Borussia Dortmund: o inaudito.

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Nos últimos posts elogiei aqui neste 90 Minutos a postura administrativa de Borussia Dortmund e Atlético de Madrid, respectivamente os dois últimos vice-campeões da Champions League.

Não ter investimento bilionário não anula as tradições de ambos os clubes, que se comportam inteligentemente como potencias médias, no aspecto financeiro. O alemão Dortmund, inclusive foi campeão de CL, batendo a Juventus na final da edição 1996/1997.

O periódico espanhol El País, chamou atenção para a nova derrota do Borussia Dortmund, na última quarta-feira pela décima nona rodada da Bundesliga. Os aurinegros perderam para o Augsburg por 1×0, sendo que o adversário tinha um homem a menos em campo. Isso dentro do próprio Signal Iduna Park. A situação deixou os aurinegros na última colocação da tabela da liga alemã (16 pontos). São onze derrotas, quatro empates e apenas quatro vitórias em 19 partidas.

Paralelamente a equipe que fez campanha impressionante na primeira fase da Champions League e se vê no mata-mata. Na CL o Dortmund venceu cinco partidas e empatou uma, em seis jogos pelo grupo D, classificando-se em primeiro lugar com 16 pontos. Nas oitavas de final, o Dortmund se defrontará com a Juventus, exatamente re-editando o confronto da final do torneio em 1997.

Não ter investimento bilionário inviabiliza presença de atletas caros. Tal qual o Atlético de Madrid, o Dortmund se notabilizou por contar com jogadores bons e baratos, nos últimos anos. A equipe vice-campeã da CL em 2013 mostrava um fim de ciclo de um grupo comandado por Jürgen Klopp bi-campeão consecutivo da Bundesliga, em 2010/2011 e 2011/2012. Num mundo de FC Bayern, que inclusive compra os destaques do próprio Dortmund ajudando-o a fechar o caixa, o feito não é pequeno.

As negociações por Götze, Lewandowski e até Felipe Santana, renderam boas quantias. O time aurinegro valorizou até um mediocre Shinji Kagawa que foi parar no Manchester United, retornando a Dortmund recentemente. Atleta algum é maior que a própria agremiação. Mas Götze e Lewandowski são tecnicamente insubstituíveis. Nos últimos anos, o Dortmund conseguiu o que o Atlético vem tentando, ou seja disputar frequentemente a CL, torneio que rende maiores premiações. Inusitadamente, estando melhor no torneio continental do que na própria liga nacional, neste instante.

Ao fim da partida perdida para o Augsburg, o El País ressaltou a iniciativa dos líderes Weidenfeller e Hummels aproximando-se da “muralha amarela” e dando satisfação a sua própria torcida. No contexto alemão há torcedores e não hooligans, nem marginais disfarçados de membro de torcidas organizadas. A relação entre os atletas e seus “supporters”, não era uma conspiração escondida com um cabeça do crime organizado.

Em termos de elenco, o Dortmund sofre e seguirá sofrendo pois a limitação financeira leva à falta de opções no mercado, que por sua vez impõe peças de reposição sem a mesma qualidade dos titulares inquestionáveis. Depois da final da CL de 2013, o time viu boa parte dos titulares compreensivelmente entregues ao departamento médico, devido ao desgaste físico. Seu elenco não é numeroso.

Em termos técnicos seu principal atleta, Marco Reus retornou de lesão a pouco e está sem ritmo. No elenco atual, Reus é insubstituível. O citado atacante e o capitão Matts Hummels, inclusive podem ser negociados no verão para que o time possa fechar o caixa. Para as potencias médias da Europa, a derrota ainda faz parte do esporte.

O Dortmund visita o Freibug no sábado, pela vigésima rodada da Bundesliga. A mesma começa nesta sexta com Schalke 04 x Borussia Möenchengadbach

Foto de Klopp (de jaqueta) e seus atletas após a derrota para o Augsburg: Ina Fassbender – Reuters.