A Premier League inglesa teve o encerramento da décima nona rodada neste domingo. Consequentemente encerrou-se também o primeiro turno da competição, nesta edição 2016/2017. O líder isolado e simbólico campeão de inverno é o londrino Chelsea, ostentando 49 pontos obtidos em 57 possíveis.

A equipe do treinador Antonio Conte contabiliza 16 vitórias, 1 empate e 2 derrotas em 19 partidas. A última vitória se deu no último sábado, sobre o Stoke City (4×2) em Stamford Bridge (Londres/Inglaterra), estabelecendo o décimo terceiro êxito consecutivo. No percurso ainda é preciso mencionar a goleada sobre o Manchester United (4×0), e a vitória categórica sobre o Manchester City (3×1).

O contexto ainda elenca a defesa menos vazada do torneio até o presente momento (13 gols sofridos). Na parte ofensiva o time anotou 42 gols, dos quais o artilheiro geral da liga inglesa, Diego Costa, foi responsável por 14 tentos. Com seis pontos de vantagem sobre o vice-líder Liverpool (43 pontos), o Chelsea conclama a justa condição de favorito ao título, até porque a situação no G5 da tabela demonstra instabilidade.

Abaixo do Liverpool tem-se respectivamente Arsenal (40 pontos), Tottenham Hotspur e Manchester City numericamente empatados com 39 pontos. Os quatro primeiros postos dão vagas para a Champions League.

Apenas a Premier League

Em relação aos outros competidores que podem levar o título, Chelsea e Liverpool possuem a vantagem extra-campo de estarem privados de disputas de competições continentais. O mata-mata da CL consumirá as atenções de Arsenal e Manchester City, além de Tottenham e Manchester United (sexto colocado), que se dedicarão ao mata-mata da Europa League.

A contraparte vantajosa a Chelsea/Liverpool é a possibilidade de desgaste físico a menos, que lhes garante exclusiva atenção a Premier League. O Chelsea em especial oscilou no começo do mês de setembro, empatando e sendo derrotado duas vezes nas rodadas 4, 5 e 6. Empatou com o Swansea City e foi derrotado em dois derbies, contra o Liverpool (2×1) e o Arsenal (3×0).

Os reveses nos clássicos marcaram a reaparição do zagueiro brasileiro David Luiz, na defesa titular dos blues que o recontrataram no início da atual temporada. Como um bom treinador italiano, Conte re-estabeleceu a confiança que David Luiz perdeu desde o 7×1 no Mundial 2014. O módulo tático teve uma breve alteração e após a derrota para o Arsenal, os blues não perderam mais.

Catenaccio contemporâneo

A imprensa inglesa tem descrito o desenho tático blue enquanto um 3-4-2-1. A defesa se solidificou com Azpilicueta à direita mais Gary Cahill/David Luiz. À frente dos defensores, o meio-campo é solido com Nemanja Matić e N’Golo Kanté como volantes. O lado esquerdo tem o até então desconhecido espanhol Marcos Alonso, como um suporte à Victor Moses, outrora atacante e agora externo esquerdo.

A mentalidade defensiva é tipicamente italiana, mas plenamente adequada à dinâmica da Premier League. Nas primeiras rodadas o Chelsea demonstrou dificuldade em sair para o jogo, quando o adversário lhe obrigava a tomar a iniciativa. A derrota para o Liverpool talvez tenha revelado este defeito de forma mais escancarada.

Em nome da linha defensiva “blindada”, Conte sepultou a utilização de seus meias articuladores (Oscar/Fàbregas), enquanto o brasileiro Willian passou por problemas familiares (falecimento da mãe). Usar os lados do campo reabilitando o nigeriano Moses era o mais cabível. Uma vez que Pedro e Diego Costa auxiliam o meio-campo quando não se tem a posse de bola, Eden Hazard poderia ter maior liberdade.

Diego Costa (de azul) contra o Stoke City no último sábado. (Chesea/Getty)

Diego Costa (de azul) contra o Stoke City no último sábado. (Chesea/Getty)

O engenho defensivo de Antonio Conte precisa ser ressaltado, levando em conta que o Chelsea tem uma filosofia defensiva que perpassa pelos tempos de Claudio Ranieri e também de José Mourinho, em seu comando. David Luiz re-estreou na quinta rodada da Premier League, não deixando mais a equipe acumulando 15 partidas no torneio.

O lateral ambidestro César Azpilicueta (19 partidas na Premier League) é um atleta mal aproveitado na seleção da Espanha, que preza por laterais ofensivos. Habituado ao lado esquerdo Azpilicueta foi readequado pelo lado direito, e tem demonstrado até mesmo vocação para atuar como defensor central. Em alguns momentos chega a lembrar o mito Paolo Maldini (Milan).

Desta forma, Conte ainda possibilitou fôlego aos veteranos Gary Cahill e John Terry, que já passaram dos 30 anos. Com a verba obtida devido à negociação de Oscar junto ao futebol chinês, peças de reposição para estes dois líderes em crepúsculo, poderão ser providenciadas possivelmente na atual janela de transferências de inverno.

Apesar da drástica diferença financeira, o Leicester City obteve seu êxito inédito na Premier League 2015/2016, valendo-se de um jogo defensivo italiano do citado Claudio Ranieri. Isso aliado à dedicação exclusiva ao torneio, sem disputa de copas europeias. O panorama é muito similar ao do Chelsea.

A vigésima rodada da Premier League a iniciar o returno, começa a acontecer já nesta segunda-feira. O Chelsea fará o complemento da rodada na quarta-feira (04/01), visitando o Tottenham em clássico londrino.

Imagem de Willian: Eddie Keogh/Reuters