Seleção brasileira: o inexplicável retorno de Kaká.

Kaka (2)

A grande surpresa na convocação de Dunga, para os amistosos da seleção a serem realizados nos EUA nos próximos dias, foi o retorno do meia Kaká, atualmente jogando pelo Orlando City, da MLS yankee. Imaginava-se que o ciclo do meia de 33 anos, junto à seleção brasileira já tivesse expirado.

Kaká foi possivelmente o único jogador de sua geração que conheceu uma decrepitude de trajetória, realmente decorrente do desgaste físico precoce. Ao contrário de Ronaldinho Gaúcho, Robinho ou Adriano “imperador”, que junto a Kaká, poderiam ter sido protagonistas nos Mundiais de 2010 e 2014.

Robinho e o próprio Kaká até estiveram presentes na copa de 2010, exatamente sobre o comando de Dunga, ocasião em que o time foi eliminado nas quartas de final. Kaká chegou à África do Sul sob ameaça de não poder atuar, após ter jogado uma temporada 2009/2010 duvidosa, sua primeira pelo espanhol Real Madrid. O meia convive com uma pubalgia crônica, cujas dores agravam com o acúmulo de partidas disputadas em excesso.

Depois uma sequência de três temporadas esplendorosas jogando na Itália pelo Milan, entre 2004 e 2007, Kaká não conseguiu mais re-editar bons desempenhos atuando em alto-nível. O citado período culminou em conquistas da Série A italiana (04/05), Champions League (06/07), Mundial de Clubes e Bola de Ouro FIFA (2007). Kaká era o protagonista da equipe rossonera com nomes como Maldini, Shevchenko, Pirlo e Seedorf gravitando ao seu redor.

É bem verdade que a passagem do meia pelo Real Madrid, foi obnubilada pelos mandos e desmandos do treinador José Mourinho. O lusitano comandou os blancos nas últimas três temporadas em que o meia jogou em Madrid. Hoje é perceptível o olhar enviesado do presidente Florentino Pérez, que pagou 60 milhões de Euros por Kaká em 2009, a cada rodada em que o meia era relegado à segundo plano por Mourinho.

Munido de seu empresário e agente de atletas Jorge Mendes, Mourinho ordenou a aquisição de Angel Di Maria, agenciado por Mendes e por quem Pérez não queria desembolsar 33 milhões de Euros. Di Maria possuía características similares às de Kaká, que por sua vez poderia sim ter sido melhor aproveitado em Madrid, entre 2010 e 2013. A forma como o Real Madrid se desfez de Di Maria há um ano atrás, tornou mais claros alguns detalhes.

Jogada de marketing?

Voltando ao presente, uma vez que os amistosos da seleção brasileira serão realizados nos EUA, é preciso um “chamariz” caso a principal estrela do time não se recuperasse de uma caxumba, ou seja Neymar. A equipe da CBF não desperta atenções em nível mundial como no passado, e caso não tivesse Neymar seria necessário um “garoto propaganda”, que atualmente jogue em terras yankees.

Não é segredo pra ninguém que os contratos assinados pelas empresas que agenciam os amistosos do Brasil pelo mundo, determinam valores diferentes caso o time tenha ou não, seus principais atletas. Uma apresentação da seleção brasileira sem Neymar, com certeza atrai menos público e rende um percentual menor aos cofres da CBF.

Por outro lado, a Major League Soccer norte-americana se vê em ascensão, atraindo craques veteranos que obtiveram êxito no futebol europeu. Frank Lampard, Steven Gerrard e Andrea Pirlo chegaram nos EUA recentemente, tal qual Kaká. Entretanto, o nível técnico de competitividade ainda não se compara ao dos torneios da Europa, embora a MLS tenha grande estrutura e poderio financeiro.

O “soccer” é uma modalidade angariando expansivamente maior número de público nos EUA. Num mercado ascendente, em expansão e que paga bem, a seleção brasileira pode ser um atrativo. Vale lembrar que as consequências dos escândalos da FIFA ainda não anularam realização da Copa América edição centenário, programada para acontecer nos EUA, em 2016.

Kaká poderia ter sido incluso por Felipão no grupo que disputou o Mundial 2014, sendo o meia o atleta experiente e vitorioso, que poderia ter canalizado às responsabilidades que caíram sobre os ombros da equipe. Devido à idade avançada, dificilmente estará no time que disputará a copa de 2018, ainda que Dunga confie em seu futebol.

Por outro lado, o profissionalismo e aversão à condição de celebridade futebolística do meia, estão acima de qualquer suspeita. Porém, não fosse a caxumba de Neymar, é possível questionar se Kaká viria a ser subitamente lembrado para esta convocação.

O Brasil enfrenta a Costa Rica no próximo sábado (05/09) e a seleção dos EUA no dia 08/09. Os jogos acontecem em New Jersey e Boston, respectivamente.