Nesta série de posts dedicados aos grupos da Taça Libertadores, seguimos comentando aqui apenas os grupos onde se encontram os cinco times brasileiros, classificados para a edição 2016 do torneio.

O regulamento determina que oito grupos contendo quatro times cada um, proponha embates de ida e volta. Em cada grupo, todos jogam contra todos e os dois melhores colocados de cada um dos oito grupos, avançam às oitavas de final.

Grupo 6

Equipes: San Lorenzo Almagro (Argentina), Grêmio porto-alegrense (Brasil), LDU Quito (Equador) e Toluca (México)

No quesito tradição, o grupo 6 tem três competidores altamente tarimbados, que juntos acumulam quatro títulos de Libertadores. O Grêmio porto-alegrense tem dois (1983, 1995), a equatoriana Liga Deportiva Universitaria de Quito (ou LDU) um título (2008), e o argentino San Lorenzo um título também (2014).

No aspecto logístico o Grêmio pegou um grupo dificílimo. O San Lorenzo obrigará o tricolor gaúcho a atuar em Buenos Aires (Argentina), algo sempre dificil para qualquer time brasileiro. A LDU por sua vez, obriga a desafiar a altitude de Quito (Equador). Isto se considerados os times tecnicamente mais fortes.

O mexicano Toluca demanda um alto custo financeiro ao time brasileiro que se dirige ao México para enfrentá-lo. Geralmente o clube brasileiro é obrigado a fretar um voo exclusivo, que pode sair em entre R$ 500 ou 800 mil.

O San Lorenzo em específico ainda tem atletas que foram campeões em 2014, em seu elenco. São nomes como o goleiro Torrico, os defensores Caruzzo (zagueiro) e Nestor Ortigoza (volante).

Além do lateral/ala Buffarini, o ídolo Leandro Romagnolli e o centroavante uruguaio Cauteruccio. O treinador vitorioso Edgardo Bauza porém, foi para o São Paulo.

A LDU por sua vez, apresenta um time composto por muitos atletas revelados no Equador. O futebol local vive um bom momento, a ponto da seleção equatoriana estar desempenhando bom papel nas Eliminatórias para o Mundial 2018. Seu plantel trás o veterano lateral Néicer Reasco (38 anos, ex-São Paulo).

Reasco é um remanescente do título sul-americano obtido em 2008, tendo disputado o Mundial 2006 pela seleção do Equador, eliminada nas oitavas de final. Dentre os destaques internacionais, há o veterano volante Enrique Vera (36 anos), ex-seleção paraguaia.

Consta ainda meia argentino Diego Morales, que jogou pelo  pernambucano Náutico em 2013. O time equatoriano é treinado pelo experiente argentino Claudio Borghi.

Na prática serão três times brigando pelas duas vagas, onde San Lorenzo, Grêmio e LDU parecem os mais qualificados.

Grêmio porto-alegrense.

Na história do Grêmio as grandes conquistas vieram alicerçadas em times-base, que se valeram de atletas formados em suas próprias categorias juvenis. Foi assim por exemplo em 1995, quando o time comandado por Felipão venceu a Libertadores com um plantel que incluía Danrlei, Carlos Miguel, Arílson e Emerson.

Historicamente a diretoria gremista acerta ao trazer jogadores “renegados” no eixo RJ/SP, aparentemente tidos como “refugos”. O Grêmio 95 tinha os volantes Luis Carlos Goiano e Dinho, dispensados do São Paulo bi-campeão da Libertadores (1993). Além do ataque formado por Jardel e Paulo Nunes. O primeiro não foi aproveitado pelo Vasco da Gama e o segundo, não teve chance no Flamengo.

O Grêmio atual se enquadra neste perfil, ostentando muitos jogadores das categorias de base gremista. Mais além, o jovem treinador Roger Machado é alguém que foi revelado na própria base tricolor, quando atleta. Roger foi lateral-esquerdo do citado Grêmio 95 e ainda disputou a Libertadores 2008 pelo Fluminense, vice-campeão.

Há também atletas outrora criticados, mas que em Porto Alegre tem sido enaltecidos. São os casos dos meias Maicon e Douglas. O primeiro fez um bom campeonato brasileiro 2015, após ser perseguido pela torcida do São Paulo, no Morumbi. Já veterano, Douglas acusado de lentidão e “sonolência”, integrou do grupo do Corinthians campeão da Libertadores 2012.

A última final de Libertadores disputada pelo Grêmio se deu em 2007, em que o time comandado por Mano Menzes acabou derrotado pelo Boca Juniors. Na época, Mano fez um trabalho surpreendente, com muitos atletas remanescentes da conquista da Série B 2005.

A mistica da raça gremista, somada ao estilo de jogo defensivo aguerrido típico do clube tricolor, talvez venham a ser o fator diferencial do clube gaúcho, em relação à San Lorenzo e LDU.

Corre por fora.

O mexicano Toluca corre literalmente por fora, lembrando que se uma equipe mexicana eventualmente vencer a Libertadores, é o melhor colocado sul-americano quem ganha a vaga para o Mundial de Clubes. Os times mexicanos surgem como “convidados” no torneio sul-americano.

Estreia do brasileiro: o Grêmio visita o mexicano Toluca na quinta-feira 18/02, à 00:00 hr (horário de Brasília).