O espanhol Valencia inicia na próxima quarta-feira a temporada 2015/2016, jogando a partida de ida dos playoffs da Champions League. Os “ches” jogarão contra o Monaco (monagesco que representa a Ligue 1 francesa), a possibilidade de serem inclusos na fase de grupos, da maior competição de clubes europeia.

Em meio a isso a imprensa espanhola chama atenção para a ausência de nomes relevantes, que poderiam ser contratados pela diretoria “che” para compor o elenco. Mais do que isso, os espanhóis parecem avaliar de forma menosprezadora a gestão de Peter Lim, magnata de Singapura e atual dono do clube.

Lim é retratado como um milionário brincando de ser dono de um grande clube europeu. No aspecto futebolístico, ressalta-se uma pré-temporada pouco empolgante. O Valencia derrotado por 3×1 pela italiana Roma na disputa do Troféu Naranja. Os italianos consequentemente disputaram o Troféu Joan Gamper, vencido pelo Barcelona.

No que diz respeito à tradição, o Valencia é hexacampeão espanhol e heptacampeão da Copa Del Rey. Tem entre seus ídolos eternos o mítico atacante argentino Mario Kempes. O clube possui grande relevância continental, tendo sido por duas vezes vice-campeão da Champions League, por duas temporadas consecutivas (1999/2000 e 2000/2001).

Foi ainda campeão da Taça UEFA (hoje Europa League) na temporada 2003/2004. Sua relevância continental é por exemplo, superior à do inglês Manchester City ou à do francês Paris Saint-Germain, equipes adquiridas por gestores milionários recentemente.

Negócio da China ou de Singapura?

Pouco antes da equipe terminar a última liga espanhola em quarto lugar, garantindo direito ao playoff da CL, Lim ocasionou a eliminação dos gestores antigos do clube. O ex-presidente executivo Amadeo Salvo e o ex-diretor esportivo e antigo ídolo Rufete, que pouco a pouco tiveram minados os seus prestígios. Isso desde que Lim adquiriu o clube, há praticamente um ano.

Basicamente, Lim gere o Valencia junto a seu sócio e empresário de atletas Jorge Mendes, também agente de Cristiano Ronaldo (Real Madrid). A presença do atual treinador lusitano Nuno Espirito Santo, se dá por imposição da dupla. De fato, os atletas que até agora foram adquiridos ou adquiridos em definitivo pelo Valencia, não criam grande alvoroço. O atacante Álvaro Negredo que já estava no clube, foi comprado em definitivo por 28 milhões de Euros, pagos ao Manchester City.

O meia espanhol Rodrigo chegou do lusitano Benfica custando 30 milhões de Euros, tal qual o meia-atacante português André Gomes, que por sua vez custou 15 milhões. O periódico espanhol El Pais suspeita que Jorge Mendes lucrou um bom valor em comissão, referente à compra de Rodrigo. O El País ainda questiona se Negredo e Rodrigo juntos, justificam quase 60 milhões de Euros.

Coloca como contraponto na balança as aquisições de Mustafi e Otamendi, antes da última temporada se iniciar. Ambos os defensores foram adquiridos por Amadeo Salvo, custando juntos algo em torno de 20 milhões de Euros. O alemão Mustafi integrou o Nationalelf tetracampeão Mundial em 2014. O argentino Otamendi foi rapidamente equiparado pela torcida “che” ao antigo ídolo, Roberto Ayala.

O ex-defensor argentino também deixou a comissão técnica, após as saídas de Salvo e Rufete. Neste momento Otamendi declaradamente deseja sair, o que gera retaliações por parte da torcida. O zagueiro argentino tem sido abordado pelos ingleses de Manchester, cortejado por ofertas por seu futebol, cujos valores chegam próximos aos 50 milhões de Euros.

Elenco modesto.

Na contramão de uma provável saída de Otamendi, restariam poucos nomes expressivos no elenco “che”. O citado Mustafi deve seguir, tal qual o meia-atacante argelino Sofiane Feghouli, além do atacante espanhol Paco Alcácer e do meia/volante argentino Enzo Pérez, figura frequente em sua seleção. Todos eles aguardam a recuperação física do goleiro brasileiro e ídolo, Diego Alves.

Dentre outras aquisições, há mais algumas pouco expressivas. O jovem goleiro australiano Mathew Ryan chegou intencionando uma suplência do citado Diego Alves, que se recupera da lesão que o tirou da Copa América. O belga Zakaria Bakkali é uma aposta ofensiva de apenas 19 anos, vindo do holandês PSV Eindhoven.

O clube gastou 25 milhões de Euros pelo meio-campista brasileiro (e semi-anônimo) Danilo Barbosa (15 milhões, ex-Sporting Braga/Portugal), mais o atacante espanhol Santi Mina (10 milhões, ex-Celta/Espanha), também com apenas 19 anos. Ambos são agenciados por Jorge Mendes.

O El País descreve o atual staff administrativo do Valencia tendo Peter Lim acima de todos e abaixo Layhoon Chan, uma presidenta executiva. Isso além de Jorge Mendes e o técnico Nuno Espirito Santo, enquanto responsáveis totais pela direção futebolística. A comissão técnica perdeu o ídolo Ayala, em contraparte admitindo o ex-jogador inglês Phil Neville, ex-Manchester United e Manchester City.

O espírito do valencianismo se esvai de forma melancólica. Valencianismo este rebaixado por uma gestão que parece pouco atenta a aspirações grandiosas, em caso de êxito nos playoffs da CL. O Valencia está se tornando o que no Brasil se denomina pejorativamente enquanto “time de empresários”.

A partida de ida do playoff da Champions League a ser disputada entre Valencia x Monaco, será exibida no Brasil pela Band. A partida acontece na próxima quarta-feira às 15:30 hr (horário de Brasília).

Imagem de Paco Alcácer (de branco) em amistoso contra o Colônia: Cristof Koepsel – Getty