A repercussão da classificação do Paris Saint-Germain para as quartas de final da Champions League, na última quarta-feira tem sido enorme. Sobretudo no Brasil, em virtude da carência de um grandes ídolos futebolísticos, hoje numericamente diminuta em relação aos que figuraram no passado.

A dupla de zaga do time parisiense formada por David Luiz e Thiago Silva, protagonizou o confronto contra o britânico Chelsea na quarta, sendo que ambos anotaram os dois gols do empate em 2×2. Resultado suficiente para garantir o avanço do PSG. Os dois zagueiros eram os pilares defensivos da Seleção Brasileira no último Mundial.

É preciso lembrar que Thiago Silva não atuou na semifinal contra a Alemanha, na partida em que o Brasil foi massacrado pelos 7×1 impostos pelo Nationalelf alemão. Thiago cumpriu suspensão automática em virtude do segundo cartão amarelo, recebido nas quartas de final, em que o Brasil venceu a Colômbia por 2×1, com o golaço de falta anotado por David Luiz.

O mea culpa.

Na ocasião do 7×1, pior do que não ter o lesionado Neymar, foi não ter Thiago Silva como defense leader da linha de defesa brasileira. O zagueiro desenvolveu a função de stopper em seus anos atuando no futebol italiano, onde conseguiu ser campeão da Série A 2010/2011, formando dupla de zaga do Milan com Alessandro Nesta.

Era Thiago Silva quem coordenava o avanço ou o recuo da linha defensiva da seleção. O movimento possibilita a chamada “compactação” entre as linhas de defesa e meio-campo. Na Itália, Nesta um dos melhores defensores de sua geração, foi o “tutor” de Thiago expressão utilizada exatamente desta forma, quando um jovem zagueiro surge como aprendiz de um veterano. Sistemas defensivos se desenvolvem com tempo e entrosamento.

O erro de Felipão na partida do Mineirão, foi inverter a posição dos centrais, deslocando David para o lado direito, preenchendo a lacuna de Thiago e postando Dante do lado esquerdo. Desde a Copa das Confederações em 2013, David Luiz se habituou a cobrir os avanços de Marcelo na lateral esquerda. Dante não compreendeu esta função.

Quando Marcelo retornava do avanço ofensivo ele não compreendia o que acontecia com o próprio sistema defensivo. Quando Fernandinho se viu de costas para os meias alemães e perdeu a bola, num dos cinco gols germânicos anotados no primeiro tempo, seu intento era saber exatamente onde estava a linha defensiva atrás de si. Se houve a “pane” proclamada pela comissão técnica da seleção, seu curto circuito de origem se deu em razão da ausência de Thiago Silva.

As lágrimas do capitão.

O choro de Thiago Silva que causou maior alarde foi aquele posterior ao desfecho da prorrogação da partida contra o Chile, nas oitavas de final. No último minuto, o chileno Pinilla mandou uma bola na trave, como consequência de um desarme incompleto de Thiago. Uma descarga emocional compreensível e o goleiro Julio César também se via emocionalmente alterado, antes da cobrança de penaltis.

O que chocou foi a visão de Thiago Silva sem ação e sentado sobre uma bola, após solicitar ser o último da lista a cobrar o penalti. O zagueiro assumiu a incapacidade momentânea, algo que gerou todas as criticas e “chacotas” subsequentes. Não são criticas válidas, o que o atleta sente não é da conta de ninguém. A derrota faz parte do jogo e um atleta que chora publicamente diante dela, não faz nada de anormal.

Anormal e reprovável é o ar “blase” de Ronaldo, Adriano, Robinho, Roberto Carlos e Ronaldinho Gaúcho após a eliminação do Brasil diante da França de Zidane, no Mundial de 2006. Naquela ocasião o meia Juninho Pernambucano, escalado como titular por Parreira no último momento, também foi criticado por chorar durante a execução do hino nacional, antes do confronto.

Posteriormente, Juninho defendeu publicamente seu direito de ser homem o suficiente para chorar, num programa do Sportv, então apresentado por Cléber Machado e com endosso do falecido escritor Ariano Suassuna. Thiago Silva também tem esse direito.

Foto: fanpage oficial do PSG no Facebook.