O erro de Cuca…

Ao longo de sua carreira de técnico (que começou há 10 anos, no Uberlândia), o novo treinador do Flamengo, Cuca, raramente passou um ano num clube só. Nessa década, Cuca já tem no seu currículo, uma lista de 20 clubes: Uberlândia, Avaí (duas vezes), Brasil de Pelotas, Inter de Limeira, Remo, Inter de Lages, Gama, Criciúma, Paraná Clube, Goiás, São Paulo, Grêmio, Coritiba, São Caetano, Botafogo, Santos, Fluminense e finalmente o Flamengo, também pela segunda vez.

A primeira conclusão que não é difícil de tirar é a de que apesar de um reconhecimento geral de que se trata de um bom técnico, ele não consegue ficar mais de seis meses num clube (menos até do que o irascível Emerson Leão). Só no Botafogo Cuca conseguiu ficar mais de um ano e ainda assim, numa gestão turbulenta, onde o clube ficou consagrado pelo “chororô”, muito pela instabilidade emocional de seu comandante (e também da diretoria, claro).

Em 2008, Cuca teve uma lição da vida: saiu do Botafogo por causa de uma deficiência sua na gestão psicológica (dele mesmo e do grupo) e foi para um Santos despedaçado. Aos amigos, Cuca admitia que estava se arriscando, mas que a proposta financeira do Peixe era boa demais para ser recusada. Fracassou fragorosamente de novo, mas nem assim aprendeu a lição e aceitou um chamado do Fluminense, que também estava na zona do rebaixamento. E não surpreendentemente, ‘flopou’ igualmente, também deixando o Flu na mesma zona de risco. Para configurar definitivamente a sua falta de competência em 2008, todos os três se salvaram depois de sua saída.

O acerto com o Flamengo revela provavelmente um novo recorde: Cuca passou por quatro clubes em 2008. Sim, ele deve estar com uma conta bancária bem abastada. E é bom que seja assim, porque pelo andar da carruagem, em breve ele vai precisar dela para viver, já que não falta muito para que os convites de porte comecem a escassear.

Depois de três fracassos indefensáveis, Cuca deveria fazer o que qualquer um que tomou uma envergada faria: esperar um convite de um clube organizado (ainda que mais modesto), com uma torcida que pressionasse menos no qual ele pudesse passar dois ou três anos e finalmente, mostrar que sabe trabalhar para elevar o clube de patamar. Seu salário provavelmente não seria nababesco como os dos últimos três clubes, mas ele apostaria numa carreira sólida.

Sua opção foi a inversa: deixou-se seduzir por um salário provavelmente alto, mas vai lidar com um time que tem um elenco regular e uma torcida ensandecidamente fanática, bombada por uma mídia rigorosamente cega em relação à própria paixão. Para piorar, tanto a mídia quanto a torcida acham que o elenco é composto de gênios e que deveria ter vencido o Brasileiro com facilidade.

É difícil vislumbrar Cuca dirigindo o Flamengo no fim de 2009. Não há pressão similar à do Flamengo e ele certamente não sabe lidar com pressão (nem mesmo em clubes menores que o Fla). A sua reputação de bom tático (que é justa) há de se afundar por uma reputação muito mais concreta, a de “perdedor”, ainda que em nenhum dos clubes que ele tenha passado, o elenco desse chances para disputas de título. Muito mais que os seus atletas, é ele que precisa de um psicólogo em tempo integral, ou então vai soçobrar.

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2 Comments

  1. Cassiano Gobbet

    Meu caro Marco, na verdade, quem precisa de psicólogo é o Cuca. Mais ainda que seus atletas. O Fla é uma máquina de destruir pessoas. Lá, se ama ou se odeia om intensidade máxima. O carinho e a crueldade têm o mesmo tamanho. Quem não tem muita estrutura, desaba.

  2. Marco

    Eu concordo em partes com vc Cassiano.. acho o trabalho do Cuca no comando do Botafogo muito bom. o clube se arrastava a anos nas competiçoes, e se ele nao ganhou nenhuma, pelo menos devolveu a competitividade ao clube..o futuro dele no Fla é bastante imprevisivel, por conta da pressao que vc mencionou, mas por outro lado, e o unico clube carioca (quiça do Brasil) que possui psicologo, coisa que a “diretoria” do Bota sempre foi contraria.

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