Na terça-feira 01/09 ainda se aguardava o fechamento da janela de transferências europeia, uma vez que na Inglaterra a janela se encerra algumas horas depois, em relação aos outros países, devido ao fuso horário. Em Madrid (Espanha) havia alguma expectativa sobre a conclusão da negociação entre Real Madrid e o goleiro David De Gea, que ainda pertence ao inglês Manchester United.

A documentação referente à transferência foi recebida pelos merengues em Madrid às 23:58 hr do dia 31/08, último dia da janela. De fato não houve tempo hábil de conclusão do negócio, nem muito menos tempo hábil de inscrição de De Gea na LFP (Lega de Fútbol Profesional) espanhola. Tanto Real Madrid quanto Manchester United se pronunciaram em comunicados oficiais, tentando esclarecer a questão.

O periódico espanhol El País explicou a forma como o registro e envio de documentos de atletas é feito, através de um programa digital oferecido pela FIFA. O mesmo se chama TMS (ou Transfer Matching System). A validação quanto aos prazos é observada conforme o horário local dos dados ali postados. Segundo o El País, os blancos se manifestaram (de Madrid) ao United, às 13:39 hr da segunda-feira.

A proposta por De Gea foi respondida pelos inglêses após às 21 hr, horário de Madrid. Os clubes chegaram a um consenso por volta das 23:53 hr, consenso que incluía detalhes contratuais e a cessão de Keylor Navas, por parte do Real Madrid. A inserção dos dados de De Gea foi feita pelo Real Madrid, por volta das 23:58. Recomenda-se que o usuário do TMS use-o com pelo menos 20 minutos de antecedência, em relação aos prazos.

A inserção dos dados do goleiro foi confirmada à 00:28 hr, no horário de Madrid, já com a janela de transferências fechada para os espanhóis. Na Espanha, especula-se a procura por algum método jurídico que possa ser usado pelos blancos junto à FIFA, para validar a negociação. Porém, o El País ressaltou que a LFP se nega a reconsiderar qualquer inscrição de atletas fora do prazo. A entidade afirmou que os prazos são para todos e que nem mesmo a FIFA, pode intervir nesta questão.

Sem De Gea.

Na prática se o Real Madrid tinha interesse por De Gea, que procurasse o Manchester United com antecedência pagando o que fosse pedido na cláusula rescisória do goleiro. Em momento algum o United colocou seu goleiro à venda e de fato, não tinha por que sair de uma postura “defensiva”, em relação à negociação. Ademais, a janela de transferências na Inglaterra, tem horas a mais em relação à Madrid.

David De Gea, que deveria ser apresentado à torcida merengue na terça 01/09, perdeu a titularidade no grupo do Manchester United e não vai recuperá-la tão facilmente. A demora na tentativa de aquisição do guarda-metas, com certeza foi contraparte das negociações que os blancos tiveram que fazer até o fim da janela de transferências.

Lembramos que os clubes europeus estão vivendo sob as regras do fair play financeiro, imposto pela UEFA. Tais regras limitam os gastos que podem ser feitos pelos clubes milionários. Na recém-encerrada janela de transferências os blancos gastaram cerca de 70 milhões de Euros, o que é pouco para os padrões do clube. Nas duas últimas temporadas o clube gastou cerca de 200 milhões de Euros, só com as aquisições de Gareth Bale, Toni Kroos e James Rodríguez.

Para esta temporada 2015/2016 adquiriu Kovacic (cerca de 40 milhões) e o brasileiro Danilo (cerca de 31 milhões, ex-FC Porto), que já estava acertado antes da abertura da janela. Na contramão os merengues negociaram Casillas (FC Porto), Khedira (Juventus) e Illarramendi (Real Sociedad). Emprestaram Lucas Silva (Olympique de Marseille) e Fabio Coentrão (Monaco). E devolveram Chicharito (Manchester United, já repassado ao Bayer Leverkusen).

Muito provavelmente a demora em gastar por David De Gea, com certeza aguardava a necessidade de um re-equilíbrio no orçamento e folha salarial mantidos pelo clube. Não por falta de dinheiro por parte dos blancos, mas sim por força das imposições do fair play financeiro.

Imagem de De Gea: Cal Sport Media