Nas últimas semanas tecemos muitos elogios à gestão administrativa do Atlético de Madrid, a qual possibilitou o desempenho de um titulo conquistado por temporada, desde 2012. Porém, sempre temos frisado que em termos financeiros o Atlético é uma potência média, tradicional sim na Espanha, mas com um poderio financeiro absurdamente menor do que os ostentados por Real Madrid e Barcelona. Analisamos sim, porém analisar é diferente de tecer apologias.

Pela vigésima terceira rodada de La Liga, o Atlético foi a Balaídos, visitar o Celta neste domingo e acabou desastrosamente derrotado por 2×0 pelos mandantes. Com as vitórias respectivas do líder Real Madrid e vice-líder Barcelona, o Atlético ainda em terceiro lugar, vê reduzidas as chances de um bi-campeonato espanhol consecutivo.

Em termos técnicos e táticos a derrota se explica facilmente, devido a indisponibilidade de Koke e Arda Turan, dois dos principais meio-campistas á disposição do técnico Diego Simeone. O poderio financeiro dos rojiblancos compreensivelmente, não consegue propor o luxo de um reserva a altura para cada um dos citados.

Plano de jogo equivocado, “plano b” que deu errado.

A imprensa espanhola incensou a atitude de Simeone ao confirmar um trio ofensivo na véspera do jogo, a saber formado por Griezmann/Mandzukić/Torres. Havia porém um vácuo entre a defesa e o ataque. Ao fim do primeiro tempo, terminado em 0x0, o Celta deteve cerca de 73% de posse de bola. A causa desta contrastante diferença de posse do esférico foi o fato do meia Tiago saiu com apenas 33 min de partida, aparentemente com problemas físicos.

No seu lugar surgiu o uruguaio Mario Suárez, por sua vez distribuindo pontapés nos adversários, ao lado de um inoperante Gabi. No meio-campo do Atlético há um Tiago para suprir eventuais ausências de Koke e/ou Turan. Noutras palavras, “o plano b” falhou. A formação inicial era um 4-3-1-2 (descrito como 4-4-2 pela imprensa espanhola). Griezmann seria o “1”, o “enganche” na acepção sul-americana do termo.

Porém com a dupla Tiago/Gabi desfeita, perdeu-se a capacidade de distribuição de bolas. “El niño” Torres foi sacado no intervalo para a entrada de Cani, que atua pelos lados do campo, mas o panorama não mudou. No jogo de ataque do Celta contra a defesa colchonera, o time de Vigo venceu com um gol de penalti convertido por Nolito, e outro em jogada trabalhada que culminou no gol de Orellana.

Equipes que sabem se portar defensivamente, caso do Atlético de Simeone tem uma contraparte nesta virtude, a qual se configura num tipo de auto-suficiência. Defensores erram como errou Mario Suárez, no lance do penalti. Um sistema defensivo só funciona bem se o meio-campo ostenta a virtude de manter a posse de bola. Algo que o Atlético não fez de forma efetiva contra o Celta.

Após o jogo, “cholo” Simeone humildemente assumiu o equivoco no plano de jogo e na escalação. O El País frisou a palavras da autocritica do técnico argentino: “No primeiro tempo, escalei uma formação errada. Perdi 45 minutos porque errei a escalação.” E ainda absolveu Torres, sacado no intervalo: “A culpa não é de Torres, eu é que o tirei durante o intervalo.”

Em terceiro na tabela, o Atlético de Madrid ostenta 50 pontos, sete atrás do primeiro colocado, Real Madrid.

Mais além:

– O Real Madrid se manteve na liderança agora com 57 pontos, um a mais que o vice-líder Barcelona. Os blancos, ainda com atletas importantes no departamento médico, venceram o La Coruña no sábado por 2×0. O treinador Carlo Ancelotti elogiou publicamente o brasileiro Lucas Silva, que seguirá como titular ao menos nos jogos da liga espanhola, pelas próximas rodadas.

– No domingo a tarde o Barcelona recebeu o Levante no Camp Nou e foi simplesmente Barcelona impondo 5×0 nos adversários da cidade de Valência. Messi fez um hat-trick e Neymar anotou dois gols, com o placar sendo completado por Luisito Suárez. Com 56 pontos na segunda colocação, os culés mantem acirrada a briga pelo título, que vai voltando a ser polarizada entre blaugrenas e merengues.

Foto de Simeone contra o Celta: Miguel Riopa – AFP