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Kia Joorabchian

Não seria necessário, a quem não tem QI de ostra ou molusco [substituí o “débil mental” para não criar ruído], o bom comentário de Juca sobre o franco-anglo-belgo-afro-iraniano que já mandou no Cortinthians para esclarecer o tamanho de seu espaço no clube. Kia detém parcelas de jogadores e a ida de Robinho para o Santos é obra quase que exclusivamente sua.

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Pega o vagabundo

Finalmente, depois de anose anos de inépcia, a Fifa se deu conta do óbvio: o esquema de licenciar agentes não funciona. 75% das transações de jogadores são feitas sem agentes licenciados (a licença em si já é uma pilantragem , uma vez que basta você ter o R$1 milhão exigido pela Fifa e pum, você é um “agente Fifa”.

Os agentes são o tumor do sistema, a chaga – e isso não tem nada a ver com a honestidade desse ou daquele agente. Isso se dá porque o empresário é o único personagem do cenário do futebol (que envolve técnicos, dirigentes, investidores, profissionais de saúde, etc) que não contribui em nada com o sistema – ele só tira. Agentes não treinam jogadores, não os educam, não apostam nesse ou naquele. Só aparecem quando o jogador já está formado e começam a mamar.

Pior do que isso, como os agentes representam mais de um jogador, acabam tendo mais força que os clubes. Por exemplo, um agente de um jogador de seleção brasileira (titular), que não posso citar o nome por uma questão legal, é sabidamente um chantagista que obriga clubes a aceitarem atletas que não querem para não perder aqueles que são importantes. Alguns procuradores tem quase 100 jogadores (alguns, até mais que isso) e com esse poder, a maioria esmagadora dos clubes é refém.

Isso para não falar daqueles que simplesmente agem fora da lei mesmo, como Kia Joorabchian, recentemente classificado pela FA (a federação inglesa) como “outlaw” (literalmente “fora da lei”). Kia não tem clube, não tem centro de treinamento, não tem nada – mas tem o atacante Tévez sob um contrato que ninguém conhece direito. E com o argentino, vai fazendo negócios por aí. Exemplos: sabe quem “assessorou” o Manchester City quando este queria Kaká? Kia. Sabe quem “vendeu” Mascherano ao Liverpool com um contrato ainda pendente com o West Ham? Kia.

A Fifa está longe de ser inocente – o esquema de licenciar atletas nada mais é que um caça-níqueis. Mas como a quantidade de vagabundos aumentou assustadoramente, até Joseph Blatter se mexeu. A saída é simples – estabelecer limites rigorosos: número máximo de assistidos por agente, obrigatoriedade de contrato para o jogador no clube formador, necessidade de autorização do clube formador para transferência antes dos 18 anos, quantidade máxima de transferências por período (ex: uma a cada 18 meses), devolução integral de “luvas” no caso de não cumprimento de contrato e – principalmente – registro e taxação fiscal sobre as transações internacionais em um único foro jurídico.

Vai acontecer? Não. Os jogadores estão com a vida boa e os dirigentes levando dinheiro por fora. A Fifa depende da vontade dos clubes e federações para levar isso adiante, mas estes recebem propina dos agentes. Ou seja: todo mundo reclama, mas quase todo mundo tem ganhos. Aliás, tirando o torcedor, todo mundo se dá bem.

Uma grande besteira…mas como condenar?


Kaká acaba de entrar para a história como o jogador pelo qual se pagou a maior quantia em todos os tempos. E é muito provavelmente que nunca mais se volte a pagar cifras similares, porque a economia do mundo está iniciando um processo onde os acúmulos de riqueza indecentes, como os dos milionários russos e dos xeques árabes que vivem com o patrimônio de seus povos, irão rarear.

Do lado do Milan, não há o que falar. Não se trata de uma decisão. Se os italianos não vendessem Kaká por mais de R$ 300 milhões, teriam de ser internados. Não há nenhum jogador que valha isso (como eu disse ontem).

Mesmo sendo quase impossível condenar Kaká por aceitar uma proposta de cerca de R$ 1.7 milhões por semana, é possível atestar: ele, do ponto de vista esportivo, fez uma besteira. Nem o Manchester City, nem nenhum clube muda de status simplesmente com um aporte de dinheiro, por maior que seja ele. Em Manchester, Kaká será herói, é verdade, mas terá sobre si uma cobrança muito maior do que tinha no Milan. Se exigirá dele o que ele não pode dar: a perfeição em todos os jogos.

Hoje, o futebol é um negócio, mas sua natureza faz dele um negócio muito particular. Dinheiro ajuda, mas não define. O Chelsea não é um clube à altura dos grandes europeus e pelo que tudo indica, não o será, porque o verão provocado por Abramovich dá sinais de fadiga. Investimentos em divisões de base, treinadores e profissionais de gabarito são fundamentais, mas só os clubes que criam em torno de si uma aura, que faz daquele clube uma entidade única, conseguem se fixar. Mesmo os jogadores mercenários, quando vão para clubes como Juventus ou Barcelona, têm de se adaptar à entidade, ou então, não ficam.

Ouço dizer também que Robinho também pediu Kléber, lateral do Santos, como contratação para o clube se engrandecer. É curioso observar como o mundo do futebol tem espaço para suas próprias chagas. Kléber, um lateral que teve uma passagem razoável no Corinthians, fracassou retumbantemente na Alemanha e, no Santos, fez pouco mais do que alguns bons jogos, vem sendo convocado à seleção há anos e ainda tem “patrocínio” do “chegado” Robinho para uma tranferência zilionária. Exatamente ele que, diga-se a verdade, teria grande dificuldade para lutar por uma vaga de titular em qualquer um dos cinco primeiros colocados do último Brasileiro.

Kaká ficará muito, muito rico e esse foi o caminho que ele escolheu. Mais do que todos seus colegas. Mas não alcançará no City o sucesso que teria no Milan, Barcelona ou Manchester United. O dinheiro elevará o City, mas o difícil é permanecer no alto. Uma Premier League? Finais européias e eventualmente um título? Talvez. Tradição? Não, nisso eu realmente não acredito.

E finalmente, uma palavra sobre este sheikh árabe. O seu gasto não tem nada a ver com “investimento”. Não é possível ter retorno como negócio num valor deste. Num momento em que palestinos morrem na miséria em Gaza, essa despesa é asquerosa, vil, suja e odiosa. A simples existência de uma pessoa tão rica e tão inconseqüente já causa incômodo. Bem, um de seus assessores é Kia Joorabchian. É preciso dizer mais?

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