A seleção alemã de Joachin Löw entra em campo contra a França nesta sexta-feira, fustigada por criticas da imprensa alemã após a classificação suada diante da Argélia, nas oitavas de final do Mundial 2014. O Nationalelf carrega condição de favorito ao título desde o Mundial 2010, quando teve que se contentar com um terceiro lugar. Porém, esta data de 4 de julho de 2014 marcam os 60 anos da conquista do Mundial de 1954.

Fora da Alemanha alguns talvez já tenham ouvido falar da “batalha de Berna” muito provavelmente devido ao filme alemão “O Milagre de Berna” (de Sönke Wortmann) lançado em 2003. A produção não só reproduz a partida final entre Alemanha e Hungria, como também enfoca a importância da conquista para o povo alemão no pós-guerra.

A II Guerra Mundial teve seu cessar fogo em 1945 e a Alemanha se via completamente destruída. O título de 1954 obtido em Berna (Suíça), primeiro dos três conquistados pela seleção alemã, dois ainda enquanto “Alemanha Ocidental”, teve importância social inominável.

Aquele time alemão comandado pelo técnico Sepp Herberger não era o favorito e enfrentou a Hungria de Hidegkuti, Kocsis e Ferenc Puskas. A sua época, antes do Brasil campeão de 1958, a Hungria era tida enquanto melhor time do mundo.

O Nationalelf saiu perdendo por 2×0 mas obteve a virada por 3×2, em partida inspirada do atacante Helmut Rahn (do modesto Rot-Weiss Essen) e do mítico goleiro Toni Turek (do Fortuna Düsseldorf). A equipe aproveitava o time base do Kaiserslautern que tinha enquanto liderança técnica o atacante Fritz Walter.

Muito se credita à boa apresentação do time alemão às chuteiras dotadas de travas passiveis de serem atarraxadas criadas por Adi Dassler, algo também enfocado no citado filme. Choveu na véspera da partida final e o time húngaro, quando conseguia parar em pé no gramado, tinha prejudicado o seu toque de bola.

Reza a lenda que Dassler o sapateiro, andava pelas ruas no pós guerra, a procura de material que pudesse reaproveitar e transformar em calçados ou equipamentos esportivos. Nascido Adolf Dassler, Adi é o fundador da Adidas.

Em caso de vitória alemã no Maracanã, a rivalidade histórica em relação a França talvez fique em segundo plano. Será uma celebração mais do que oportuna e uma possibilidade de jogar contra o Brasil nas semifinais, que caso aconteça seria o primeiro embate em copas entre Alemanha e Brasil, após a final de 2002.