O marketing boquirroto da quermesse vespertina

O patético episódio do jogo do Corinthians na tarde desta quinta-feira é representativo da “nova” gerência corintiana. Andres Sanches, presidente do clube, em todas as entrevistas ou comentários que dá, posa de moderno, de revolucionário, assume uma postura de baluarte da justiça que tirou o clube das garras de um dirigente quase senil. Ele raramente fala do fato de ter participado ativamente da gestão anterior, tendo abandonado o navio só em seus últimos suspiros.

Nesta quinta, o palco foi de um evento tipicamente corintiano “das antigas”. O torcedor, tratado como um cão, sofre para ver um jogo  – e não vê. No caso, Sanches teve um papel preponderante no processo, de fato. Graças a ele, se a organização do evento lembrou os melhores tempos de Wadih Helu, ontem, os preços dos ingressos estão muito mais caros. Ele e sua diretoria de marketing, no entanto, não conseguem organizar a venda de bilhetes na porta de estádio, algo que a organização de qualquer quermesse no interior consegue. Ontem, nada dos R$40 milhões de patrocínio, nada da camisa que parece um puff de zona, nada das contratações zilionárias, nada dos agentes que colocam e tiram jogadores do clube. Só confusão no pior estilo do futebol brasileiro.

Para emendar a tarde de marketing somaliano, uma declaração do responsável pela arbitragem no Paulistão, um policial militar que tem tanto conhecimento do esporte quanto qualquer dos coitados que foram para casa impedidos de pagar um valor ridículo de alto pelo ingresso de um jogo que tecnicamente foi um lixo. Ele diz: “o povo gosta de ver o jogo é depois da novela”. Assim, justifica um fracasso, endossa a grade de horários da emissora que tem o futebol como refém e ainda coloca a culpa do vexame em quem sempre se ferra: o povo.  Esse povo é realmente terrível.

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Comentando a seleção: Benaglio

4 Comments

  1. Raphael

    triste demais.

  2. Gilson

    Esqueci de dizer no post anterior: “puff de zona”… ha ha ha… ha ha ha é demais!
    Espetacular!

  3. Gilson

    E pensar que em meio ao ócio que marcou o final do ano passado tive a oportunidade de ver um programa de debate com as presenças de Marcos Braz (Fla) e Julio Mariz (Traffic). Um jornalista presente, peço desculpas, mas o nome do cara eu esqueci, perguntou a ambos o porquê do futebol brasileiro simplesmente desprezar a arrecadação advinda da venda de ingressos.

    Ambos negaram categoricamente que a realidade fosse aquela concebida pelo jornalista. Só faltaram dizer que o cara era um desinformado. Agora temos o Paulistão com essa barbaridade que são jogos no meio da tarde de dias normais de trabalho.

    Depois os clubes quebram e os dirigentes culpam jogadores gananciosos, empresários espertalhões, a imprensa que só divulga notícia ruim etc.

    E a Copa se aproxima…

  4. Alexandre Rodrigues Alves

    E o pior é que ele e seus diretores fazem tudo isso com a conivência de parte grande da imprensa (TV aberta principalmente) que merece esse mesmo adjetivo: boquirrota.

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