Na última quinta-feira Cristiano Ronaldo completou 30 anos de vida. Houve uma festa em sua residência, a qual segundo o periódico lusitano Correio da Manhã, contou com Red One, produtor da Lady Gaga como dj. Foram recepcionados muitos convidados, incluindo-se todo o elenco do Real Madrid.

Celebrações a parte, a imprensa espanhola incita uma reflexão acerca de quem pode ser o sucessor do atacante lusitano, enquanto atleta diferencial e ídolo máximo do atual Real Madrid.

A partir dos 30 anos começa a queda física de um futebolista. O presidente Florentino Pérez mais do que ninguém, tem mostrado que aprendeu com os erros de seu primeiro mandato, entre o fim dos anos 1990 e primeira metade dos anos 2000. Nesse sentido por exemplo, não insistiu em preservar o meia Kaká no elenco.

Galácticos custam caro, decidem jogos e rendem espetáculo mas impreterivelmente, sofrem dos problemas de decrepitude fisiológica, tais quais qualquer ser humano. Galácticos velhos com mais de 30 anos, recebem salários altos mas podem passar mais tempo no departamento médico, do que em campo.

No livro “Anjos Brancos” (ed. Relume Dumará), seu autor e jornalista John Carlin que esteve in loco nos bastidores da decadência da primeira era galáctica e relata “o retrato de Dorian Gray” de Florentino. Depois de 2004 Figo, Zidane, Ronaldo e Beckham já se viam na faixa dos 30 anos.

Pérez obteve um retrato em tamanho gigante dos seus quatro galácticos mais preciosos, solicitando um a um que autografasse sua respectiva imagem. A juventude deles se encerrava naquele poster, numa metáfora “oscar wildeana” aludida ao futebol.

O primeiro galáctico da nova era.

A trajetória de CR7 no grande escalão europeu iniciou-se quando ele recebeu a camisa 7 do britânico Manchester United, a qual pertencia da David Beckham, o último galáctico da primeira gestão de Florentino Pérez. Pérez contratou Becks para o Real Madrid, por volta de 2002, em operação que demandou grande aparato midiático.

Seis anos depois, o lusitano é quem foi contratado pelo Real Madrid, na volta de Pérez à presidência de Chamartín, em 2009. O pacote de retorno, incluía tanto CR7 quanto Kaká, ali os últimos dois respectivos vencedores das últimas Bola de Ouro.

Em seis temporadas em Madrid, CR7 é colocado pela imprensa espanhola enquanto o maior goleador blanco, desde o húngaro Ferenc Puskas. E os números do lusitano realmente são absurdos, 288 gols em 277 partidas desde 2009, segundo levantou o El País. Média de mais de um gol por partida. O contrato atual de CR7 se encerra em 2018, ano em que ele completa 33 anos.

Hoje por exemplo, Zlatan Ibrahimović (PSG) tem essa idade e já sente dificuldade na recuperação de lesões que ocorrem em tendões e ligamentos. Ibrah e CR7 são fisicamente atletas exemplares e parecidos, lembando que o sueco complementa a sua formação atlética com a prática de tae-kwon-do e ballet. O El País frisa a dificuldade de futebolistas de ataque, em ultrapassarem a barreira dos 33 anos, atuando em alto-nível no futebol europeu.

O periódico espanhol recorda a aposentadoria do holandês Marco Van Basten do Milan em 1995, aos 31 anos numa época em que alguns tratamentos específicos da medicina esportiva, ainda não eram tão avançados quanto hoje. Ronaldo “fenômeno” deixou Madrid aos 31 anos por volta de 2007, mas já havia demonstrado queda física e técnica no Mundial de 2006.

O francês Thierry Henry encerrou sua passagem pelo Barcelona com 33 anos, depois exilando-se ao futebol yankee. O camaronês Samuel Eto’o foi para o futebol russo aos 30 anos e o holandês Ruud Van Nistelrooy deixou o Real Madrid aos 34 anos, seu último grande clube. O El País também se recorda de Romário que atuou até os 38 anos no futebol brasileiro, tendo porém deixado o futebol europeu aos 32 anos.

No aspecto técnico e atlético, o galês Gareth Bale (hoje com 25 anos), bem menos midiático que CR7, é apontado como a provável referencia técnica do Real Madrid, para os próximos anos.

Os líderes blancos visitam o Atlético de Madrid, em derby que acontece neste sábado, pela vigésima segunda de rodada de La Liga. A partida ocorre às 13 hr (horário de Brasília). No Brasil a liga espanhola está sendo exibida pelo ESPN e pela Sports +.

Foto de Cristiano Ronaldo em lance da última final da Champions League: Kai Pfaffenbach – Reuters.