Nesta terça-feira seguiram-se as consequências da confusão generalizada ocorrida às vésperas da partida entre Atlético de Madrid 2×0 Deportivo La Coruña, jogo que aconteceu no último domingo por La Liga espanhola, em Madrid. Na ocasião, membros das torcidas organizadas Frente Atlético entraram em confronto físico com os membros da Riazor Blues, ambos os grupos identificados como “ultras”.

Na Europa, as torcidas organizadas são denominadas “ultras”. O conflito ocasionou a morte de um membro da Riazor Blues além de onze feridos. A diretoria do Atlético de Madrid anunciou que baniu oficialmente das dependências do estádio Vicente Calderón, a torcida Frente Atlético. Oito membros da Frente Atlético tiveram invalidados os seus vínculos de sócios do Atlético de Madrid, sob a condição de não poderem mais voltarem a sê-lo.

O anúncio foi feito por Miguel Angel Gil Marin, acionista maior do clube colchonero, tendo sido expresso no site oficial do time. Segundo o periódico espanhol El País, os cânticos xenofóbicos e racistas proporcionados pelos membros da Frente Atlético, também pesaram na decisão da diretoria rojiblanca, no banimento permanente destes “ultras”.

O Atlético de Madrid foi enfático ao anunciar que perseguirá todo e qualquer grupo que use o nome e dependências do clube, para propagar ideais políticos, racistas e xenofóbicos.

Paralelamente a isso a Liga de Fútbol Profesional (LFP) já organiza uma proposta de regulamento a qual visa extinguir definitivamente outras torcidas organizadas violentas, estejam elas ligadas a qualquer clube da Espanha.

A ação se dá em conjunto com o Consejo Superior de Deportes (ou “conselho superior do desporto”) além da própria Federación Española de Fútbol. O presidente da LFP Javier Tebas é enfático no objetivo de extinção dos “ultras”.

Quem são os “ultras”?

O sociólogo brasileiro Maurício Murad, em “A Violência e o Futebol” (editora FGV/2007), explica a origem da denominação “ultra”, nomenclatura pela qual os europeus se referem aos membros de torcidas organizadas violentas, ou seja, os hooligans. Segundo Murad, há “ultras” cujas origens estão relacionadas ao “Maio de 68” de Paris (França), os quais se valem de mentalidade de esquerda e engajamento político.

Na Inglaterra esta foi uma forma de alguns membros de torcidas organizadas mostrarem que não eram hooligans violentos, sobretudo no período em que a primeira ministra Margaret Tatcher ordenou a extinção definitiva do hooliganismo. Murad os denomina enquanto “ultras” dotados de atitudes “positivas”. Estes se diferem dos “Ultras” descritos com “u” maiúsculo por Murad.

Segundo Murad, o berço dos “Ultras” está no norte da Itália, onde torcidas organizadas dos times de Milão, Turim e Roma, assim se denominaram para se oporem aos “ultras” de Bologna. Os “Ultras” italianos valiam-se de ideologia de extrema direita, revelando-se xenofóbicos e racistas. Não raro mantinham laços com o crime organizado. Seu objetivo era sufocar o carater politizado dos “ultras” originais.

Os “Ultras” italianos também eram chamados de “Irreducibili” (ou “invencíveis”). Murad toma como exemplo máximo a “Fuerza Nuova”, grupo neofascista ligado à Lazio de Roma. Ali “modelos mafiosos de atuação, entranhados em diversos setores da sociedade italiana, incluindo o racismo, a xenofobia e o tráfico de armas e drogas, aparecem também nas organizadas mais radicais e violentas”.

Para ler sobre o confronto entre os membros da Frente Atlético e os membros da Riazor Blues, clique aqui.

Bibliografia

MURAD, Maurício “O Futebol e a Violência”. Rio de Janeiro: editora FGV, 2007.