Explicação sobre os rankings

Mesmo tendo explicado os critérios que levaram à confecção dos rankings publicados aqui ontem (“O custo de cada ponto”), recebi questões de leitores acerca de levar em consideração outras possibilidades que não foram adotadas para se calcular quem gastou “melhor” ou “pior” para reforçar o time nas temporadas recém-encerradas. Este post serve como um postscriptum para as dúvidas e indagações deles.

Primeiro, quero reiterar o que eu já havia dito: essas comparações não são absolutas, mas a sua leitura ilumina bastante a sensação de como foi o rendimento dos times no último ano. Há várias outras questões não abordadas além da folha salarial, como o rendimento nas copas, a receita de venda de jogadores (ex: um clube que venda um Kaká ou Ronaldo precisará contratar outro jogador de destaque com o dinheiro). De qualquer maneira, eu considerei que a avaliação “seca” do dinheiro gasto em contratações (o pagamento entre os dois clubes) teria um efeito melhor.

A pergunta/sugestão mais comum foi a de qual a razão de não considerar as folhas salariais na avaliação de quem gastou mlehor ou pior o dinheiro para se reforçar em 2010. A resposta é simples: as folhas salariais raramente sofrem acréscimos ou decréscimos gigantescos de um ano para o outro. Como os contratos têm durações de 3/4 anos, raramente um clube corta seus gastos com pessoal em 50% em um ano. Além disso, há variáveis (como pagamento de luvas e comissões) que variam imensamente de transação para transação e essas oscilações tendem a tornar os cálculos menos claros. Resumindo: na avaliação comparando duas temporadas, a folha salarial é irrelevante para determinar quem gastou melhor.

Ainda ligados aos salários, há a questão de que clubes maiores invariavelmente gastam mais em salários do que os pequenos, independente do fato de terem se reforçado melhor ou pior. O Manchester United é um bom exemplo: mesmo tendo uma política salarial racional para a Premier League, tem uma folha muito onerosa se comparada com a de um Everton, mas também tem necessidades muito maiores, uma receita maior, etc. O Arsenal, por exemplo, tem uma política de contratações que propositalmente prevê pagamento de salários maiores, mas evita grandes despesas em pagamentos de “passes” de jogadores, porque o clube arrecada muito e os salários entram no orçamento com menos problemas do que o pagamento de uma soma grande de uma vez.

Há ainda, as diferenças entre os gastos com salários de um país para outro. Entre as quatro maiores ligas, os valores pagos em contratações se equivalem – até porque os jogadores vão de um país para outro em muitos casos. Na questão dos salários, a variação é muito maior por uma série de razões, que vão desde a questão fiscal (Inglaterra e Espanha têm menor incidência de impostos do que Alemanha e Itália) até pura e simplesmente uma questão filosófica (clubes alemães são, por exemplo, muito mais radicais em comprometer maiores fatias de sua arrecadação com folha salarial). Nesse caso, a avaliação precisaria calcular a despesa total com pessoal (incluindo impostos e obrigações) e não a folha salarial, porque senão, os clubes italianos e alemães, que têm mais impostos a pagar, seriam penalizados na comparação – mesmo que contatem com inteligência. A comparação deixaria de ser em relação aos clubes e passaria a considerar questões “nacionais”, como a legislação fiscal.

Com a avaliação “seca” de “dinheiro pago entre dois clubes na transferência de um jogador”, que foi o critério adotado pelas tabelas, o principal fator avaliado foi o da precisão dos clubes em escolher na relação do talento do atleta em relação ao sacrifício para tirá-lo de outro time. Não é uma palavra final, mas ao se observar que Real Madrid, Genoa, Wolfsburg, Manchester City, Liverpool e Chelsea gastaram tanto para chegar ao fim da temporada de mãos abanando, não é difícil concluir que o critério adotado teve bem mais prós do que contras.

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6 Comments

  1. Cassiano Gobbet

    Que matéria espetacular, não? Ótima.

  2. Sigo acreditantdo que a melhor maneira de se calcular o valor de cada ponto é dividir os gastos de cada clube (folha de pagamento, contratações, impostos e outras despesas) pelo número de pontos conquistados. De qualquer forma, seria um levantamento demasiadamente complexo para ser realizado.

    Abraço.

  3. Cassiano Gobbet

    Não procede, Gilson. Na Itália ainda se paga muito mais de imposto (esse é o entrave para se contratar um cara da Liga ou da Premier). Quando se fala em contratar o Fàbregas, a primeira coisa que me vem à cabeça é imaginar quanto vc tem de pagar para um cara que ja recebe mais do que o seu teto numa liga de custo tributário menor. Claro, o Moratti ou o Berlusconi podem pagar, mas daí sai do bolso deles. Abs

  4. Cassiano Gobbet

    Aí é matemática pura. O United recebe mais e pode gastar mais e por isso, luta por mais. abs

  5. Gilson

    Agora fiquei com uma dúvida: tenho uns conhecidos que me garantem que essa questão dos impostos entre as ligas na Europa foi quase totalmente igualada na temporada passada. A única diferença, segundo esse pessoal, é com relação aos impostos pagos pelos jogadores dos clubes espanhóis contratados antes de 2010.

    O Galliani até falou sobre isso outro dia ao citar os motivos que tornariam pouquíssimo provável a contratação de Cristiano Ronaldo.

    Para esse pessoal parece ainda incidir a alíquota de 22% – ou um valor próximo disso.

    Na EPL, existe uma tabela com dados recentes sobre isso. Foi publicada pelo Guardian outro dia. Quem tiver interesse, o link é este aqui: http://www.scribd.com/doc/55741334/Sport-Scribd-Doc

  6. Certo. O valor da digamos ‘grife clubistica’ poderia ser relacionado ao correspondente a sua receita no que diz respeito a tamanho do seu publico nos jogos em casa e venda de itens relacionados a marca do clube? Tomando como exemplo o que vc mesmo disse, um Man. United parece deter uma marca mais forte que o Everton.
    Abs!

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