Através de suas mídias digitais oficiais o clube francês Paris Saint-Germain notificou na última quarta-feira, a contratação de dois reforços brasileiros mas para sua equipe de futebol feminino. São elas a artilheira Cristiane e a defensora Érika.

A veterana Cristiane (30 anos) firmou vínculo por uma temporada, confirmando assim seu retorno ao futebol feminino europeu. Anteriormente, Cristiane teve passagens pelo futebol alemão, sueco e russo. Além de Cristiane, a zagueira Érika (27 anos) também foi contratada pelo PSG, tendo a defensora firmado vínculo por duas temporadas.

Tanto Érika quanto Cristiane integraram a equipe brasileira de futebol feminino, mantida quase que em sua totalidade por vínculos empregatícios em tempo integral, pela Confederação Brasileira de Futebol. Ambas fizeram parte da equipe eliminada nas oitavas de final da Copa do Mundo feminina, realizada em junho.

Este mesmo time obteve a medalha de ouro nos jogos Pan Americanos de Toronto (Canadá), no mês seguinte. Cristiane foi titular absoluta no ataque do time brasileiro comandado pelo técnico Oswaldo “Vadão” Alvarez. Foi a artilheira do time no Pan com sete gols. Com a seleção, Cristiane é bi-campeã Pan Americana, duas vezes medalha de prata nas Olimpíadas de 2004 e 2008 e campeã da Copa América 2014.

Inicialmente reserva, Érika obteve titularidade como defensora central, na partida final vencida por 4×0 sobre a Colômbia. Érika substituiu a zagueira titular Mônica, que se lesionou no fim do jogo contra o México, válido pela semifinal. Em clubes, Érika anteriormente desenvolveu uma experiencia internacional breve, tendo atuado pelo FC Gold Price dos EUA.

Já em crepúsculo de trajetória, Cristiane foi solicitada pelo treinador do PSG, Farid Besntiti que a treinou no futebol russo. Benstiti afirmou que seu elenco necessitava de uma atacante canhota. Em relação à Érika, o treinador ainda explicitou que poderá aproveitar a zagueira, também como meio-campista defensiva.

O site do PSG ressaltou as palavras de Cristiane que enfatizou o desejo de vencer o campeonato francês feminino, a Coupe de France feminina e a UEFA Champions League, que tem uma prolífica categoria feminina na Europa. Na década passada, Cristiane atuou na Bundesliga alemã feminina. Jogou pelo Turbine Postdam e pelo rival Wolfsburg, cuja representação masculina é bastante tradicional.

Pelo Postdam a atacante integrou o grupo campeão da Bundesliga, na temporada 2005/2006. A experiência europeia de Cristiane inclui passagens pelo Linköpings (Suécia) e Rossiyanka (Russia), onde trabalhou com o treinador Farid Benstiti. A atacante jogou ainda pelo Chicago Red Stars (da liga yankee feminina), e pelo sul-coreano Daekyo Kangoroos.

Érika e Cristiane foram apresentadas oficialmente e já estão integradas ao plantel feminino parisiense.

Esforço reconhecido.

Os vínculos obtidos por Cristiane e Érika são frutos diretos da manutenção do time de futebol feminino, que deverá ser mantido pela CBF até a disputa das Olimpíadas 2016, que acontecem no Rio de Janeiro (RJ). O planejamento neste molde se dá exatamente pelo fato de não haver disputa alguma de categoria feminina, no futebol brasileiro.

Há um torneio intitulado Nacional Feminino disputado em duas fases, uma a cada semestre. A segunda fase de 2015 se inicia em setembro, mas o torneio apresenta uma representatividade similar à uma disputa amadora. Os vínculos trabalhistas das atletas se firmados com os clubes, se desenvolvem de maneira similar a jogadores profissionais masculinos, de clubes pequenos que disputam apenas regionais. Campeonatos regionais não chegam a se estender por seis meses.

Sem nenhum tipo de competição dotada de âmbito realmente profissional, é impossível manter as atletas em atividade regularmente. Por outro lado, se o trabalho mantido com a seleção garantiu alguma vitrine e acesso para um centro de futebol feminino mais desenvolvido, revelou-se algum legado mínimo. Torçamos para que outras atletas sejam lembradas por clubes europeus ou norte-americanos.

Até as disputas do Mundial e do Pan Americano apenas Marta, Rafaela e Beatriz tinham vínculos com clubes profissionais do futebol feminino. Marta atua pelo sueco Rosengård, Rafaela pelo norte-americano Boston Breakers e Beatriz, pelo coreano Hyundai Steel Red Angels.

Imagem de Érika (à esquerda) e Cristiane: psg.fr