O Melhor do Mundo

É começou, e agora quem pode manda, quem tem juízo obedece. Na Itália se iniciou aquele que promete ser um dos melhores campeonatos de todos os tempos. Investimentos inacreditáveis (a Lazio gastou incontáveis US$ 120 milhões) para vencer o campeonato mais difícil e de melhor nível técnico do planeta. Não há comparações. O Italiano bate todos os outros certames do globo. E apenas os campeonatos alemão e inglês se aproximam.
Neste ano, como já escrevi aqui, os favoritos, antes de começar a temporada, eram Juventus, Parma, Lazio e Internazionale, não necessariamente nesta ordem. E seguindo-os de perto, Milan, Roma e Fiorentina, também com bons times. Só que a primeira rodada não mostrou tanto favoritismo assim para os quatro primeiros. Pior: revelou que os times menores vieram para vender caro as derrotas que se imaginavam fáceis.

Udinese 2 X 2 Sampdoria

Confesso que não fiquei um pouco decepcionado quando vi que a RAI italiana transmitiria esse jogo na rodada antecipada de Sábado. Que grata surpresa! Um jo-ga-ço! Com dois times muito bem armados, e com alto nível técnico. A Udinese, mesmo sem Bierhoff e Helveg esteve excelente, com destaques para Navas (este suprindo a ausência de Helveg) , Jorgensen no meio-campo, e a grande atuação de Amoroso (ex-Guarani), fazendo um belo gol.  Pela Samp (que admito ter pensado até ser candidata ao rebaixamento), um excelente time. A estréia de Ortega (o argentino ex-Valencia) foi ótima, e junto com o oportunista Montella pode produzir muito neste ano. Ainda acho o elenco mediano, mas o jovem treinador Spaletti parece ser dos melhores. E sem a pose do nosso Luxa.

Fiorentina 2 X 0 Empoli

No Stadio Artemio Franchi, em Firenze, bom início de temporada para o time florentino. Estreando o treinador Trapattoni, a time de Batistuta bateu um valente Empoli, que muito valorizou a vitória . Rui Costa foi o autor do primeiro gol do campeonato, jogando  bem, assistindo um ataque de três jogadores (Oliveira-Batistuta-Edmundo). Este último foi expulso pela 765ª vez, afirmando sua personalidade doentia. Mesmo sem um futebol maravilhoso (que ninguém apresentou na primeira rodada), os pontos farão muita diferença.

Roma 3 X 1 Salernitana

A equipe mais brasileira da Itália (Aldair, Antônio Carlos, Cafú e Paulo Sérgio) estreou em casa, no Stadio Olimpico, esperando moleza, frente à recém promovida Salernitana. E só não levou um ferro porque o time visitante teve um jogador expulso no fim do primeiro tempo (o defensor Fusco, e não Di Fusco, como noticiou a “Folha” neste Domingo). Com um homem a mais, a Roma fez valer o maior nível de seu elenco, e Paulo Sérgio fez dois gols. Ma o destaque do jogo foi o jovem italiano Totti, que fez um gol e jogou muito. Logo estará na ‘azzurra’, e já fez parte das seleções jovens da Itália.

Milan 3 X 0 Bologna

Meio desacreditado pelas duas más temporadas, o Milan estreou na Série A sob expectativa. Estreavam com a camisa ‘rossonera’ os defensores Ayala e N’Gotty, o meia Helveg, e o centroavante Bierhoff, além do treinador Zaccheroni. Do outro lado, um Bologna bastante desfalcado, sem nomes vitais para o time como os suecos Ingesson  e Andersson, e o defensor Paramatti. Melhor para o Milan, que mesmo sem uma grande atuação, faturou três pontos sobre um bom time. Bierhoff, bem ao  seu estilo, fez um gol de oportunismo, fez outro de pênalti e deu um passe açucarado para o brazuca Leonardo deixar o seu. No meio, Helveg e Ba foram responsáveis por um detalhe tático importante, trocando constantemente de lado para confundir a defesa bolonhesa. O trio de frente Weah-Bierhoff-Ganz mostrou-se eficiente, e com um pouco de entrosamento  deve se consolidar.  Em tempo: Bierhoff foi escolhido pela revista alemã Kicker como o melhor jogador alemão do ano passado.

Parma 0 X 0 Vicenza

Com chuva, o Parma acabou decepcionando a torcida, já que é um dos favoritos. Com chuva, recebeu o Vicenza que mesmo modesto já deixou claro que é um elenco respeitável. O Parma , num 3-5-2, e com um meio-campo de respeito (Fuser, Dino Baggio, Benarrivo, Boghossian e Verón) tentava quebrar a retranca vicentina, de 4-5-1. Mas não deu não. O treinador do Vicenza, Colomba sabia o quanto seria importante um empate fora de casa, contra um time tão forte. E ficou no 0x0, mesmo com uma bola de Dino Baggio no travessão, no final do jogo.

Cagliari 2 X 2 Internazionale

Imaginando enfrentar uma facilidade total, uma desfalcada Internazionale foi à Sardenha para pegar o time da ilha, que não perde em casa desde maio de 1997. Com um meio-campo pobre e sem criatividade. Winter, Simeone, Zanetti e Djorkaeff mostraram que é aí o maior problema do elenco. Diga-se de passagem , o técnico Simoni é chegado numa retranca. Baggio e Zamorano mofaram sem receber bola nenhuma. E o ótimo Cagliari, pegou forte na marcação e saía no contra-ataque. Assim quase matou a Inter, chegando a vencer por 2 x 0. Graças à entrada de dois garotos, Ventola e Pirlo, a Inter não perdeu. Ventola, muito bom, fez dois gols e Pirlo melhorou o meio. Destaque para o ótimo arqueiro Scarpi, do Cagliari, uma parede.

Lazio 1 X 1 Piacenza

O elenco de US$ 120 milhões não foi suficiente para vencer o Piacenza, cujo elenco deve custar uns sete reais (brincadeira!). O desentrosamento era claríssimo e nada dava certo. A entrada de Mancini melhorou um pouco a Lazio no segundo tempo, mas o Piacenza sempre manteve o jogo equilibrado. Stankovic fez um belo gol pela Lazio, e quem empatou foi o irmão de Filippo Inzaghi da Juve, o jovem Simone. Muita festa para o pequeno Piacenza.

Perugia 3 X 4 Juventus

Um belíssimo jogo no qual estreou o japonês Nakata, pelo Perugia, sob os aplausos de milhares de conterrâneos seus. Mais outro favorito que estreou achando que era sopa no mel. Nada disso. Nakata parece mesmo ser um excelente jogador, e fez dois gols, quase conduzindo o Perugia a uma vitória histórica. Por muito pouco a “Vecchia Signora” não volta a Torino com uma lambada. Perda sensível para a Juve do defensor Iuliano, que saiu contundido.

Bari 1 X 0 Venezia

O jogo mais simplório da estréia, com dois times pequenos. Melhor para o Bari, que venceu com um gol de Zambrotta, e podem crer que estes três pontos serão importantes no fim do torneio. Nem mesmo o bom Maniero (ex-Milan) salvou o Venezia. Curioso notar que dois times pequenos levaram cerca de quinze mil pessoas a um jogo cujas cidades são distantes (Bari é no Sul, e Veneza fica próxima da divisa Norte da Itália). E tem mais: quase dez mil, desses quinze mil, são torcedores que já tinham carnê para toda a temporada. Que inveja…