Um dia após a derrota por 1×0 para o Bayer Leverkusen, a imprensa espanhola ainda procura explicações para o revés sofrido pelo Atlético de Madrid, na partida de ida das oitavas de final da Champions League. Um dos pressupostos é a forma como o time colchonero tem se deixado sufocar, por disposições táticas que impõem a marcação alta, pressionando o adversário.

O periódico espanhol El País traçou um paralelo da atuação do Atlético em Leverkusen, com a derrota por 2×0 para o Celta por La Liga, há duas semanas atras. Nesta ocasião rememorada, os colchoneros saíram de campo no intervalo com o número de posse de bola indicando 73% de manutenção, para o Celta. Contra o time espanhol de Balaídos, havia o argumento de não ter em campo Arda Turan e Koke (no momento ainda lesionado), e um Tiago que atuou por apenas meia hora, saindo por lesão.

Turan esteve em campo contra o Leverkusen e Tiago foi expulso na segunda etapa, quase no fim da partida. Houve uma diferença drástica, pois contra o Celta o time rojiblanco realizou apenas 317 passes com 195 certos. Com seus citados meio-campistas em Leverkusen, o Atlético realizou 519 passes acertando 495, ou seja 90% de passes certos.

Entretanto o time colchonero tem padecido de manter a posse de bola, sem aliar esta qualidade à objetividade. Contra o Leverkusen Turan, Gabi, Tiago e Griezmann chegaram a perder 60 bolas, o que enfatiza o sistema de marcação imposto pelo técnico alemão Roger Schimidt. O El País frisa a ausência de Diego Costa nesta temporada, atacante que possibilitava na última temporada alguma eficácia quando o time valia-se de chutões e/ou lançamentos.

Porém Filipe Luís pelo lado esquerdo, também possibilitava uma alternativa válida de jogo, quando o Atlético recuperava a posse de bola. Hoje Costa e Filipe estão no Chelsea. Contra o Leverkusen, o Atlético perdeu o lateral esquerdo Guilherme Siqueira por lesão, ainda na primeira etapa. Hoje Siqueira cumpre o papel que cabia a Filipe Luís, mas não é tão incisivo quanto.

Com o campo defensivo alemão congestionado, Griezmann, principal atleta rojiblanco de velocidade também se anulou, consequentemente deixando Mandzukić isolado. Ao relembrar Diego Costa, o El País parece sugerir uma escalação sem atacante fixo, com Griezmann como referência.

Por fim, a marcação alta impondo pressão e impossibilitando as jogadas pelos lados do campo, foram os méritos tanto do Celta quanto do Bayer Leverkusen. Uma vez que Juanfran e Siqueira precisam surgir pelos lados externos, para que Turan e Griezmann tenham com quem compartilhar a bola. Os alemães impuseram Bellarabi e o coreano Son, nas costas dos laterais colchoneros, mantendo-os presos à linha defensiva.

Era um jogo “espelhado” pois a aplicação defensiva do Leverkusen foi similar àquela que o próprio Atlético de Simeone, fez muito caracteristica nos últimos anos. Com os rojiblancos inclusive voltando a padecer da fluidez vertical no jogo ofensivo. Fora isso o destempero de Simeone e comissão técnica a beira do gramado, também começa a “pegar mal”, tal qual visto no fim do primeiro tempo. Roger Schimit parece ter estudado muito bem o time de Simeone.

O Atlético de Madrid volta a campo neste fim de semana, pela vigésima quinta rodada da liga espanhola, visitando o Sevilla na Andaluzia.

Foto de Griezmann, Juanfran e Godín saindo de campo após derrota para o Leverkusen: T. Schwartz – AFP.