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Um técnico trabalhando

Pasquale Marino é um dos técnicos italianos que me surpreendeu recentemente. Primeiro, ele apareceu para a Série A num Catania que eu tinha certeza que ia cair, depois de uma boa campanha no Arezzo. Não só não caiu como plantou as bases para uma permanência dos etnei na Série A. Depois, fez a Udinese jogar realmente bem por um tempo e confirmou Di Natale como um goleador nato (algo que antes não acontecia, com o legítimo Totó jogando como externo direito, longe do gol, desde os tempos do Empoli). Agora, está acertando o Parma (ou pelo menos deu sinais disso) passo a passo, sem contratações nem mudança de esquema. É definitivamente um treinador trabalhando.

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Apresentação da temporada – Parte III

FIORENTINA

Nome do Clube:Associazione Calcio Florentia Viola e Fiorentina.
Estádio: Artemio Franchi (47.232 pessoas).
Principal jogador: Adrian Mutu (atacante).
Fique de olho: Zdravko Kuzmanovic (meia-atacante).
Competição continental que disputa: Copa Uefa
Contratações: Jan Hable (volante, Hradec – TCH), Vanden Borre (defensor, Anderlecht – BEL), Balzaretti (defensor, Juventus), Mazuch (meio-campista, Brno – TCH), Semioli (meio-campista, Chievo), Lupoli (atacante, Arsenal – ING), Matavz (atacante, Nova Gorica – ESL), Vieri (atacante, Atalanta).
Quem saiu: Brivio (defensor, Atalanta), Toni (Bayern de Munique – ALE), Pettinari (meio-campista, Reggina), Reginaldo (atacante, Parma), Blasi (meio-campista, Juventus).
Técnico: Cesare Prandelli.
Objetivo na temporada: vaga na Liga dos Campeões.

Com um time engrenado e que contrata a 3 x 4, a Fiorentina só não sai direto pela luta pelo título por causa da forte concorrência. Isso à parte, é de se esperar do time ‘viola’ que não só ocupe as colocações de ponta como também jogue um futebol de qualidade, com a marcação aliada à técnica.

Cesare Prandelli, um dos melhores treinadores italianos em circulação, parte para a temporada com uma defesa muito segura, comandada pelo ótimo Frey no gol e pela zaga Dainelli-Gamberini. O técnico usa o tcecho Ujfalusi pela direita dando liberdade a Pasqual para avançar pela esquerda. Nesse caso, a defesa fica com três homens mas não perde eficiência.

No meio, Prandelli mantém um volante de contenção, mas o segundo homem normalmente é mais habilidoso. A sacada é possível porque o time joga só com Pazzini na área e cinco meio-campistas. Donadel é o volante fixo, atrás de Montolivo e Mutu, com Santana e Semioli pelas laterais.

“Então quer dizer que a Fiorentina não pode lutar pelo título?”. Pode sim, claro. Só que ainda tem um elenco abaixo do ‘primeiro time’ italiano. Com uma seqüência sem contusões e sem atropelos na Uefa, não será milagre vermos o time ‘viola’ novamente brigando pela ponta.

EMPOLI

Nome do Clube: Empoli Football Club SpA
Estádio: Carlo Castellani (19.847 pessoas).
Principal jogador: Antonio Buscé (meio-campista).
Fique de olho: Sebastian Giovinco (atacante).
Competição continental que disputa: Copa Uefa.
Contratações: Piccolo (defensor, Juventus), Abate (meio-campista, Modena), Marchisio (meio-campista, Juventus), Antonini (meio-campista, Siena), Giacomazzi (meio-campista, Lecce), Giovinco (atacante, Juve), Volpato (atacante, Arezzo).
Quem saiu: Lucchini (defensor, Sampdoria), Almiron (meio-campista, Juventus), Matteini (atacante, Palermo), Ficini (meio-campista).
Técnico: Luigi Cagni.
Objetivo na temporada: ficar na metade de cima da tabela.

Não há nenhum time italiano que tenha feito uma campanha mais impressionante do que o Empoli. O pequeno time toscano teve longos períodos sem perder e sem nenhum jogador de relevo, conseguiu apresentar um jogo coletivo muito eficiente – além de quase todo italiano. Agora, sem Almirón, Lucchini e Matteini, precisa repetir a dose com um complicador: a Copa Uefa, que pela primeira vez terá jogos no Carlo Castellani.

O Empoli se baseia num time de forte marcação e contra-ataque. Além da sólida defesa Raggi-Adani-Marzoratti-Tosto, toda ela experiente e firme, o time se vale de dois volantes que fazem um ferrolho à frente da defesa. Almirón, Luigi Cagni deve usar Marianini e Marchisio . A dúvida está em saber se Marchisio – mais meia do que Almirón – estará apto para o jogo cavocado do Empoli. Os armadores, Buscé, Giacomazzi e Vannucchi se revezam entre armação e ataque, para apoiar Saudati ou Pozzi.

O problema que o Empoli terá na temporada é gerenciar suas forças para a Série A juntamente com a Copa Uefa. Times pequenos que jogam em competições européias acabam se fatigando por terem elenco curto – o que faz com que eles corram risco também nas zonas de rebaixamento domésticas.

ATALANTA

Nome do Clube: Atalanta Bergamasca Calcio SpA
Estádio: Atleti Azzurri D’Italia (26.638 pessoas).
Principal jogador: Cristiano Doni (meio-campista).
Fique de olho: Pablo Osvaldo (atacante).
Competição continental que disputa: nenhuma
Contratações: Forsyth (goleiro, Alianza Lima – PER), Coppola (goleiro, Piacenza), De Ascentis (meio-campista, Torino), Lazzari (meio-campista, Piacenza), Guarente (meio-campista, Verona), Padoin (defensor/volante, Vicenza), Muslimovic (atacante, Parma), Osvaldo (atacante, Lecce), Langella (atacante, Cagliari), Floccari (atacante, Messina).
Quem saiu: Calderoni (goleiro, Treviso), Brivio (defensor, Vicenza), Loria (defensor, Siena), Conteh (defensor, AlbinoLeffe), Ariatti (meio-campista, Lecce), Migliaccio (meio-campista, Palermo), Donati (meio-campista, Celtic – ESC), Ventola (atacante, Torino), Vieri (atacante, Fiorentina.), Bombardini (atacante, Bologna).
Técnico: Luigi Del Neri.
Objetivo na temporada: Evitar o rebaixamento.

Mais uma vez a Atalanta parte para uma Série A confiando nos recursos que tira de seu maior trunfo: a melhor divisão de base da Europa. Sem o ótimo técnico Stefano Colantuono (que foi para o Palermo), os bergamascos levaram outro ótimo nome para a Lombardia, Luigi Del Neri, que quer se recobrar de experiências ruins – incluindo o rebaixamento de seu Chievo.

Del Neri é um pregador de um futebol muito fluido e ofensivo, usando bastante as descidas dos alas, aplicando a linha de impedimento e a impostação de uma defesa mais estática. Em compensação, nenhum dos meio-campistas é exatamente um volante, porque a marcação fica dividida entre todo mundo. O brasileiro Adriano, por exemplo, chega muito à linha de fundo, assim como Langella, já que os laterais Rivalta e Bellini seguram a onda na retaguarda.

Não se sabe direito como Cristiano Doni, o astro atalantino, fica no clube. O seu começo de temporada foi conturbado por causa de uma renovação de contrato e ninguém se surpreenderia em vê-lo deixando Bérgamo. Com ele, Del Neri postaria um atacante (Zampagna) na área; sem ele, o técnico usaria seu amado 4-4-2.

SAMPDORIA

Nome do Clube: Unione Calcio Sampdoria SpA.
Estádio: Luigi Ferraris “Marassi”(41.917 pessoas).
Principal jogador: Vincenzo Montella (atacante).
Fique de olho: Vladimir Koman (meio-campista).
Competição continental que disputa: Copa Uefa.
Contratações: Mirante (goleiro, Juventus), Lucchini (defensor, Empoli), Campagnaro (defensor, Piacenza), Gastaldello (defensor, Siena), Poli (meio-campista, Treviso), Eramo (meio-campista, Bari), Sammarco (meio-campista, Chievo), Bonanni (meio-campista, Ascoli), Bellucci (atacante, Bologna), Caracciolo (atacante, Palermo), Montella (atacante, Fulham – ING), Kalu (atacante, Chiasso – SUI).
Quem saiu: Falcone (defensor, Parma), Terlizzi (defensor, Catania), Parola (meio-campista, Cagliari), Olivera (meio-campista, Juventus), Soddimo (meio-campista, Cremonese), Quagliarella (atacante, Udinese), Bazzani (atacante, Brescia), Romeo (atacante, Legnano).
Técnico: Walter Mazzarri.
Objetivo na temporada: vaga na Copa Uefa.

Estavelmente colocada entre as equipes medianas da Série A, a Sampdoria quer agora começar a se atrever entre os clubes que tentam vaga na Liga dos Campeões. Com um projeto que privilegia jogadores italianos, para tanto, a Samp levou para Genova o treinador Walter Mazzarri, que salvou a Reggina com ‘Calciocaos’ e tudo.

Do provável time titular de Mazzarri, somente o ala suíço Ziegler é que não é italiano. Mazzarri deve usar o mesmo esquema que usava na Reggina, com uma defesa a três (Lucchini, Sala e Accardi ou Zenoni), Maggio e Ziegler pelas alas e Palombo e Volpi na armação. O ataque terá praticamente um trio ofensivo, com Montella e Bellucci (ou Cassano, se ele for contratado) atrás do centroavante Caracciolo, que precisa confirmar que é mais do que uma promessa.

Sem Quagliarella (comprado pela Udinese), a Sampdoria deve ter opções suficientes no ataque para não lamentar a saída do atacante-sensação da Itália. Mesmo com vários jogadores de qualidade (Delvecchio, Volpi, Palombo, Pieri), falta à Samp o homem que decide sozinho. Caso chegasse Cassano – e ele estivesse com menos de 200 kg – talvez o problema estivesse resolvido.

UDINESE

Nome do Clube: Udinese Calcio SpA.
Estádio: Friuli (41.652 pessoas).
Principal jogador: Fabio Quagliarella (atacante).
Fique de olho: Mauricio Isla (meio-campista).
Competição continental que disputa: nenhuma.
Contratações: Chimenti (goleiro, Cagliari), Handanovic (goleiro, Rimini), Micolucci (defensor, Bari), Ferronetti (defensor, Parma), Mesto (meio-campista, Reggina), Boudianski (meio-campista, Ascoli), Inler (meio-campista, Zurique – SUI), Candreva (meio-campista, Ternana), Floro Flores (atacante, Arezzo), Quagliarella (atacante, Sampdoria), Pepe (atacante, Cagliari), Sforzini (atacante, Modena), Goitom (atacante, Murcia – ESP)
Quem saiu: De Sanctis (goleiro, Siviglia), Natali (defensor, Torino), Muntari (meio-campista, Portsmouth – ING), e Paolucci (meio-campista, Prato), Montiel (meio-campista, Reggina), D. Zenoni (meio-campista, Parma), Barreto (atacante, Treviso), Iaquinta (atacante, Juventus), Buonocunto (atacante, Prato).
Técnico: Pasquale Marino.
Objetivo na temporada: vaga na Copa Uefa.

A vocação de entreposto de jogadores não foi esquecida nesta temporada pela Udinese, clube que mesmo com um porte modesto, consegue se manter na parte de cima da tabela da Série A há alguns anos. Nesta temporada, com técnico novo, o grande trunfo da Udinese é Quagliarella, o atacante que foi surrupiado da Sampdoria por €10 milhões. O clube perdeu nomes importantes, como De Sanctis, Muntari, Iaquinta e Damiano Zenoni. Mas além de Quagliarella, fez um mercado de verão importante e tem tudo para um campeonato respeitável.

Marino, dada a abundância de avantes, deve usar um 4-3-3 com dois pontas abertos. Di Natale e Quagliarella ocupariam as laterais e Floro Flores ficaria mais fixo. O esquema dependerá muito da capacidade de armação dos volantes (Pinzi, De Martino, D’Agostino, Sivok). Teoricamente todos eles têm condição de fazer esse papel, mas num esquema volátil como o 4-3-3, qualquer previsão fica arriscada.

O bósnio Handanovic tem a ingrata missão de substituir De Sanctis. Na sua frente, uma boa linha defensiva (Mesto-Coda (ou Zapotocny)-Zapata-Felipe) levanta boas perspectivas. Se há uma dúvida, é em relação a como o técnico Marino, que chega à Udine vindo do Catania, se comportará num clube maior. Tradução: para se dar bem, Marino tem de chegar falando grosso.

Hecatombe

Muito provavelmente o internauta tem acompanhado o escândalo no futebol italiano e já se deu conta que é algo grande, mas esta coluna fará nesta semana uma pequena observação. Não é algo grande. Estamos assistindo o maior escândalo na história do futebol mundial em todos os tempos. E não se trata de exagero.

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