A atual seleção francesa já fez muito, só de ter conquistado a chance de disputar as quartas de final do Mundial 2014, com a Alemanha nesta sexta-feira no Maracanã. Um derby europeu, o qual rememora rivalidade cultural oriunda de junho de 1919 quando se estabeleceu o tratado de Versalhes no fim da I Guerra Mundial. Não tão distante, no Mundial 2010 na África do Sul, os franceses foram eliminados na primeira fase em meio a “bafões” de bastidores e muita confusão.

Resumindo, o atacante Anelka foi cortado nos vestiários em intervalo de jogo. Franck Ribery chorou pitangas na frente das câmeras dos jornalistas, expressando o quão ruim era o ambiente. O capitão Evra foi flagrado, quase saindo no tapa com o preparador físico. Havia indícios de rusgas entre Gourcuff, Nasri e os já citados.

O comando estava desgastado desde que o técnico Raymond Domenech fora derrotado na final do Mundial 2006, para a Itália. Mais do que isso, a França perdera sua liderança técnica e psicológica Zinedine Zidane, cujo último ato na carreira foi dar uma cabeçada em Materazzi, revidando uma agressão verbal.

Após aquele Mundial até comissão de inquérito foi instalada pelo governo francês, para apurar quais as causas do desempenho tão ruim. Um campeão mundial de 1998 assumiu o time (Laurent Blanc, hoje no PSG) e já se viu uma França renovada na EURO 2012, derrotada nas quartas de final pela bi-campeã Espanha. Espasmos ególatras de jogadores celebridade foram descritos, desta vez vindos da boca da Samir Nasri, que chegou a ter um dedo do veterano Malouda, enfiado em sua cara. Blanc pediu demissão após aquele torneio.

Outro campeão mundial, Didier Deschamps, capitão de 1998 assumiu o time que se classificou para esta copa, no último jogo da repescagem em Saint Denis, contra a Ucrãnia. A base montada por Blanc persistiu e coincidiu com o crescimento e a consolidação técnica de Pogba e Benzema em seus respectivos clubes, Juventus e Real Madrid.

Tanto Blanc quanto Deschamps seguiram confiando em Ribery, o grande talento francês, que acabou fatalmente cortado por lesão às vésperas de embarcarem para o Brasil. No fim dos anos 2000, Benzema e Ribery chegaram a responder por envolvimento com prostitutas menores de idade.

Nas temporadas de 2011/2012 e principalmente 2012/2013 Ribery jogou pelo FC Bayern no intuito de apagar as impressões ruins, tanto de sua vida pessoal quanto da campanha de 2010. Atingiu a maturidade. A figura de Deschamps parece moral o suficiente para manter a ordem nos vestiários e mesmo sem Ribery, o técnico não recorreu ao barraqueiro Samir Nasri. Deschamps utilizou os talentos que tinha.

A França de 1998 nunca foi devidamente observada, sobretudo aqui no Brasil. A geração que venceu aquele Mundial e a EURO 2000 representou o cosmopolitismo francês, conceito tão caro à sua cultura. Era a França de Zidane, descendente de argelinos com ascendencia muçulmana, de Patrick Vieira, nascido no Senegal, do ganês Marcel Desailly, de Lilian Thuram nascido em Guadalupe e de Robert Pires, filho de portugueses.

Era a França de Youri Djorkaeff que se irritou publicamente quando o representante da extrema direita francesa Jean Marie Le Penn, declarou que aqueles jogadores mal sabiam cantar a Marselhesa.

Os bleus são francos atiradores contra o Nationalelf alemão.