Com as confusões causadas pelas torcidas Frente Atlético e Riazor Blues, referentes respectivamente aos times espanhóis Atlético de Madrid e Deportivo La Coruña, no último domingo, a questão do hooliganismo voltou a pauta na imprensa esportiva. Os “ultras” das duas citadas facções causaram um tumulto que cuminou na morte de um membro da Riazor Blues, além de onze feridos.

O periódico espanhol El Pais resgatou a gênese maldita da Ultra Sur torcida organizada do Real Madrid, a qual há pouco mais de um ano, se vê banida do Santiago Bernabéu. Após confusão criada entre os próprios membros da Ultra Sur, numa partida entre Real Madrid e Real Sociedad pela liga espanhola em novembro de 2013, o presidente Florentino Pérez decidiu por exclui-los do convívio do clube.

Geralmente os “ultras” ficam nas chamadas “ala sul” ou “curva sul” dos estádios europeus. A parte sul (ou “Fondo Sur”) do Santiago Bernabéu teve os seus lugares outrora pertencentes aos “ultras”, oferecidos aos sócios torcedores regulares. O El País enfatiza a gênese maldita da Ultra Sur numa partida entre o Real Madrid B e o inglês West Ham United, válida como jogo de ida da primeira eliminatória da Recopa europeia de 1980.

O clube blanco inscrevera o Real Madrid Castilla naquela competição, ao invés do time principal. Na ocasião, o hammers torcedores do West Ham proporcionaram uma grande confusão no Bernabeu, isso num período do ápice do hooliganismo na Inglaterra. A UEFA puniu o West Ham proibindo o time de atuar em Londres na partida de volta. Após o incidente, a torcida merengue que era conhecida como Las Banderas passou a desenvolver modus operandi violento, intimidando as facções rivais.

Posterior a um confronto entre Real Madrid 2×1 Sporting Gijón válido pela final da Copa Del Rey de 1982 em Valladolid, houve uma cisão entre a ala dos torcedores tradicionais do Las Banderas e os mais extremos. Os dissidentes rádicais fundaram a Ultra Sur, ostentando simbologias nazistas e ideologia de extrema direita.

Voltando ao presente.

Após o banimento da Ultra Sur, o Real Madrid demarcou setores diferentes do Bernabéu para acomodar torcedores que tinham envolvimento com a torcida organizada. Isso além de expulsar do clube todo e qualquer membro com antecentes criminais. Os “ultras” que se readequam formaram um novo agrupamento pacífico (e obviamente vigiado), a Grada Joven.

Segundo o El País, o Real Madrid mantem atualizado cadastros de torcedores e aqueles potencialmente perigosos são monitorados tanto na Espanha, quanto na Europa, conforme recomenda a Comissão Antiviolência da UEFA. Todos os sócios recebem um documento com orientações, as quais incluem os símbolos e bandeiras proibidas de serem ostentadas. Entre estes ícones se incluem bandeiras de cunho político ou dotadas de simbologia nazista, além de cartazes que incitem xenofobia e racismo. O descumprimento é passível de expulsão do quadro de sócios do Real Madrid Club de Fútbol.

O esforço é louvável, mostrando que é possível coibir a violência no futebol, além de readequar envolvidos sem antecedentes criminais. Por outro lado, o presidente Florentino Pérez sofre com protestos de membros da Ultra Sur por toda Madrid, algo que inclui atos de vandalismo que profanaram o túmulo da esposa de Pérez.

Segundo o El País, entre os membros da Ultra Sur identificados pela polícia de Madrid elencavam-se integrantes de grupos neonazistas, indivíduos ligados o crime organizado, além de agressores racistas que já haviam promovido ataques a grupos antifascistas.

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Foto do antigo Fondo Sur do Santiago Bernabéu – EFE.