França: sang neuf, sang bleu

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Na última terça-feira a seleção da França foi derrotada pela seleção da Espanha, em amistoso internacional realizado em Saint Denis (Paris/França). A partida acabou com o placar de 2×0 imposto pela equipe espanhola.

O treinador francês Didier Deschamps em específico utilizou a ocasião para realizar testes, algo proposto na medida do possível na vitória sobre Luxemburgo (3×1), no último sábado em confronto pelas Eliminatórias europeias para o Mundial 2018. Os bleus lideram o grupo A (13 pontos), sem muitos problemas.

A convocação francesa para a data FIFA que se encerrou foi marcada pelo chamado à muitos atletas de baixa faixa etária, algo que incluiu cinco jogadores do Monaco classificado para as quartas de final da Champions League.

Deschamps deixou de fora figuras frequentes/cogitadas como Martial, Lacazette, Valbuena, Gignac, além não propor o retorno de Karim Benzema. Astro do Manchester United, Paul Pogba atuou contra Luxemburgo mas ganhou descanso contra os espanhóis.

Sangue novo

Contra la roja Deschamps revelou escalação inicial com quatro atletas de pouca rodagem na seleção (Kurzawa, Tolisso, Rabiot e Mbappe), além de Kevin Gameiro justamente reabilitado por sua boa fase no Atlético de Madrid. Os franceses fizeram quatro substituições promovendo as entradas de Lemar, Dembélé e Bakayoko, jogadores que também buscam seu espaço.

O desenho tático bleu variou 4-2-3-1 e 4-4-2 convencional. O vigor físico de algumas peças de meio-campo continua sendo uma das principais características do time, com N’Golo Kanté liderando o setor postado como primeiro volante. Griezmann atuou como meia-ofensivo centralizado, com Mbappe aberto pelos lados e Gameiro como referência.

O confronto teve grande vibração, caracterizando equilíbrio na primeira etapa que terminou empatada sem gols. Os franceses se postaram de forma defensiva, entregando a bola aos espanhóis e aguardando possibilidades de saída em contra-ataques. Seu modus operandi não foi diferente do visto na EURO 2016.

A solidez tática da França se perdeu na segunda etapa, dada a necessidade de colocar os jovens convocados em campo. Os bleus até abriram o placar aos 48 min com Griezmann, em lance anulado por impedimento com o árbitro utilizando recurso de vídeo experimental, autorizado para a partida.

O primeiro gol espanhol saiu de pênalti aos 68 min, após obstrução de Koscielny no espanhol Deulofeu, consequente a erro de saída de bola por parte de Bakayoko. David Silva cobrou e converteu. Os espanhóis ampliaram com Deulofeu aos 77 min, encontrando espaços nas costas do lateral-esquerdo francês Kurzawa. O árbitro também consultou o recurso de vídeo, antes de validar o lance.

No geral Deschamps tem “problemas agradáveis” para solucionar. Destaque do Monaco, Bakayoko é uma alternativa a competir com Moussa Sissoko (Tottenham) presente na EURO mas não convocado para esta data FIFA. Griezmann oferece possibilidade de atuar como meia-ofensivo, tal qual Payet que ficou no banco.

Giroud que entrou no segundo tempo (e fez dois gols contra Luxemburgo) é titular absoluto, com Mbappe e Gameiro gravitando ao seu redor. Sofrendo as consequências do banimento pré-EURO 2016 devido ao caso de chantagem, Benzema vê cada vez menos espaço no grupo.

Os espanhóis

A Espanha se valeu de jogo “malandro” pautado pelo toque de bola astucioso de veteranos como Iniesta e David Silva. Koke (Atlético de Madrid) surgiu como titular e merce espaço em sua seleção. O módulo tático se propôs em 4-3-3, a principio sem David Silva e tendo o trio Isco/Morata/Pedro como tridente de ataque.

O que se fazia necessário aos espanhóis era a chegada de um treinador jovem, personificado por Julien Lopetegui (ex-FC Porto). O técnico assumiu a equipe após o senil Vicente Del Bosque deixar o cargo ao fim da última EURO. Nas Eliminatórias europeias a Espanha lidera o grupo G.

Imagem de Kanté (a esquerda) marcado por espanhol: L’Equipe