Nesta quarta-feira Atlético de Madrid e FC Bayern realizaram a segunda partida de ida, das semi-finais da Champions League. Os colchoneros receberam os bávaros no Vicente Calderón (Madrid/Espanha), envolveram a equipe de Pep Guardiola e obtiveram a vitória pelo placar mínimo.

Atlético de Madrid.

Como temos observado aqui neste espaço já a alguns meses, Atlético de Madrid e Bayern apresentam desenhos táticos similares, que possibilitam a variação 4-2-3-1/4-1-4-1. Porém os times possuem estilos antagônicos, sendo os colchoneros mais defensivos e os bávaros propositadamente ofensivistas.

O treinador rojiblanco Diego Simeone alinhou o time com Oblak, Juanfran, Giménez, Savić e Filipe Luís. Gabi, Augusto, Saúl Ñíguez e Koke. Griezmann e Fernando Torres. Para os padrões do “Atléti” foi uma escalação até ofensiva, uma vez que “cholo” Simeone optou por uma dupla de ataque (Torres/Griezmann).

O desenho em 4-4-2 era possível. Porém a ocupação de espaços colchonera foi exemplar, na primeira etapa proporcionando a marcação alta com os módulos 4-2-3-1/4-1-4-1. Com um gol anotado por Saúl em 11 minutos de partida e tempo de vantagem se estendendo, Simeone propôs o que seu time faz de melhor: dar a bola ao adversário, roubá-la e sair nos contra-ataques.

Na segunda etapa o time passou a atuar em seu próprio campo de defesa, praticamente num 4-5-1. A situação foi deixando a equipe do Bayern tensa e sem opções criativas, seu atletas de ataque passaram a arriscar finalizações a longa distância. Em contraparte, o goleiro Oblak realizou grande apresentação. O Bayern cometeu 12 faltas (contra 7 do “Atléti”). Três de seus atletas (Neuer, Vidal, Costa) tomaram cartões amarelos (contra apenas um do “Atléti”).

Gabi e Augusto fizeram-se intransponíveis à frente da linha de defesa. O miolo de zaga mostrou-se seguro com o retorno do jovem uruguaio Giménez, formando dupla com o montenegrino Savić. A equipe não dispôs do titularíssimo Diego Godín, vetado por problemas físicos.

No levantamento feito pelo jornal espanhol El País, o “Atléti” recuperou 70 bolas, contra 67 do Bayern. Jogar no contra-ataque é parte da filosofia futebolística colchonera. O Atlético venceu ostentando apenas 24% do tempo total de posse de bola. Conseguiu transformar os 76% de posse de bola do Bayern, em tempo inútil de bola rolando.

FC Bayern.

O técnico catalão Josep Guardiola, por vezes proporciona opções e escalações pouco compreensíveis. O treinador alinhou Neuer, Lahm, Javi Martínez, Alaba e Bernat. Alonso, Vidal e Thiago Alcântara, Douglas Costa, Kingsley Coman e Lewandowski. O desenho tático era a variação 4-2-3-1/4-1-4-1

Guardiola optou pelos atletas de ataque mais físicos, deixando Riberý e Thomas Müller no banco de reservas. A princípio seu plano de jogo fazia sentido. Por outro lado, a insistência em não escalar zagueiros de área natos da função, pôs tudo a perder. Martínez é volante e Alaba é lateral-esquerdo.

Ambos corriam o tempo todo de costas para a bola, quando o “Atléti” lançava o esférico em profundidade para Griezmann ou Torres. Zagueiros de área geralmente ficam de frente para bola. Guardiola lida sim com problemas físicos dos zagueiros Badstuber e Boateng.

Mas faz-se minimamente incompreensível a alteração aos 76 min, quando o time perdendo por 1×0 desde os 11 min, teve o lat. esquerdo Juan Bernat, substituído pelo zagueiro de ofício Benatia. Alaba deslocou-se para a lateral-esquerda e Benatia ocupou a quarta zaga.

O gol colchonero saiu numa falha bávara ocorrida exatamente no setor esquerdo de sua defesa. Em apenas 11 min de partida, o “Atléti” teve duas boas chances com Fernando Torres e no décimo primeiro minuto de jogo, com Saúl, que fez grande jogada individual que resultou no gol da vitória.

Segundo El País, 43% das jogadas de ataque do Atlético aconteceram pelo lado direito, lado esquerdo da defesa bávara. O setor de fato, era o mais vulnerável. Os outros 35% das jogadas de ataque colchoneras ocorreram pela esquerda, com 22% pelo centro.

Na partida de volta que acontece na Alemanha, já na próxima semana, o Atlético avança com um empate sem gols.

Imagem de Saúl (ao centro) no lance do gol: Claudio Alvarez