No último sábado ocorreram as eleições para presidente do clube espanhol de origem catalã, Barcelona. O último presidente Josep Maria Bartomeu conseguiu se re-eleger derrotando os oponentes Joan Laporta, Toni Freixa e Agustí Benedito. Bartomeu segue por mais um mandato, mesmo convivendo com os processos judiciais referentes à contratação de Neymar em 2013.

Bartomeu venceu por ampla maioria. O candidato opositor melhor votado foi Joan Laporta, crítico ferrenho da atual administração. Laporta, presidente do clube culé entre 2003 e 2010, obteve 25% dos votos segundo informou o periódico espanhol El País. Ainda segundo o periódico a nova gestão de Bartomeu terá Pep Segura como responsável pelas canteras catalãs e Robert Fernandéz como diretor esportivo.

Josep Bartomeu assumiu a direção do Barcelona no decorrer de 2014, após constatadas irregularidades na transação feita em nome da aquisição do atacante Neymar. Bartomeu assumiu o posto de Sandro Rosell, que abruptamente renunciou. Rosell e Bartomeu respondem formalmente por processo diante da justiça espanhola, que apura a contratação do atacante brasileiro.

A oposição de Laporta e os outros opositores.

Derrotado mas ainda respeitado dentro do clube, Joan Laporta cumprimentou o vencedor e agradeceu os sócios do clube que nele votaram. Mas deixou bem claro o descontentamento com a forma como o clube culé vem sendo gerido. O El País ressaltou palavras de Laporta, frisando haver diferenças entre a atual gestão e suas gestões anteriores.

Laporta afirmou que tentou evitar que o Barcelona “tivesse um presidente respondendo por processo”. Lamenta o fato do clube estar submisso ao dinheiro da patrocinadora master Qatar e que as divisões de base de La Masia, estão sendo mal geridas. O Barcelona cumpre uma punição imposta pela FIFA até o fim de 2015, punição esta referente a irregularidades na manutenção de atletas menores de 18 anos.

A penalidade proíbe o clube de colocar em campo novos atletas contratados para a equipe principal, até o fim deste ano. Joan Laporta assumiu-se “antípoda do modelo de gestão adotado pelo clube” e bradou em inglês: “no surrender” (ou “sem rendição”). Quando presidiu o clube culé entre 2003 e 2010, Laporta valeu-se de uma gestão ciente dos valores exorbitantes que rende o futebol europeu.

No começo da década passada, Laporta minimizou as heranças holandesas do ídolo Johan Cruyff, excluindo a mentalidade holandesa que permeou o clube culé, na virada dos anos 1990 para os anos 2000. Livrou-se do treinador Louis Van Gaal e de jogadores como Kluivert, Cocu e os gêmeos De Boer. Em contraparte, contratou atletas badalados de alto nível como Ronaldinho, Deco, Ludovic Giuly, Samuel Eto’o, Thierry Henry e Zlatan Ibrahimović.

Laporta foi responsável por dois títulos de Champions League em 2005/2006 e 2008/2009. Dotado de um estilo mais midiático, parecido com a forma como Florentino Pérez conduz o rival Real Madrid, Laporta tinha como ponto fraco seu menor apreço para com o “barcelonismo”. Na atual campanha queria expandir o número de sócios e renegociar contratos com patrocinadores, antevendo aumento de receitas.

Dentre os dois outros candidatos, Agustí Benedito afirmou que “não haverá paz institucional” no clube culé e a “bipolaridade” de mentalidades gestoras não é algo ideal para o futuro do clube. Toni Freixa por sua vez, também se queixou da “bipolaridade” afirmando que já imaginava o resultado final. Freixa creditou a conquista da tríplice corôa na temporada recém encerrada, como fator crucial para a vitória de Bartomeu.

Quanto ao elenco.

Contratado na última semana, o meia turco Arda Turan deve seguir no Camp Nou, lembrando que seu vinculo previa uma possibilidade do Atlético de Madrid recomprá-lo até o dia 20/07, ou seja até está segunda-feira. É o meia trazido por Bartomeu para preencher a lacuna do ídolo Xavi Hernández.

Joan Laporta tinha conversações adiantadas com o francês Paul Pogba (Juventus), ao passo que Toni Freixa e Agustí Benedito tinham preferencia por Marco Verratti (PSG). Benedito afirmou de antemão que se vencesse, Turan seria mandado de volta para Madrid. A ressalva da possibilidade de recompra de Turan por parte do “Atléti”, se dava em nome de uma eventual derrota de Bartomeu, algo que não aconteceu.

Turan, Aleix Vidal e qualquer outro atleta que Bartomeu adquira na atual janela de transferências, só vão poder entrar em campo a partir de janeiro de 2016.

Imagem da chapa situacionista comemorando a vitória de Bartomeu (ao centro): Vicens Gimenez