Turbo Inter e Juventus, mais Roma. Milan nos boxes aguardando. A primeira rodada do Italiano começou surpreendendo, mais com a ajuda do clima do que necessariamente de uma mostra de futebol similar entre todos os times.De qualquer maneira, a Inter, ainda que diante de um adversário seguramente frágil, fez sua parte e deu mostras de que tem um time, teoricamente, em condições de acabar com a fila.

O “teoricamente” cabe porque a Internazionale mostrou o mesmo poderio em outras edições da Série A e acabou naufragando. O grande destaque da rodada vai para uma Roma que viajou a um campo costumeiramente hostil e recolheu três pontos com galhardia. A Juve? Bem, a Juve fez o de sempre. Venceu, mesmo se não criou um frenesi no Delle Alpi. Mas são esses pontos que no final do campeonato acabam acumulando troféus em via Galileo Ferraris.

Inter-turbo; Treviso na lona

Certamente o pequeno estreante Treviso esperava melhor sorte na sua saída do ‘Scala del calcio’. Mas não deu. Com um Adriano ‘Globetrotter’ no melhor estilo Seleção Brasileira, a Inter convenceu na sua estréia numa temporada que é decisiva para Roberto Mancini. Sem um título de peso, certamente ele não começa outra temporada.

Com Figo e Solari finalmente dando a opção de jogada pelas laterais e sem a dúvida entre Vieri ou Adriano, a Inter liquidou o Treviso com um jogo muito fluido, associado a uma defesa sólida e a um meio-campo com um gestor, Pizarro (e depois, Verón).

A solidez da defesa ainda não pôde ser verificada, dada a fragilidade do Treviso, recém-construído para a Série A, mas é certo que o caminho é bom. Pode a Inter suportar pressão só com Cambiasso de volante? Favalli está à altura de segurar a onda na ‘maldita’ lateral-esquerda? Recoba será parceiro ideal de Adriano, ou só contra times menores. Estas e outras perguntas terão resposta nas próximas 37 rodadas.

Placar mínimo, pontuação máxima

Para se ter uma idéia da opacidade do jogo juventino diante do Chievo, a única nota 7 dada pela Gazzetta Dello Sportfoi para Trezeguet, autor do gol que garantiu os três pontos. Pouco? Talvez, mas certamente não surpreendente. O maquiavelismo juventino já deu as caras e avisou adversários que, com ou sem espetáculo, a Juventus está aí.

Qual o maior problema enfrentado pela esquadra ‘capelliana’? A inadequação à dupla Vieira-Emerson, ainda sem óleo nas articulações. Aos que já começam a cantar em prosa e verso a falência juventina, vale lembrar que Nedved também foi bem pichado quando chegou. Deu no que deu.

O grande obstáculo a ser enfrentado por Fabio Capello agora é saber quanto tempo Del Piero aceitará o banco sem criar um mafuá. É ano de Copa do Mundo e certamente o capitão do time não ficará quieto por muito mais tempo. Ibra-Trezeguet é a dupla de Capello na frente, com certeza. Como se sai dessa sinuca de bico? Não se sabe…

Dilúvio anti-milanista

Pensava-se que a corrida a três pela Série A certamente não teria um primeiro tropeço na primeira rodada. Depois de uma pré-temporada forte e bem feita, Inter, Juventus e Milan surgiam com o tanque cheio para estender a hegemonia logo de cara. Ao invés disso, uma chuva digna do quinto ato de Rigoletto (parafraseando Nelson Rodrigues) segurou um Milan que precisa mais do que ninguém de vitórias para esquecer a derrota de Istambul.

A verdadeira surpresa do final de semana foi mesmo o empate magro e misero do time de Kaká em Ascoli. O clube lombardo, leve e técnico, foi presa fácil depois de algemado pelo campo pesado. Nenhuma recriminação aosdonos da casa, que fizeram sua parte. Mas não fosse a enésima invenção de Shevchenko e agora o Milan ainda teria zero pontos.

Carlo Ancelotti poderia ter feito algo diferente com o elenco que tinha? Talvez, mas dificilmente poderia ter remodelado sua vantagem técnica. Podemos argumentar que Serginho, Kaká e Pirlo talvez pudessem ter perdido a vaga para Ambrosini, mas depois do resultado, tudo fica muito fácil.

Na sua primeira partida em casa, Ancelotti terá de apostar tudo contra um time sedicioso como o Siena. A recuperação é obrigatória e provavelmente o Milan deve fazer a primeira partida oficial com Cafu e Jankulovski a suporte de Kaká, num jogo excepcionalmente aberto pelas laterais. Qualquer resultado que não a vitória será arrasadora para o time, especialmente no moral.

Roma supeendente

Era de se esperar que a Roma não apresentasse tão cedo uma forma exemplar para aspirar a algo mais que uma vaga Uefa nesta temporada. Ledo engano. Ainda que prejudicada pela ausência e incerteza de Cassano, a Roma de Luciano Spaletti, comandada pelo capitão Totti, foi um belo exercício de futebol.

Bater a Reggina no Granillo não é simples, mas a Roma conseguiu graças a boas inserções pelas laterais. Com Mancini e Taddei bem soltos no meio-campo, o time de Trigoria se apoiou na solidez de Perrotta e De Rossi para dar liberdade a Totti. Kuffour e Chivu se revelaram uma escolha acertada no centro da defesa, bem cobertos por Panucci e – vejam só – Cufré, que até outro dia era tratado como um refugo total.

Bater a Reggina é prova suficiente da capacidade romanista de querer algo mais no campeonato? Claro que não, mas pelo menos sugere que o sufoco do ano passado está bem apagado e que nesta temporada, as chances do time são bem mais consistentes. Com um Totti nos seus padrões, a Roma será o incômodo inesperado nesta temporada.

– Esta coluna quer pedir desculpas aos leitores pelo atraso.

– Maldini não jogou contra o Ascoli e que ninguém se surpreenda se já nesta temporada o capitão diminua drasticamente a quantidade de jogos a serem disputados.

– O jogador se queixa de dores nos joelhos e confessou que considerou a aposentadoria.

– A somente duas partidas do recorde absoluto de jogos na Série A, é líquido e certo que o capitão ainda joga, mas a temporada que vem verá um novo capitão no Milan.

– O argentino Messi já em seu espaço garantido nos jornais esportivos da Itália, embora saiba-se que isso não é grande coisa.

– A Juve contratou o brasileiro Gladstone, reforço bem pouco esperado no Brasil e na Itália.

– A decisão de Pierluigi Collina em abandona a arbitragem ainda causa polêmica na Itália.

– O comentário é sobre como uma questão tão tola pôde privar o futebol de um juiz tão renomado.

– Collina tinha assinado um contrato com a mesma patrocinadora do Milan, criando uma celeuma.