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Ex-cruzeirense evolui na Holanda

Os cruzeirenses hão de lembrar dele. O atacante Jonathas, uma das tantas promessas reveladas pela divisão de base do time de Belo Horizonte, começa a se acertar na Holanda.

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Neymar (só para encerrar)

O que mudou com a partida pífia de Neymar no clássico? Nada. Rigorosamente nada. Ele continua sendo o menino de 17 anos, muito promissor e que, pela primeira vez, enfrentava um jogo de futebol profissional de verdade.

Minto. Talvez algo mude. Nesta segunda-feira, a comparação com Pelé ficou convenientemente esquecida…

Mais Neymar

Recebi alguns e-mails (a maioria de santistas) sobre o questionamento de Neymar que eu fiz. Vou deixar isso registrado aqui para que não fique o dito pelo não dito e depois, algum asno venha cuspir na minha cara, indevidamente, que “eu disse que o Neymar não era craque”…

“Ele era bom na base”

Ninguém pode – nem o próprio – atestar que Neymar seja craque com três jogos profissionais completos. Não dá. A alegação de que ele era excelente na base como argumento para comprovar seu talento é absolutamente frágil. Alguém aí se lembra de Yan, do Fluminense? Marcus Alemão e Elton, do Corinthians? Adriano, do Guarani? Gelson Baresi, do Flamengo? Harison e Montezine,do São Paulo? Sinval, da Portuguesa? Do americano Freddy Adu? Talvez os mais jovens não conheçam todos esses nomes, mas eles já foram considerados fenômenos na “base”.

É natural que a taxa de fracasso das previsões seja alta quando analisando garotos dessa idade. Lionel Messi era motivo de chacota na adolescência e transformou-se num craque indiscutível; Kaká era reserva de Harison na equipe juvenil do São Paulo por ser muito magro. Entre 14 e 18 anos, o corpo masculino muda demais e um “prodígio”, que se destacava por um desenvolvimento precoce, pode ‘flopar’ no profissional. Isso sem falar nas questões psicológicas.

“Você acha que ele não é craque”

Ninguém pode afirmar o que eu acho ou não – além de mim mesmo. Sinceramente? Acho que Neymar tem potencial para ser um craque do naipe de Kaká, assim como Alexandre Pato está revelando ser. Contudo, dezenas de coisas podem impedi-lo disso: seu deslumbramento, deslumbramento da família, paparicação de dirigentes, empresários inescrupulosos, transferências mal-escolhidas, problemas físicos e até o próprio desenvolvimento natural de seu corpo, que pode fazer com que ele fique mais lento, menos ágil (ou, é claro, o contrário). O que eu posso garantir, sem medo de errar, é que TODOS os veredictos definitivos sobre Neymar feitos agora são a)oportunismo ou b) paixão de torcedor, ou ainda c) incapacidade pura e simples mesmo.

Compreendo que o torcedor santista fique com raiva de ouvir que a sua maior promessa, que pode garantir até mesmo o futuro financeiro do clube, não é o que a maioria já diz que ele é. Só que como jornalista, tenho a obrigação de fazer a leitura que eu entendo ser a racional e não ficar querendo fazer média com torcida.

A mídia joga Neymar para cima porque precisa fabricar ídolos para aumentar sua própria audiência. Se depois o ex-futuro-ídolo acaba pobre e esquecido, ela não assume nenhuma responsabilidade. É como Joelmir Beting classificou o catastrofismo das previsões dos economistas: as previsões de economistas são sempre negativas, porque das boas ninguém se lembra quando elas dão errado. Na imprensa esportiva, é exatamente o contrário. Ou você já ouviu aparecer um jogador promissor e alguém dizer: “este cara não vai dar em nada”?

Vestígios de uma Copinha


Houve uma época em que a Copa São Paulo de juniores era um torneio sério. Mesmo. Os clubes investiam nas divisões de base. Na verdade, os clubes eram mesmo “clubes”, onde os sócios se reuniam em torno de uma comunidade e assim, seus filhos e conhecidos acabavam sendo assimilados pela vida da agremiação. Aliás, o verbo “agremiar”, segundo o dicionário Houaiss, significa “reunir (pessoas) em grêmio, assembléia, corporação ou agremiação; tornar(-se) associado; ligar(-se), reunir(-se), agregar(-se)”.

O tempo fez com que os clubes se distanciassem dos sócios e das torcidas. Passaram a ser instituições dominadas por uma oligarquia interna onde a prática de esportes não interessava. O dinheiro é que era importante. Daí, as divisões de base “à antiga”, onde crianças se divertiam e talentos se apuravam, desapareceram. Vieram as divisões de base dominadas por interesses políticos. Eu mesmo conheço um caso de um jogador de um grande clube paulista que foi cedido a um clube do exterior com a condição que o filho de um diretor também seguisse para o clube comprador, na Inglaterra. Hoje, as categorias de base pertencem na maioria a empresários, que pouco se lixam com o bem-estar da criança, sua formação moral e intelectual e mesmo física. Querem vender. Se para isso precisarem colocar crianças em risco, dane-se.

A degradação dos clubes e de suas categorias de base transformou a Copa São Paulo numa piada. Catadões de moleques, muitas vezes até mal-alimentados, vestiam camisas de times que não existem, clubes de mentira. Um deles, o Roma (que hoje é o malfadado Grêmio Barueri, que infelizmente chegou à primeira divisão do Brasileiro), foi até campeão da Copinha e depois, viu-se na condição de acusada de usar garotos irregularmente.

A piada da Copinha atual tem 88 clubes, onde pouco mais de 10 são realmente sérios, com investimento de profissionais capazes e que cuidam também da formação pessoal dos jovens atletas. Os que fazem isso com mais decência mostram serviço no torneio. E para nossa sorte, alguns deles realmente impressionam, com times e jogadores cheios de potencial, como há muito não se via. Mesmo sendo uma piada organizacional para atender empresários, essa edição 2009 tem vestígios dos bons anos da Copinha.

Não tive como ver todos os jogos da Copinha, mas entre os que eu assisti, fiquei impressionado com sete deles. Cruzeiro, Grêmio, Internacional (o de verdade, gaúcho), Portuguesa, Santos, São Paulo e Vasco da Gama. Não vi os jogos de Figueirense e Vila Nova (que tiveram resultados expressivos) e apesar de ter jogado muito bem, o Palmeiras enfrentou um time muito, mas muitíssimo fraco, o Cuiabá. A grande maioria dos outros clubes não existe – são farsas armadas por empresários. Algumas até conseguem resultados expressivos, mas não merecem nota.

Todos eles têm nomes que aparentam ter potencial. João Paulo e Rafael Forster no Inter, Piraju (Lusa), Murilo (Palmeiras), Neymar e Choco( Santos), Wesley (Grêmio), Bernardo (Cruzeiro), Oscar e Bruno Formigoni (São Paulo) são alguns deles, para citar nomes desses times. O que me incomodou – muito – foi ver que alguns garotos que ainda não tem 18 anos já fazendo gols e se preocupando em aparecer para as câmeras ou comemorando como craques consagrados. É fácil perceber que alguns deles estão fadados ao fracasso, mesmo com talento. Outros ainda carregam o germe da esportividade, comemorando muito e com os colegas.

O saldo, contudo, foi bom. Cruzeiro, São Paulo, Internacional e Santos têm os melhores times até agora. O São Paulo me pareceu o mais completo e com jogadores mais formados, no geral. Cruzeiro e Santos têm grandes valores individuais (como Bernardo e Neymar), mas ainda podem melhorar o coletivo. Duas coisas têm de ser lembradas aqui: 1) “Craques” de 17 anos existem aos cântaros; craques aos 20 são raros, ou seja, nada de glorificar crianças por um jogo bom contra o Cene ou Castanhal. 2) Acompanhe os clubes que têm os times mais bem arrumados (especialmente se você torcer para um deles). Há 99% de chances desses clubes arrancarem rumo à “Nova Elite” do futebol brasileiro puxados pelos lucros na produção honesta de atletas. As farsas empresariais desaparecerão. Infelizmente, outras virão depois.

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