Quando seu time anuncia que contratou, de graça, um jogador que vem de um time da segunda divisão de um país vizinho, time este que escapou do rebaixamento por bem pouco, o mais provável é que você não dê cambalhotas de alegria. Tudo bem, este é o comportamento mais adequado a um torcedor que tenha um mínimo de contato com a realidade.

Da mesma maneira reagiram os torcedores do Perugia quando souberam que o time umbro tinha acabado de assinar um vínculo de três anos com o atacante Jay Bothroyd, 21 anos, liberado pelo modesto Coventry City, da First Division inglesa (que é, na verdade, a segunda divisão).

Em que pese o retrospecto negativo, “The Snake” (“A Cobra”) chegou arrepiando no clube da cidade italiana. Estreou com gol contra os finlandeses do Alianssi, pela Copa Intertoto, repetiu a dose na final, contra o Wolfsburg do badalado Andrés D’Alessandro, assegurando ao Perugia uma valiosa vaga na Copa UEFA. E para reafirmar seus dotes, estreou também no campeonato com gol, marcando contra o estreante Siena.

Na Itália, todos passaram a se perguntar: “mas quem é este cara”? A dúvida é bem fundamentada. A custo zero, hoje em dia, nem ex-jogador em atividade. Mas a verdade é que o clube da Umbria mostrou mais uma vez que, com bons olheiros e um pouco de atenção, dá para arrumar reforços consistentes, sem gastar dinheiro, uma constante no clube nos últimos quatro anos.

Bothroyd começou a jogar bola no tradicionalíssimo Queen’s Park Rangers, da capital inglesa, Londres, onde nasceu. Com 13 anos, foi levado ao Arsenal, onde passou pelas divisões de base sempre chamando a atenção pela refinada técnica. Mas infelizmente, não só por isso. Bothroyd, segundo dizem as más línguas, não é o genro que você pediu a Deus. Assim, a promessa que fazia partidaças pelas seleções britânicas inferiores ia ganhando a fama de “eterna promessa”.

O Arsenal, crente que estava com uma bomba, tratou de se livrar de Bothroyd assim que pôde. E quando recebeu uma oferta de US$ 2 milhões pelo atacante de então 18 anos, em 2000, não titubeou. E lá foi Bothroyd para o Coventry City, então um time de primeira divisão. E com ele, a fama de encrenqueiro, relaxado… e talentoso.

Nos seus três anos de Coventry, Bothroyd ganhou o apelido de “Cobra”, pela sua agilidade, mas também a fama de “vagabundo”, por um gosto exacerbado pela noite. Por isso, mesmo tendo sido o artilheiro do time na temporada 2002/3, o técnico-jogador Gary McAllister, resolveu não renovar seu contrato, argumentando que precisava de um jogador de caracterîsticas diferentes. Com este ‘background’, a torcida do Perugia já pensou: ‘lá vem mais um cachaceiro come-dorme’…

Só que a performance de “Snake” Bothroyd até aqui é digna de craque. Com 1m90 e 95 kg, o atacante é centroavante à moda antiga: protege bem a bola, chuta bem e é ótimo no jogo aéreo. Em suma: tem todos os requisitos básicos para um bom marcador de gols.

Levando-se em conta o valor de seu passe (zero), o valor de seu salário (cerca de US$ 200 mil por ano) e o futebol apresentado até aqui, ‘Snakeroyd’ vai engrossando a coleção de ‘descobertas’ do Perugia de Serse Cosmi, que já tinha revelado e vendido Liverani, Blasi, Bazzani, Dellas e Di Loreto, entre outros. Para o próprio técnico Cosmi, Bothroyd não fica no Perugia mais de um ano.

Resta saber se ele sairá do clube pelas suas virtudes ou defeitos.

Jay Bothroyd

Data de nascimento: 07/maio/1982

Cidade de nascimento: Islington, norte de Londres, UK

Clubes em que atuou:

1994/5 – Queen’s Park Rangers

1995-2000- Arsenal

2000-2003 – Coventry City

2003 – Perugia (ITA)

Jogos pela Seleção Inglesa – 0

Gols pela Seleção Inglesa – 0

Site oficial:

http://www.icons.com/bothroyd/?playerbyclub=%2Fbothroyd%2F