FIFA: a renúncia de Joseph Blatter.

Joseph-Blatter

Na tarde desta última terça-feira 02/06 a imprensa mundial repercutiu a, de certa forma surpreendente, notificação de renúncia do cargo de presidente da FIFA, por parte de Joseph Blatter. A decisão surgiu exatamente quatro dias após a sua re-eleição em pleito realizado na Suíça, na última sexta-feira.

Os detalhes e as suspeitas de fatos que podem ter levado Blatter a tomar tal decisão ainda estão surgindo. Num certo aspecto, Blatter não renunciaria às vésperas do pleito durante a semana passada, entregando o posto a um opositor o principe Ali Bin Al Hussein da Jordânia, detentor do apoio total da UEFA. Blatter venceu e mostrou a força da engrenagem política da FIFA funcionando sim, a seu favor.

Não é improvável a hipótese de que a renúncia já estivesse programada. Neste fim de semana, inicia-se o Mundial de futebol feminino, a ser realizado em território norte-americano. A copa do mundo feminina será sediada no Canadá e inicialmente deveria contar com as presenças de Joseph Blatter e seu braço direto e secretário geral Jerome Valcke. Uma vez que o responsável pelas prisões da semana passada é o FBI yankee, uma aparição de ambos num país fronteiriço aos EUA seria burrice.

Outro aspecto que veio a tona desde o último domingo foram documentos divulgados pela imprensa da África do Sul, apontando nominalmente Jerome Valcke enquanto receptor de altas quantias financeiras por ele recebidas em 2008. Valores que poderiam corresponder a propinas e subornos pagos em nome de votos para a África do Sul, sediar o Mundial de 2010. A presença de Valcke na copa feminina no Canadá, de fato se tornara inviável.

A médio prazo.

Uma nova eleição que definirá o novo mandatário da FIFA só deve ocorrer a partir do próximo mês de dezembro. O principe jordaniano Ali Bin se candidatará novamente e o ex-meia francês David Ginola, ex-PSG e Newcastle anunciou publicamente candidatura. Nesta noite de terça, o brasileiro Zico cogitou publicamente via rede social oficial, que pode se candidatar também. Nenhum deles tem ligação com Blatter, que por sua vez deve preparar sucessor.

Principal opositor de Blatter dentro da FIFA, o também francês Michel Platini, presidente da UEFA é cotado para uma eventual candidatura ainda não anunciada. A questão envolvendo Platini pode ir um pouco além, muito provavelmente visando uma desqualificação das sedes dos Mundiais de 2018 (Rússia) e 2022 (Catar). O argumento das “sedes definidas via subornos e propinas”, pode ganhar força. A UEFA desvinculada de outras confederações já proporciona ameaça ampla, sugerindo boicote de seus clubes e seleções a Mundial de Clubes 2015 e Olimpiadas 2016.

O aspecto político e também financeiro deve ser determinante nos rumos que a agora combalida FIFA pode tomar. Isso somado a um eventual recuo de seus quatro ou cinco patrocinadores masters, que pagam em torno de US$ 700 milhões cada, para estampar suas marcas nos eventos. A marca da copa do mundo foi corrompida e deve cair em descrédito comercial.

Segundo informação apurada pelo programa 4 em Campo (rádio CBN), ainda na terça a noite, os valores angariados pela realização da copa, são responsáveis pela quitação de cerca de 80% das dividas quadrienais da entidade.

A longo prazo é preciso ter em vista o intento da Inglaterra em sediar o Mundial de 2018. Além dos problemas caso o Mundial do Catar de 2022 tenha realmente sua realização deslocada de junho para o fim do semestre subsequente, em virtude do verão árabe.

Fora do período de férias dos atletas europeus (junho/julho), a copa de 2022 poderia ocorrer em pleno início de temporada europeia (setembro/outubro), o que de antemão já causa ojeriza por parte de clubes pertencentes a UEFA.

Blatter seguirá à frente da FIFA até a definição final da nova eleição que escolherá seu sucessor.