A contratação de Ronaldo me surpreendeu, confesso. Não achava que o presidente do Corinthians, Andres Sanchez, fosse capaz de levar a cabo um plano astucioso de contratar um dos jogadores com mais exposição no mundo mesmo sem jogar há quase um ano. A diretoria do clube do Parque São Jorge me parece muito mais atenta à política interna e às declarações demagógicas. Mas enfim, ele vai para o Corinthians. E agora?

Minha primeira dúvida é: por que razão ele não assinou com o Flamengo? Se ele pensa na Seleção, como declarou em entrevista, o Flamengo é “o” clube: tem muito mais mídia do que Corinthians, São Paulo e um outro grande qualquer juntos; é na sua cidade; é seu clube de coração e politicamente, jogar bem no Fla vale 10 vezes mais do que jogar bem em qualquer outro lugar. “Mas no Fla a pressão é maior”. Mentira. Isso é uma coisa em que o Timão equipara-se ao Flamengo. Duas derrotas seguidas na Fazendinha são quase uma pena de morte.

Imediatamente, o que me vem à cabeça é: por que o Flamengo deixou Ronaldo escapar? E se foi Ronaldo que deu um boné no clube, porque fez isso? Será que se deu conta de problemas internos que nem a mídia percebe? O que haveria no Flamengo de tão nefando, de tão intransponível? A desculpa de que o Rio tem mais tentações é patética. São Paulo, para quem é famoso e rico, pode ser igualmente uma Sodoma.

Tecnicamente, eu diria o seguinte: se Ronaldo conseguir voltar a jogar, digamos com 50% do que podia fazer em 2002, será artilheiro do Brasileirão. PVC, no seu blog, anota que ele não joga sete partidas seguidas há quase cinco anos, mas o ritmo do futebol brasileiro é muito menor do que o europeu. Prova disso foi a longevidade quase tutancâmica de Romário que muito antes já não podia nem se aventurar em clubes de outros países. Ronaldo tem um problema físico que pode impedi-lo de jogar. Se ele conseguir jogar, um abraço. O Corinthians já tem pelo menos 20 gols no Brasileiro.