Kaká não é o tipo de jogador que faça carnaval para forçar uma transferência. Quando no São Paulo, mesmo sabendo-se que ele não renovaria o contrato com o time paulista, não há nota de grandes demonstrações de descontentamento para uma transação. Até abrir mão do percentual que normalmente o jogador tem direito ele abriu, segundo conta abertamente o vice-presidente do Milan, Adriano Galliani.

Mesmo assim, não é difícil sacar que o brasileiro não está contente em jogar pela segunda temporada num clube que se alija das disputas de títulos por causa de problemas de contusão ou idade média avançada. Até a chegada de Ronaldinho Gaúcho – demonstração inequívoca que o Milan não quer deixar de disputar títulos- tem deixado o ex-meia do São Paulo incomodado, porque, com o 4-3-2-1 (alternando-se para 4-3-3) do Milan, os dois têm de se esforçar para não ocupar a mesma faixa de terreno.

Essa circunstância, aliada ao apetite de rivais como Real Madrid, Barcelona e Chelsea, faz com que a saída de Kaká deixe de ser um fato ilógico, mera produção de sandice mediática, para se transformar numa possibilidade concreta. O sucesso do clube nesta temporada (leia-se título italiano) não é só importante para o clube impedir um tetracampeonato interista. É também um modo de convencer seu maior nome a continuar em San Siro.