Praticamente na véspera do Natal, o programa Roda Viva da tv Cultura trouxe como entrevistado o lutador de UFC Anderson Silva, que lutará novamente com Chris Weidman na madrugada deste sábado 28/12, para domingo.

Por diversas vezes este 90 Minutos mostrou-se não muito simpático à competição, a qual não tomamos exatamente por modalidade esportiva. Por outro lado, a presença de Silva no Roda Viva, mostra a que ponto o UFC já foi assimilado pela mídia mainstream e pelo grande público no Brasil. Isso para o bem e para o mal.

Em contrapartida, há alguns aspectos irônicos e até curiosos se compararmos a rotina de um atleta de MMA para um jogador de futebol, modalidade que tanto prezamos aqui neste blog. No Roda Viva, Silva não foi questionado por um professor de filosofia, um poeta e dois sociólogos, mas sim teve-se uma digamos, banca, composta por Pablo Miyazawa (da Rolling Stone Brasil), Renata Fan (a própria) e Vladir Lemos (apresentador do Cartão Verde), entre outros cabíveis.

Há muito tempo Silva mostra muito equilíbrio entre aquilo que faz e aquilo que sua imagem lhe proporciona no aspecto midiatico. Ele gera efeito midiático sim, mas ainda não se transformou numa celebridade imbecil. Atende de forma simpática convites de diferentes emissoras televisivas, tendo aparecido em Arquivo Confidencial do Faustão e programa Pânico na Tv, sem perder o bom humor.

Silva sabe que a diplomacia que ele expressa só ajuda a vender a marca UFC em terras brasileiras, pecando apenas em assumir uma agremiação futebolística pela qual ele torce. Algo que no Brasil, gera maus fenômenos por ignorância de alguns.

O critério para um árbitro de UFC interromper uma luta seria não deixar um dos lutadores morrer no octógono. Ok, isso, particularmente para este que vos escreve não é um esporte. Não, que modalidades olímpicas tradicionais nunca tenham feito vitimas fatais. Por outro lado o tipo de preparação que um atleta profissional de MMA se submete exige incondicionalmente uma carga disciplinar infinitamente superior àquela não cumprida, por muitos “boleiros profi” em atividade no futebol brasileiro.

O UFC enquanto organização profissional que propõe os embates segue os moldes norte-americanos de gestão esportiva, não muito diferente de uma NBA, NFL, MLB ou MLS. Ou seja, é algo lícito em termos jurídico/administrativos, feito para angariar receitas e expandir sua própria marca.

Não gostamos de MMA, mas o UFC é mais organizado que os clubes futebolísticos brasileiros e, seus atletas são muito mais desportistas do que muitos jogadores profissionais em atividade no futebol deste país.