Champions League – oitavas de final: Monaco 3×1 Manchester City – o duelo tático

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Nesta última quarta-feira Monaco e Manchester City se enfrentaram em partida de volta válida pelas oitavas de final da Champions League. A equipe monagesca obteve uma vitória por 3×1, assim conseguindo a vaga para as quartas de final.

A contagem no placar era necessária pois o time do Principado de Mônaco acabou derrotado por 5×3, no jogo de ida ocorrido em Manchester (Inglaterra). O placar agregado 6×6 deu vantagem ao Monaco devido a regra do gol qualificado.

O time que representa o futebol francês anotou 3 gols fora, ao passo que os ingleses obtiveram apenas 1 gol como visitante.

Monaco

A equipe do treinador Leonardo Jardim chama atenção pelo número recorde de gols anotados na temporada (104 somadas 4 competições), o maior dentre todas as ligas europeias. Jardim mandou a campo alinhamento com Subasic, Sidibe, Raggi, Jemerson e Mendy. Fabinho, Bakayoko, Lemar e Bernardo Silva. Germain e Mbappé.

O desenho tático proposto pelo técnico lusitano não apresenta nada de mirabolante, desenvolvendo-se num 4-4-2 convencional. Entretanto Jardim tem ordenado jogo ofensivo incessante quando o Monaco atua dentro do Principado, ou contra um adversário sabidamente menos qualificado.

No que diz respeito a escalação, Jardim priorizou a titularidade do ídolo colombiano Falcao Garcia no comando de ataque da partida de ida. Mesmo com dois gols anotados no Etihad Stadium, Falcao não foi relacionado nesta partida de volta, por simples opção do treinador.

O primeiro gol saiu aos 8 min pelo flanco esquerdo do ataque monagesco. Mendy avançou e após finalização cortada pelo adversário a bola sobrou para Bernardo Silva. O meia português cruzou para o Kylian Mbappé completar e abrir o placar.

21 min depois em nova jogada pelo flanco esquerdo de seu próprio ataque, o Monaco chegou ao segundo gol. Mendy novamente foi até a linha de fundo e cruzou, agora para o brasileiro Fabinho finalizar e ampliar para 2×0.

Na segunda etapa o City tomou as ações mas sem grande efetividade. O Monaco sofreu o gol citzen de Leroy Sané aos 77 min configurando o 2×1, resultado que tirava a classificação dos monagescos. Seis minutos depois Bakayoko de cabeça anotou o gol da vitória, aproveitando cobrança de falta de falta de Lemar.

O Monaco jogou no contra-golpe de forma extremamente pragmática, mantendo apenas 42% do total posse de bola. Porém finalizou mais e com mais precisão que o City. Foram 8 finalizações em gol, das quais 7 de fato foram em gol (3 convertidas). Das 6 finalizações citzens apenas 4 foram em gol.

A visão de futebol de Leonardo Jardim alia simplicidade, sagacidade para enxergar os defeitos táticos do City (espaços deixados nos flancos, fragilidade na bola aérea), além de ausência total de covardia. Defende-se por necessidade, mas quando se tem a bola, busca-se o gol de forma objetiva.

Manchester City

Com a boa vantagem de 5 gols obtidos na partida de ida, Pep Guardiola mandou os citzens a campo com Caballero, Sagna, Stones, Kolarov e Clichy. Fernandinho, De Bruyne, Sterling, Sané e David Silva, Agüero. O módulo tático apresentava variação do 4-2-3-1 para o 3-4-3.

Pep Guardiola no Principado (Kieran McManus/BPI)

Pep Guardiola no Principado (Kieran McManus/BPI)

Porém Guardiola insistiu no uso de três laterais de origem formando a linha de defesa, sem um volante que ficasse mais fixo à frente desta linha defensiva. Quando a variação da linha de 4 defensores para 3 ocorria, os adversários entravam pelos flancos.

A situação ocorreu nos dois primeiros gols impostos pelo Monaco. Com a lacuna que Bacary Sagna deixava quando se projetava à frente, não raro o zagueiro John Stones saía no primeiro combate. Na sobra tinham-se dois laterais (Kolarov/Clichy) e nenhum defensor de origem para desarmar.

Sem zagueiros de área dotados de força física e alta estatura, o sistema defensivo se torna vulnerável a jogadas aéreas. Laterais não estão habituados a utilizar o fundamento do cabeceio. O terceiro gol monagesco surgiu de cabeça, em jogada de bola parada.

O gol do City surgiu na segunda etapa com a equipe já perdendo por 2×0, e não surgiu oriundo de grande jogada ofensiva. Sané aproveitou bola que Raheem Sterling finalizou a longa distância, a qual acabou rebatida pelo goleiro Subasic.

Guardiola teve a amplitude de posse de bola do seu Guardiola way (58% – todos os dados segundo o Guardian), mais uma vez reduzida a tempo posse de bola inútil. Algo que outros times limitados da Premier League inglesa, também já conseguiram fazer durante a presente temporada.

Mais uma vez ressaltamos aqui. A melhor apresentação do City de Guardiola se deu na vitória por 3×1 sobre o Barcelona, ainda na fase de grupos desta CL. Na ocasião, o treinador utilizou defensores natos na zaga (Stones/Otamendi) e um meio-campista de força física (Gündogan, indisponível por lesão).

O Monaco aguarda o sorteio dos confrontos das quartas de final da Champions League, sorteio que será realizado pela UEFA nesta sexta-feira.

Imagem de Bakayoko (a esquerda) cabeceando bola do gol da vitória: Pascal Guyot/AFP-Getty.