O Monaco impôs boa vitória por 4×0 sobre o Angers no último sábado, em partida válida pela rodada 25 da Ligue 1 francesa. A equipe monagesca garantiu boa vice-liderança afirmada com 53 pontos, um a mais que o 3º lugar Olympique Marselha.
O que se tornou nítido na vitória sobre o Angers, foi a opção do treinador Leonardo Jardim em propor jogo com três defensores, a saber: Glik, Jemerson e Raggi. O Monaco sofreu durante toda a primeira metade desta temporada 17/18, sobretudo devido a sua vulnerabilidade defensiva.
A equipe monagesca defende o título da Ligue 1 16/17, ocasião em que ostentou proposta de jogo ofensiva e efetiva, tendo encerrado a última temporada com quase 150 gols marcados (107 só na Ligue 1) em quatro torneios disputados (Ligue 1, Copa da Liga, Coupe de France, Champions League). O time foi semifinalista da última UCL.
Por outro lado a equipe valorizou atletas negociando a altos valores Bernardo Silva, Benjamin Mendy, Timoué Bakayoko e Valérie Germain, ao fim da temporada. As saídas de Mendy e Bakayoko enfraqueceram o sistema defensivo.
O que aconteceu?
Com equipe ofensiva por natureza, Jardim seguiu propondo jogo em 4-2-3-1. Bakayoko (hoje Chelsea) era seu meio-campista fisicamente mais vigoroso. Mendy (hoje Manchester City) na lateral-esquerda aliava velocidade para apoio, mais vigor físico para auxiliar a defesa.
O Monaco de Jardim não se utiliza de volantes de marcação. O meio-campo geralmente tem o brasileiro Fabinho ao lado do português João Moutinho, ambos à frente da linha defensiva. Sem a dupla Bakayoko/Mendy, o Monaco perdeu (dependendo da escalação) exatos dois homens na recomposição.
Quando a equipe perdia a bola, via-se vulnerabilíssima, algo que se enfatizou na fase de grupos da Champions League, principalmente quando os adversários postavam-se de forma defensiva, entregando a posse de bola. A equipe monagesca encerrou a primeira fase da UCL na última colocação do grupo G. Anotou 6 gols e sofreu 16. Nem índice para disputa da Europa League o Monaco conseguiu obter.
Em contraparte na Ligue 1 o índice de gols marcados ainda se vê alto. O Monaco tem o segundo melhor ataque com 60 gols feitos, 16 a menos que o PSG, dono do ataque número 1. Os gols feitos na liga francesa ainda são muito superiores aos 26 sofridos. Porém os adversários atuam de forma mais ofensiva.
Solução: zagueiro italiano
Após a pausa de inverno Jardim efetivou o veterano zagueiro Andrea Raggi (33 anos). Raggi tornou-se titular em 13 de janeiro na rodada 20 da Ligue 1, em que o Monaco empatou sem gols contra o Montpellier. De lá para cá o italiano elencou 10 partidas somados compromissos de Ligue 1, Copa da Liga e Coupe de France.
Com Raggi no time titular são 7 vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota, desde o último dia 13, ressaltando que o defensor ficou como opção no banco, no 2×2 contra o Olympique Marselha na rodada 23 da Ligue 1, em 28 de janeiro. A derrota única custou eliminação na Coupe de France. Na Copa da Liga o Monaco é finalista.

A partir do clássico contra o Lyon no último dia 4 de fevereiro pela Ligue 1, Jardim situou Raggi na lateral-esquerda, com Glik/Jemerson no miolo de zaga. A formação ressalta desenho em 3-4-3 quando Sidibé avança pela lateral-direta. O Lyon chegou a abrir 2×0 mas foi derrotado por 3×2, com o Monaco tendo um atacante a menos (Baldé expulso). Com Raggi há um homem a mais na recomposição quando se perde a bola.
O compromisso vencido sobre o Angers foi o segundo consecutivo com Raggi postado enquanto terceiro zagueiro, na lateral-esquerda. O italiano fez um dos quatro gols monagescos anotados na ocasião. O compromisso significou a décima partida consecutiva do Monaco sem derrotas, na Ligue 1 (3 empates).
Com virtude de defense leader, Raggi possivelmente seguirá titular absoluto do Monaco, nesta metade final de temporada. Na excelente temporada monagesca 16/17 Raggi fez 37 partidas pelo Monaco. O que chama atenção é o fato do zagueiro nunca ter sido convocado para a seleção principal da Itália.
Vale ressaltar que na primeira metade da temporada Raggi lidou com problemas físicos, tendo ficado fora de ação entre novembro/dezembro últimos, em nome de lesão muscular. Os resquícios da dura e vitoriosa temporada passada também afetaram Sidibé, Falcao García e principalmente Thomas Lemar.
No entanto, fora das disputas pelas competições continentais, o Monaco terá um fim de temporada tranquilo. Briga pelo título da Copa da Liga (final contra PSG em 31/03) e deve obter uma das vagas para a Champions League 18/19.
O Monaco retorna a campo na próxima sexta-feira, recebendo do Dijon na abertura da rodada 26 da Ligue 1.
Veja os melhores momentos de Angers 0x4 Monaco
Imagem de Leonardo Jardim e Raggi: AFP/Getty