. Ainda assim vicia. Mesmo que 95% dos usuarios de maconha não adquiram dependência, haveriam outros 5% que estariam viciados. Mesmo que 95% dos usuarios de maconha jamais experimentassem outras drogas, haveriam outros 5% que as estariam consumindo (e sendo consumidos). Eu acho que o governo não pode avalizar isso.

    Como eu falei no último parágrafo, a legalização da maconha só pode ser considerada em uma sociedade que funcione. Não é o nosso caso, pois, por exemplo (pra deixar de falar sobre déficit habitacional), nosso país tem aproximadamente 30 milhões de analfabetos funcionais (segundo o critério “camarada” do IBGE).

    A impressão que eu tenho é que o risco de uma legalização ocorrer sem fazer ações contra o crime organizado e os grandes financiadores do tráfico é grande…

  5. Thiago Ugiette

    primeiro eu sumi por problemas de saude.
    como sempre eu vou pegar algumas partes e responder tá?

    cara eu ia copiar e colar teu primeiro paragrafo mas achei desnecessario.
    eu não poso de “contestador revolucionario” não luto por REvolução, luto por Evolução! as vezes, evoluir é retroagir. a maconha era legalizada na maior parte da humanidade deixou de ser por preconceito racial e quando as pessoas entenderem isso, serão capazes de ver a razão. outra coisa é a forma que você vê aqueles que fazem parte de movimentos como “a marcha”, talvez você tenha se vestido de preconceitos em relação a eles, até que me diga o contrario eu sou o primeiro “militante”, desta causa, que você conversa.

    concordo, já respondendo o teu 2º paragrafo, que o defict habitacional é um importante tema de discussão e trabalho, mas venhamos e convenhamos que uma nova politica sobre substancias entorpecentes (neste caso, inclui-se o alcool), faz-se mais urgente. Talvez você venha me dizer que não se pode ponderar sobre dois ou mais direitos fundamentais, entretanto, com um pouco mais de pesquisa verás, que a ponderação é um dispositivo legal que permite o jurista a fazer exatamente isso. Quais direitos fundamentais eu to falando?? Segurança e Moradia. e se os juristas podem ponderar sobre o que darão foco, quanto mais os jovens, que detêm o direito de serem inconsequentes.

    quanto ao teu ponto de vista sobre a legalização, você vai me perdoar se eu simplesmente ignorar? com certeza não! mas, vou rebate-los lembrando sempre que juristas e sociologos muito mais competentes que você nessas areas discordam do que você pensa.

    você fala no crack, a droga mais utilizada no país como se por isso, a “maconha legal” (artificio dialetico utilizado por FHC pra explicar uma pretensão) não fosse eficaz para “punir” o crime organizado. entretanto, ignora que o crime organizado detem apenas e tão somente, 45% do trafico de substancias ilicitas, aqui no Brasil.

    “O risco de um usuário de maconha ter uma dependência química, assim como ocorre com o alcoolismo, existe e isso seria (e é em muitos casos) a porta de entrada para o consumo de outras drogas mais perigosas como o crack, cocaína e o oxi.”

    CARA! se você soubesse o nivel do absurdo proferido por você nesse texto selecionado por mim, evitaria falar sem conhecimento. Na pagina 36, da Revista SuperInteressante nº179 de Agosto de 2002 afirma-se que “Algo entre 6% e 12% dos usuarios, dependendo da pesquisa, desenvolve um uso compulsivo da maconha (menos que a metade das taxas para alcool e tabaco).”

    O parenteses vem da Revista mesmo. Na pagina 38 da mesma revista, pra combater sua afirmação de que a maconha po vir a ser “porta de entrada” para outras drogas, é passada a seguinte informação:

    ” DEPENDÊNCIA – Dois Psiquiatras brasileiros, Dartiu Xavier e Eliseu Labigalini, fizeram uma experiência interessante. Incentivaram dependentes de crack a fumar maconha no processo de largar o vicio. Resultado: 68% deles abandonaram o crack e, depois, pararam espontaneamente com a maconha, um indice altissimo. Segundo eles, a maconha é um remédio feito sob medida para combater a dependencia de crack e cocaina, porque estimula o apetite e combate a ansiedade, dois problemas sérios para cocainômanos. Dartiu e Eliseu pretendem continuar as pesquisas, mas estão com problemas para conseguir financiamento – dificilmente um órgão público investirá num trabalho que aposte nos beneficios da maconha. ”

    parece que a “porta de entrada”, é na verdade a de saída.

    abraços cara!

  6. Anônimo

    Thiago, que bom que você, aparentemente, faz algo além de posar de “contestador revolucionário” e filósofo do século XXI, mas o texto não fala exclusivamente de você, e sim dos milhares e milhares de jovens que tratam o uso e a liberação da maconha de forma semelhante a que uma criança trata uma traquinagem do jardim da infância.

    Você disse que discutir uma nova política em relação a todas as substâncias ilícitas é importante. Concordo. Porém, não acho que seja mais importante do que o déficit habitacional que acarreta outro problema grave que é o planejamento urbano (ou melhor, a falta de…), que por sua vez está ligado a outra questão séria: o saneamento básico.

    São questões muito importantes, mas nem de longe são tratadas pelos jovens da mesma forma que a política em relação as substâncias ilicitas. Talvez o déficit habitacional não seja pop ou polêmico o bastante, ou talvez simplesmente não seja importante para os que se engajam na marcha da maconha. Afinal, para que lutar por isso se eu já tenho uma casa com esgoto em um bairro bom…?

    Bom, é isso. Eu tenho alguns pontos de vista sobre a legalização da maconha:

    Eu não acho que vai fazer acabar ou enfraquecer significativamente o crime organizado (organizado mesmo…). O consumo de crack e cocaína é muito alto no Brasil. O crack já é a droga mais consumida no estado de São Paulo…

    Eu sou contra a legalização. Acho até que se vivessemos em uma sociedade organizada e consciente não seria um problema, entretanto nossa sociedade é um caos e a maioria das pessoas não tem um mínimo de bom senso, respeito pelo próximo e não sabem dosar nada. O risco de um usuário de maconha ter uma dependência química, assim como ocorre com o alcoolismo, existe e isso seria (e é em muitos casos) a porta de entrada para o consumo de outras drogas mais perigosas como o crack, cocaína e o oxi.

  7. Cassiano Gobbet

    Caro, se vc quer saber, eu também sou a favor da liberação do uso de maconha em ambiente privado, principalmente por duas razões. Primeiro, porque ataca frontalmente a questão do crime e segundo, porque encerra a encheção de saco que os usuários de droga fazem como se estivessem trabalhando para um mundo melhor. A aura estupida de libertarismo que o usuário impinge ao discurso é absolutamente inútil ao debate. Eu acredito que cada indivíduo é responsável pelo que faz com a própria vida, mas o estado precisa tutelar aquilo que no fim será pago por todos. Hoje a proibição causa mais males do que benefícios, e então, não serve.Com 24 anos, talvez voce ainda não tenha tido tempo de testemunhar, mas você vai ver que a maioria dos seus colegas que fumam maconha vai, ao longo do tempo, assumir as mesmas posturas conservadoras e babacas que voce critica porque isso é mais fácil ser assim. Sair da faculdade e deixar de ser menino dá muito trabalho e por isso, a grande maioria das pessoas esquece esses princípios libertários na escola. Nunca houve um debate sério a respeito porque os usuários e defensores da maconha não se organizaram para isso – exatamente porque dá trabalho. Fumar maconha dentro da PUC e achar que é revolucionário é postura de criança mimada. Se um dia houver um debate que envolva profissionais de saúde pública, juristas e outros estudiosos, o que não pode haver é essa postura de moleque chapado maravilhado consigo mesmo. Gostar de ficar chapado é uma coisa; achar que a chapação não acarreta nenhum problema de saúde pública é outra. Sinto se eu discordo dos seus argumentos, mas eles todos quase são pontuais (como o do cânhamo) e frágeis. Acho que a liberação tem de rolar porque a proibição favorece a violência, mas que é fato de que ela trará problemas de saúde pública tão sérios quanto o alcoolismo, isso, qualquer nó-cego pode atestar… Pensando bem, não. Nem todos. Abs

  8. Thiago Ugiette

    vixi rafael!!! num te chamei de hipocrita não cara! só que as vezes agente, isso me inclui, critica a conduta alheia e quando olha no espelho vê que faz igual ou parecido.
    quanto a se mobilizar por algo “mais importante que a liberação da maconha”, cara 35% dos problemas de segurança publica são resultados de uma politica ruim em relação ao trafico de substancias ilicitas. será que não é importante o suficiente?? será que discutir uma nova politica em relação a todas as substancias ilicitas, não só a maconha, não é importante?
    não que o crack deva ser tratado da mesma forma que a maconha… mas é interessante modificar a politica publica em relação ao trafico sim, e acho que não haveria forma melhor e mais justa que LEGALIZAR A MACONHA, pois isso diminuiria quase que pela metade os rendimentos do “trafico organizado” (sim existe um trafico nem tão organizado assim!).

    quanto a mobilização, creio que não tens visto bem nossa atual sociedade. Se, “A palavra ‘mobilizar’ não sugere um protesto com faixas e apitos na frente do palácio do planalto. É algo mais amplo e efetivo. Desde conscientizar um grupo de pessoas de baixa instrução sobre seus direitos, a participar de uma discussão com políticos sobre o código de defesa do consumidor.”, devo dizer que ontem acordei as 4hrs da matina pra me mobilizar!!! afinal de contas eu fui “conscientizar um grupo de pessoas de baixa instrução sobre seus direitos,” nesse caso artesões de Tracunhaém-PE, e todos no grupo eram jovens.

    A duas semanas eu fazia algo semelhante com o pessoal da Feira de Caruaru, na cidade que dá nome a feira. e nenhuma das duas cidades ficam a menos de 2hrs da minha casa. sim eu me ‘mobilizo’ por outras causas, mas acho que concientizar as pessoas que o usuario de Cannabis é descriminado, maltratado, acusado e preso, por que a planta que eles consomem foi proibida por questões de preconceitos raciais, interesses da industria textil e , mas recentemente, por interesses da industria do tabaco (a souza cruz tem patentiado uma marca com o nome de MARLEY, o que será que ela deseja vender com essa marca??), é SIM deveras importante.

    “participar de uma passeata que ganha destaque nos jornais por uns dois dias e depois comentar com os amigos no twitter?”
    lembre-se das passeatas pelas “DIRETAS” que surgiu como um movimento pequeno e tomou proporções gigantescas.
    não que a “marcha da maconha” venha a tomar as mesmas proporções, mas a tentativa é valida.
    os negros (afro-descendentes) fizeram protestos por direitos iguais e o fim do preconceito racial, os usuarios de Cannabis fazem o mesmo, Direitos iguais aos dos usuarios de “drogas licitas”, como o alcool e o tabaco (mais prejudicias a saúde e a sociedade que a cannabis legalizada), e o fim do preconceito contra os usuarios!

    abraços, e to adorando a discussão!

    ps: você sabia que no navio de COLOMBO, de cordas à velas, existiam mais de 80 toneladas de CANHAMO?? e sabia que os que cultivam algodão são contra a legalização do canhamo?? fica a dica: o canhamo é uma fibra retirada da Cannabis.

  9. Anônimo

    Thiago Ugiette…

    Eu pensei que meu comentário era emblemático o bastante, mas talvez eu devesse realmente ter falado mais.

    A questão é que os jovens poderiam se interessar de forma tão ou mais fervorosa por questões mais importantes do que a liberação da maconha. Ou ainda mais do que isso, sair do discurso e partir para a ação (seria excepcional, mas na verdade é difícil imaginar isso muito pelo caráter cada vez mais individualista da nossa sociedade, algo que não vou discutir agora…).

    Eu poderia fazer uma pergunta semelhante à que você me fez (quando me chamou de hipócrita) a vários e vários jovens, bastiões da sabedoria e da mudança, defensores da liberação da maconha e de outras questões tão importantes: O que vocês tem feito de fato pela sua sociedade?

    Não basta votar no PSOL, fumar um baseado e chamar todo político de vagabundo. Entenda, a questão do déficit habitacional é apenas um exemplo. A palavra mobilizar não sugere um protesto com faixas e apitos na frente do palácio do planalto. É algo mais amplo e efetivo. Desde conscientizar um grupo de pessoas de baixa instrução sobre seus direitos, a participar de uma discussão com políticos sobre o código de defesa do consumidor.

    Quantos jovens fazem coisas desse tipo ao invés de, por exemplo, participar de uma passeata que ganha destaque nos jornais por uns dois dias e depois comentar com os amigos no twitter? Isso quando não se restringem a discutir com pessoas próximas, na tentativa de iluminar mentes hipócritas e preconceituosas com seu pensamento moderno e, porque não, revolucionário. Tarefas que imagino serem muito desgastantes, pois com o tempo muitos desses jovens crescem e as deixam de lado.

  10. Thiago Ugiette

    vamos lá, nunca comentei no teu blog, apesar de ler com certa frequencia.
    1º “é muito mais fácil ficar chapado e posar de contestador do que se aferrar a meia dúzia de princípios pelo resto da vida”
    R – Meu vei (brothers, wannabes e seja lá que porcaria mais queiram falar em inglês que se dane, a não ser que seja sua lingua natal, ou a do interlocutor.), eu fumo maconha, não defendo o uso dela por causa disso e tbm não o faço só quando estou “chapado”. acho engraçado se falar em principios como se o fato de defender a liberação de uma erva, proibida pela primeira vez por um estadunidense (maldito!!!) chamado Harry Anslinger, significasse a falta de principios por parte desse defensor.

    2º RafaelBorges 2 dias atrás
    “Nunca vi nenhum grupo de jovens se mobilizando por questões como a Reforma Agrária ou o déficit habitacional…”
    discordo da sua afirmação por diversos motivos, o principal é que movimentos como o MST (e afins) são “movidos” por jovens(talvez isso explique alguns descontroles do movimento supra-citado). o jovem, no geral, é usado como massa de manobra (nem sei se o termo é esse), ou seja, usam o jovem pra protestar por tudo aquilo que as “mentes pensantes” não tem disposição (coragem, peito, culhões e etc.) pra dizer que apoiam. e me parece o caso agora tbm.
    um outro otimo motivo pra eu discordar da sua afirmação, Rafael, é que eu tbm não vejo “mentes pensantes” com mais de 35 anos (acho que, depois de tanto aumento na media de vida da população, a “juventude acaba aí!) “se mobilizando por questões como a Reforma Agrária ou o déficit habitacional…” por exemplo, qual foi a ultima vez que você rafael fez parte de um protesto por uma dessas questões que você citou? você pode nunca ter visto nenhum grupo de jovens fazendo isso, mas garanto que olhando ao redor (no espelho também, talvez?) vê com frequencia um hipocrita sem se mobilizar pra nada.

    3º “A idéia é exatamente essa. O mais interessante é ver que esses contestadores quando confrontados a debater de fato, não tem argumentos/idéias/pensamentos minimamente consistentes, que possam contribuir nessa discussão.”

    Só pode estar de brincadeira!! me diga quantas vezes ouve um debate serio acerca desta questão(não vale congresso juridico e afins.), to falando de uma discussão seria, a nivel nacional. A revista superinteressante não é das melhores fontes, mas lendo a edição de AGOSTO DE 2002 verás prós e contras em relação ao uso da planta. (se não conseguir encontrar esta, tenho ela em formato digital. contate-me e eu repasso.)
    mas, posso sim te dar bons argumentos.

    a – a maconha era permitida na grande maioria do mundo ocidental até o “maldito estadunidense preconceituoso” (redundancia!), achar que a criminalidade cresceu nos anos 30 lá na terrinha dele, não pela crise de 29 e sim, por que imigrante mexicano fumava marijuanna pra assassinar jovens.
    b – no restante do mundo, como é de praxe, seguiram a determinação, opa, o exemplo dos EUA e amarraram o burro no lugar errado, criando assim o trafico de substancias ilegais. se quiser contestar essa afirmação pense antes numa questão: “como traficar substancias ilegais se elas não são ilegais?? e como transformar uma qualquer coisa em ilegal, aumenta seu custo no ‘mercado negro’?”
    c – a europa via a maconha como coisa de arabe. o brasil como coisa de negro. os EUA como coisa de mexicano e assim vai… agora responda-me : podemos, nós humanos, extinguir uma especie por preconceitos criados entre nós mesmos?? é justo proibir que determinada planta exista em 95% da superficie do planeta só porque, alguns da nossa especie tinham conceitos pre definidos em relação as etnias que utilizavam a mesma??
    d – antes do advento do crack, a maconha era responsavel por mais de 60% dos rendimentos do crime organizado, se não fosse proibido eles iam vender o que?!
    e – se não são bons argumentos, me desculpe.
    f – só de zueira, minha vó tinha um pé de Liamba (planta de alguma forma derivada da Cannabis e com o principio ativo “delta9-tetrahidrocannabinol”, embora em menor quantidade) no quintal da escola que ela trabalhava lá pelos anos 60 ou 50, (ou 70, vai saber quando foi… ela não tem certeza quanto mais eu, que não tava nem vivo na epoca.) e não tinha problema nenhum em relação a planta. não foi ela que plantou, ela não fumava, nem usava a bendita planta pra nada, mas sabia do que se tratava.

    “Diga não as drogas, mas saiba o que está dizendo” (Hemp, Planet)

    meu nome é Anderson Thiago Ugiette, 24 anos, Estudante do 10º periodo do curso de Direito na Faculdade de Olinda, usuario de Cannabis e Brasileiro, se um dia rolar um plesbicito, VOTE A FAVOR DA LEGALIZAÇÃO! =p

    p.s.: essa ultima parte é brincadeira, se um dia rolar um plesbicito leia, se informe, procure saber as consequencias com juristas e sociologos competentes e vote da forma que achar mais correta!
    p.p.s.: foi mal (sorry é o escambau!) o tamanho do texto e se possivel responde aí! não é um debate para as grandes massas mas, estimula o crescimento intelectual!

  11. Anônimo

    Nunca vi nenhum grupo de jovens se mobilizando por questões como a Reforma Agrária ou o déficit habitacional…

  12. Diogo Silveira Terra

    Quis dizer: se tornará um artista por cheirar, fumar e transar.

  13. Diogo Silveira Terra

    O fato de grandes artistas – esse conceito é discutível e polêmico, admito – se esbaldarem no manjadíssimo trinômio sexo, drogas e rock’n’roll não significa que você automaticamente se tornará um Jim Morrison, uma Janis Joplin, um Cazuza, um Basquiat. É isso que os wannabes precisam perceber. Porque discursinho moralista não está de forma alguma restrito aos “contestadores de DCE”, aos “hippies de boutique”.

  14. “é muito mais fácil ficar chapado e posar de contestador do que se aferrar a meia dúzia de princípios pelo resto da vida”

    A idéia é exatamente essa. O mais interessante é ver que esses contestadores quando confrontados a debater de fato, não tem argumentos/idéias/pensamentos minimamente consistentes, que possam contribuir nessa discussão.

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