Em partida válida pelas Eliminatórias sul-americanas para o Mundial 2018, o Brasil empatou em 2×2 contra o Uruguai, na última sexta-feira. A partida aconteceu em Recife (PE), e de certa forma representou um resultado desastroso, uma vez que a seleção brasileira se vê em terceiro lugar na classificação (8 pontos).

Brasil

O técnico Dunga escalou o time com Alisson, Daniel Alves, Miranda, David Luiz e Filipe Luis. Luiz Gustavo, Fernandinho, Renato Augusto, Douglas Costa e Willian. Neymar. O desenho tático era um 4-2-3-1. O que se viu nos dias posteriores à última sexta-feira santa, foi uma sumária condenação publica do zagueiro David Luiz, via redes sociais.

Porém todos sabem que o defensor é “estabanado”, e que no sistema defensivo de Dunga, seus erros são apenas uma consequência. Desde a Copa América, Dunga tem insistido na utilização de Miranda e David no miolo de zaga, naquela competição já sem sucesso.

Ambos estão habituados a se postarem na quarta zaga à esquerda, dando o primeiro combate. Miranda joga assim praticamente desde sua passagem pelo São Paulo, na década passada. Na seleção ele tem sido postado como central à direita, sobrecarregado devido aos avanços de Daniel Alves. Uma vez que Luiz Gustavo é canhoto, a seleção precisa de um volante/interditor à direita, para cobrir a deficiência defensiva de Daniel Alves.

Não foi surpresa nenhuma o fato dos dois gols uruguaios terem sido iniciados pela esquerda (direita da defesa brasileira), em jogadas criadas pelo lateral Álvaro Pereira (ex-São Paulo). À frente da celeste olímpica, Edinson Cavani e Luisito Suárez, estão entre os melhores atacantes da Europa atualmente.

Uruguai.

A equipe do excelente treinador Óscar Tabárez padeceu também de problemas no miolo de zaga. Seus principais defensores são Diego Godín e José Giménez, o miolo de zaga titular do espanhol Atlético de Madrid, clube detentor da defesa menos vazada da Europa. Godín se viu indisponível por lesão física e foi cortado.

Tabárez preteriu o jovem Giménez (21 anos) em nome do veterano (e lento) Victorino (33 anos) à esquerda, com Sebastian Coates (do Sporting Lisboa/Portugal) como central a direita. A escalação teve Muslera, Fucille, Coates, Victorino e Pereira. Arevalo Ríos, Sanchéz, Vecino e Cristian “Cebolla” Rodríguez. Luis Suárez e Cavani.

O desentrosamento do miolo de zaga resultou por exemplo, no primeiro gol brasileiro marcado por Douglas Costa, com menos de 1 minuto de partida. Por outro lado, a equipe uruguaia tem um sistema de jogo bem definido, baseado num 4-4-2 convencional, que pode se verter num 3-5-2/3-4-3.

O time joga de forma defensiva por vocação, com Arevalo Ríos postado como interditor fixo à frente da linha de 4 defensores. A postura com 3 zagueiros se dá quando Álvaro Pereira avança pelo flanco esquerdo. Foi com Pereira que os uruguaios encontraram o caminho para os seus dois gols, exatamente “nas costas” de Daniel Alves.

No entanto, há uma alternância neste sistema defensivo onde Arevalo ou Fucille (lateral-direito que avança pouco ou nada), se aglutinam aos dois defensores, ao passo que percebem que Pereira avançou. A defesa é muito segura, e dispondo do miolo Godín/Giménez é quase intransponível.

A dupla de ataque Cavani/Suárez (ambos fizeram os dois gols uruguaios), é habituada a jogar como falsos centroavantes, ainda que o Uruguai não jogue em 4-2-3-1. Cavani e Suárez naturalmente se revezam como homens referência na área adversária, confundindo a marcação oposta de forma plena.

Próximos jogos

Os uruguaios se encontram na vice-liderança (10 pontos) e recebem o Peru em Montevidéu (Uruguai), nesta terça-feira. O Brasil visita o Paraguai em Assunção (Paraguai), também nesta terça, às 21:40 hr, horário de Brasília.

Imagem de Neymar e Suárez: Reuters.