Nesta segunda-feira a seleção da Bélgica foi derrotada pela seleção da Itália por 2×0, em confronto que valeu pelo grupo E, da primeira fase da EURO. A partida aconteceu no estádio Gerland, na cidade de Lyon.

Os belgas chegaram à França com uma geração privilegiada que porém, parece ter sentido alguma pressão na partida de estreia. Os italianos se aproveitaram da situação de forma convincente.

Bélgica

A equipe do treinador Marc Wilmots foi a campo com Courtois, Ciman, Alderweireld, Vermaelen e Vertonghen. Nainggolan, Axel Witsel, Fellaini e Hazard. De Bruyne e Lukaku. O desenho tático da equipe pode variar o 4-2-3-1 para o 4-3-3, como tem sido o padrão no futebol europeu atual.

Uma ausência duramente sentida foi a do capitão e zagueiro Vincent Kompany, indisponível por lesão. Kompany (30 anos, Manchester City/Inglaterra) é o defense leader da equipe, oferecendo suporte técnico para a linha defensiva, além de coesão mental no aspecto psicológico do time.

No aspecto técnico a defesa belga viu-se insegura sem ele, que tem seu lugar ocupado por Thomas Vermaelen, defensor que pertence ao espanhol Barcelona. Vermaelen vem de longos períodos inativos por problemas físicos e não vinha jogando regularmente na Catalunha. Kompany também é um dos líderes no grupo do inglês Manchester City.

O lance que mais demonstrou tal situação foi o do primeiro gol italiano anotado por Emmanuele Giaccherini, que recebeu bola longa alguns passos livre da linha defensiva, mal composta pelos zagueiros da Bélgica. Uma linha simétrica deixaria o italiano em impedimento. Dono de uma visão de jogo privilegiada, Kompany era algo mais do que um “termômetro” do time belga.

Sem consistência defensiva, o setor criativo belga é um amontoado de talentos individuais, com o meia Eden Hazard (25 anos) parecendo confundir o ato de “chamar a responsabilidade”, com individualismo de quem quer “resolver o jogo sozinho”. Noutras palavras, os atletas do ataque belga transpiram insegurança. O jogador ofensivo mais velho no elenco é Dries Meretens, com apenas 29 anos.

Na segunda etapa, Wilmots promoveu as entradas de Yannick Carrasco (22 anos) e Divock Origi (21 anos). A equipe passou a ter um pouco mais de intensidade ofensiva com Carrasco aberto pela direita, e Origi movimentando-se mais do que o titular Romelu Lukaku.

Os belgas precisam controlar a ansiedade, e correm risco de serem eliminados na primeira fase mesmo dispondo de elenco acima da média. Por outro lado, devido a imaturidade de seus principais jogadores, uma eliminação prematura não deve ser encarada como uma tragédia.

Itália

Aliando tradição e a possibilidade de ser franco atiradora sem ostentar favoritismo; a Itália de Antonio Conte foi a campo com Buffon, Bonucci, Barzagli e Chiellini. Darmian, De Rossi, Parolo, Giacchierini e Candreva. Éder e Pellé. O desenho tático era um conservador 3-5-2 tipicamente italiano.

A defesa sólida da Juventus (Buffon/Bonucci/Barzagli/Chiellini) transposta para a azzurra, concede ao time italiano uma segurança defensiva que França e Alemanha, no momento não possuem. A defesa torna-se “blindada” com o volante Danielle De Rossi postado à sua frente. O que pesa muito a favor dos italianos é o fato destes atletas citados terem chego ao torneio, em boas condições físicas.

De resto, os italianos fizeram o que sabem fazer de melhor, quando recuperam ou detém a posse de bola. Seguros de que a defesa não criará surpresas, a equipe se lança à frente pelos flancos, ou valendo-se de atacantes de forte presença física (Pellé e Immobile, que entrou na segunda etapa).

A Itália chutou apenas 11 vezes em gol, contra 18 chutes a gol dos belgas. Duas finalizações foram certeiras, contra nenhuma finalização correta dos adversários. Os italianos obtiveram seu êxito ostentando apenas 44% de posse de bola, enquanto esta rolou. Os italianos correram muito mais que os belgas, tendo percorrido um total de 119,7 km em todo o jogo, contra 108 km dos belgas. Dados segundo levantamento oficial feito pela UEFA.

O gol de Giaccherini anotado aos 34 min, também mostrou uma virtude que só jogadores ofensivos que atuam na Itália, acabam por aprimorar. Giaccherini recebeu passe longo, passos à frente da linha dos zagueiros belgas dentro de sua própria área, milimetricamente fora de impedimento.

Atacantes italianos se habituam a jogar contra linhas de três defensores, incluindo-se um stopper, que fica na sobra. Em muitas ocasiões os atacantes ficam impedidos. Porém desenvolvem em contraparte, um senso de saber exatamente em que momento estarão em condições de receber uma bola.

Se o timing entre o atacante e o atleta que faz o lançamento estiver sincronizado (no caso o zagueiro Bonucci), os gols são uma consequência óbvia. Há uma diferença entre drástica entre um lançamento preciso e um “chutão”, cuja bola por acaso chega num dos atacantes.

Por fim, a condição de “franco atiradora” cabe a tradicional Itália uma vez que estes foram à EURO sem jogadores como Pirlo (aposentado da seleção), Marchisio e Verratti (lesionados), além de Mario Balotelli (em má fase, não convocado).

Imagem de Immobile da Itália (de branco) finalizando entre defensores belgas: Getty Images