Na última terça-feira, Manchester City e Real Madrid fizeram a primeira partida de ida das semi-finais da Champions League. Os citzens receberam os merengues em Manchester (Inglaterra), em certame que a princípio, devido aos elencos qualificados, teria tudo para ser um grande embate.

Não o foi, devido a problemas físicos que vetaram inesperadamente Cristiano Ronaldo (Real Madrid) e tiraram de campo durante o jogo atletas de ambos os lados. A partida acabou num empate sem gols.

Manchester City.

O treinador chileno Manuel Pellegrini dispôs em campo Joe Hart, Sagna, Kompany, Otamendi e Clichy. Fernando, Fernandinho, Jesus Navas, De Bruyne e David Silva. Agüero. O desenho tático se deu num 4-2-3-1 padrão. A surpresa foi o retorno do zagueiro/capitão Kompany, que até a véspera do jogo era dúvida.

Muitos acusaram o City de abusar da cautela, mas o estilo de jogo proposto por Pellegrini é o de sair em contra-ataques, explorando a transição rápida pelos lados do campo, com Silva e Navas pelos lados esquerdo e direito respectivamente. O brasileiro Fernandinho é outro elemento ofensivo importante, oferecendo saída de bola pelo centro.

O setor ofensivo citzen tornou-se “manco” exatamente aos 41 min, quando o subestimado David Silva deixou o campo sentindo lesão muscular. O trabalho tático do meia-atacante espanhol compreende a composição de meio-campo, quando o time perde a bola.

Silva e De Bruyne flutuam entre meio-campo e ataque, podendo tornar o módulo tático citzen em 4-4-2 ou 4-3-3. Com Silva, De Bruyne tem mais liberdade para entrar na área e atuar como segundo atacante. David Silva foi substituído pelo jovem nigeriano Iheanacho (19 anos). De Bruyne consequentemente passou a avançar menos.

Segundo levantamento feito pelo periódico espanhol El País, 45% das jogadas ofensivas citzens, aconteceram pelo lado esquerdo de seu ataque, setor onde David Silva joga. 36% das jogadas de ataque fluem pela direita e 19% pelo centro. David Silva é sim, a principal referência ofensiva do time.

Com sua defesa titular e goleiro (Hart) em momento esplendoroso, o Manchester City mostrou-se seguro na defesa, de fato não sofrendo gols. David Silva é um dos atletas mais técnicos e completos da Espanha, em seu ciclo vencedor que compreendeu as EURO’s 2008, 2012 e Mundial 2010.

Ex-Valencia, David Silva é subestimado por não ter sido revelado pelo Barcelona, e por nunca ter jogado no Real Madrid.

Real Madrid.

O treinador blanco Zinedine Zidane seguiu mostrando sua inexperiência na função, desde antes da partida começar. Cristiano Ronaldo viajou com o grupo, mas foi vetado pelo departamento médico. Zizou escalou o time com Navas, Carvajal, Sérgio Ramos, Pepe e Marcelo. Casemiro, Modrić, Kroos e Lucas Vásquez. Bale e Benzema.

Sim, Zizou deu titularidade a Lucas Vásquez, suprindo a lacuna de CR7, relegando James Rodríguez e Isco ao banco de reservas. O desenho tático era um 4-4-2. O sistema defensivo blanco não demonstrou falhas, numa partida titânica por parte do zagueiro luso/brasileiro Pepe, no aspecto defensivo.

Porém, os 52% de posse de bola merengues representaram uma retenção de bola sem objetividade. O panorama piorou quando Benzema, que era dúvida para o confronto, deixou a partida na transição da primeira para a segunda etapa. Foi substituído por Jesé. O Real Madrid perdeu a referência na área.

Zidane poderia ter solucionado os desfalques físicos com Isco e James Rodríguez. O primeiro poderia ser centralizado, na linha de 3 meias de uma variação tática que Zizou despreza, o 4-2-3-1. James poderia ser adiantado para atuar como atacante de área. Mentalmente o colombiano está a anos luz da dupla Vásquez/Jesé, no quesito jogar partidas decisivas.

Mesmo com tantos problemas no setor de ataque, “el Madrid” finalizou mais, 13 vezes contra 4 finalizações dos citzens.

Na partida de volta que acontecerá em Madrid (Espanha), só a vitória interessa ao Real Madrid. O Manchester City pode avançar com um empate com gols.

Imagem de Bale (a esquerda) e David Silva: Jason Cairnduff – Reuters