Atlético de Madrid: da planilha para o campo (pés no chão – parte II).

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O planejamento das contratações para a temporada 2014/2015 feito pelo Atlético de Madrid beirou a perfeição. O clube fechou o caixa com algo além daquilo que o vice-campeonato da CL e a vitória na liga espanhola, lhe rendeu em premiações. O time colchonero vendeu ao Chelsea seus principais destaques Diego Costa (atacante) e Filipe Luís (lat.esquerdo), respectivamente a 38 e 20 milhões de Euros. Um total de quase 60 milhões de Euros.

O técnico Diego Simeone iniciou a temporada afirmando que, com 95 milhões de Euros o Atlético trouxe oito atletas, ao contrário do rival milionário Real Madrid. Com um valor similar os blancos levaram James Rodriguez e Toni Kroos. Entretanto, venda de atletas que se valorizam subitamente, não acontece em todas as temporadas.

Por sorte (ou competência), o Atlético tem conseguido supervalorizar seguidamente seus jogadores de ataque. Antes da temporada 2012/2013 começar, o clube negociou Radamel Falcao Garcia (hoje no Manchester United) a 60 milhões de Euros pagos pelo Monaco. Falcao Garcia se valorizou com as conquistas colchoneras da Europa League em 2012 e Copa Del Rey em 2013.

Na Europa diferentemente do Brasil, vale a máxima de que craque nenhum é maior que agremiação em que ele joga. Não há porque segurar um atleta valorizado, sendo que clubes de maior poder aquisitivo surgem com oferta salarial além daquilo que um clube médio pode oferecer. Atletas de idade elevada recebendo altos salários não correspondem no custo benefício, pois tem mais chances de sofrer lesões. O Atlético não quis manter o ídolo e meia brasileiro Diego Ribas (ex-Santos), exatamente devido a idade avançada. O “menino da vila” acabou no futebol turco.

O hispano brasileiro Diego Costa era um anônimo antes da temporada 2013/2014 começar e se tornou exatamente o sucessor de Falcao Garcia. Isso tanto em campo quanto no valor adquirido pelo Atlético ao negociá-lo com Chelsea, logo que a temporada acabou. Para repô-lo, o croata Mario Mandzukić chegou do FC Bayern com status de estrela do time a 22 milhões de Euros.

A maior aposta maior porém foi em Antoine Griezmann, destaque da França no último Mundial, e que custou 30 milhões de Euros. Griezmann era algo que o Atlético carecia, ou seja um atacante que atua pelos lados do campo. Tanto é que o clube também contratou o italiano Alessio Cerci, que jogou a última copa pela seleção da Itália. Griezmann atua pelo lado esquerdo e Cerci pelo lado direito. Ambos foram contratações pontuais para um elenco cuja base do sistema defensivo, sua maior virtude, é mantida praticamente desde 2012.

Repatriando “el niño”.

O rendimento assombroso de Griezmann tão logo a temporada começou, encurtou as oportunidades de Cerci. Griezmann atuou em 20 jogos da liga espanhola e anotou 10 gols. Seu companheiro de ataque, Mandzukić atuou em 16 jogos de La Liga e fez oito gols. Só a dupla de ataque rojiblanca já anotou 18 gols em 20 rodadas da liga espanhola. O custo benefício de ambos é inquestionável.

Na atual janela de transferências, Cerci foi rapidamente utilizado como moeda de troca para o retorno de Fernando Torres que estava no Milan. Por ter sido revelado pelo Atlético, Torres sempre tinha seu nome relacionado aos colchoneros. Porém “el niño” não era prioridade por sua idade avançada (30 anos) e seu alto salário, em torno de 7 milhões de Libras então pagos pelo Chelsea.

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Torres ainda jovem, nos idos da década passada.

Ao assinar com o Milan no começo desta temporada, Torres aceitou a redução salarial para a quantia de 5 milhões de Euros anuais, em dois anos de contrato. Foi por este valor, dos quais possivelmente os 5 milhões iniciais já foram quitados pelo Milan, que “el niño” retornou ao Vicente Calderón, sem tempo de se adaptar ao futebol italiano. O Atlético ainda lucrou com o evento de re-apresentação de Torres, feito na primeira semana de janeiro para mais de 40 mil torcedores que lotaram o Calderón.

Se por um lado há na Europa o bom senso de um clube médio, por outro há o bom senso de um atleta ciente de que já tem sua idade útil expirando. No Brasil por exemplo, Fred principal atacante da seleção brasileira na última copa tem 35 anos e um histórico obsceno de problemas físicos. O atacante pedia um contrato de mais de uma temporada a cerca de 800 mil Reais mensais, ao Cruzeiro que o revelou e que queria contratá-lo junto ao Fluminense, no começo de janeiro. O Cruzeiro preferiu apostar em Leandro Damião.

Voltando a “el niño” Torres, o Atlético obteve um atleta identificado com o clube aliando um trunfo midiático a uma característica técnica/física diferente entre o espanhol e Mandzukić, o outro atacante de referência. Em campo, ambos tem se entendido de forma inquestionável com Griezmann. E ambos podem se adequar a diferentes necessidades táticas de Simeone.

No aspecto motivacional, Torres tem o intento de poder ajudar o clube que o revelou a vencer algum título relevante. “El niño” foi lançado no time principal do Atlético de Madrid na temporada 2000/2001, com o clube disputando a segunda divisão espanhola. Foi capitão do time com 18 anos junto à equipe que levou o colchonero de volta à elite de La Liga em 2002. Foi negociado em 2007 com o Liverpool na época a cerca de 26 milhões de Libras, ajudando exatamente o clube rojiblanco a fechar o seu caixa.

Os “pés no chão” da forma como o Atlético de Madrid está gerindo as suas finanças, já completa quase uma década.

Leia aqui a primeira parte da análise sobre a atual gestão administrativa do Atlético de Madrid.