No último sábado, a seleção chilena bateu a Argentina nos penaltis, na decisão da Copa América 2015, realizada no Chile. O time chileno conseguiu obter pela primeira vez em sua história, um título futebolístico relevante. A partida ocorrida no Estádio Nacional de Santiago, exorcizou também velhos fantasmas dos tempos da ditadura.

A partida em si entre chilenos e argentinos foi equilibrada, tal qual outras diversas envolvendo times como Colômbia, Uruguai, Paraguai, Peru (terceiro colocado) e as próprias seleções de Chile e Argentina. O nível físico e tático das disputas desta edição da Copa América, foram sim dentro do aceitável.

A Argentina de Gerardo Martino manteve a mesma postura, porém vertendo o 4-2-3-1 para o 4-4-2 convencional, sobretudo depois que Di Maria deixou o campo por lesão, sendo substituído por Lavezzi. O time chileno, comandando pelo argentino Jorge Sampaoli atuou de forma mais fechada que nos jogos anteriores, por vezes se posicionando num 3-5-2 convencional. Marcelo Diaz foi postado como volante fixo, à frente da defesa chilena.

A primeira etapa teve maior intensidade e os homens de frente de ambas as equipes falhavam nas finalizações. À “Tata” Martino cabe a reflexão sobre a titularidade inquestionável de Tévez. Com o desenho vertido para o 4-4-2, Higuáin veio a campo no lugar de Agüero, pecando nas finalizações. Carlitos Tévez se quer entrou em campo.

Ao Chile falta um atleta de definição, uma vez que Alexis Sánchez é um atacante de movimentação. A prorrogação, prevista apenas para a partida final, seguiu com o placar em branco. Na disputa de penaltis, apenas Lionel Messi converteu para os argentinos com Higuaín e Banega perdendo para os albicelestes. Os chilenos venceram por 4×1.

Fantasmas chilenos exorcizados.

Às vésperas da partida final mencionaram-se situações desagradáveis protagonizadas dentro do Estádio Nacional, situações estas ocorridas durante o período de ditadura chilena, comandada pelo general Augusto Pinochet. No ano de 1973, o Estádio Nacional de Santiago foi utilizado como centro de detenção e tortura de prisioneiros políticos, opostos ao regime de Pinochet.

Estima-se que 40 mil pessoas podem ter sido detidas no Estádio durante o período da ditadura chilena. Além das atrocidades, o Estádio foi cenário do famoso “el gol fantasmal” (ou “o gol fantasma”). Em novembro de 1973, o Chile disputou uma vaga para a Copa de 1974 (realizada na Alemanha), contra a extinta União Soviética. A seleção chilena daquela época contava com o zagueiro Elias Figueroa, ídolo do Internacional/RS.

Devido à instabilidade política chilena o entorno do confronto fora tumultuado. Pinochet certificou-se de que o Estádio Nacional estaria em condições de receber uma partida futebolística, algo que se constatou. Por outro lado, os soviéticos abandonaram a disputa e os chilenos venceram por W.O. José “Chamaco” Valdéz anotou “o gol fantasma” da classificação.

Pinochet havia sido aconselhado a não inviabilizar o futebol. Poderia exilar ou “dar cabo” de escritores, artistas ou intelectuais, porém abolir o futebol seria uma medida demasiada “anti-popular”. O jogador Carlos Caszely, um dos lideres daquele time chileno era “anti-pinochet” e em certa ocasião, se recusou a apertar a mão do ditador. A mãe de Caszely foi morta pelo regime.

41 anos depois, coube à Alexis Sánchez converter o penalti que redefiniu a história do Estádio Nacional. Numa final de Copa América realizada com todos os dirigentes da Conmebol, encarcerados na Suíça. O povo chileno venceu. O futebol venceu!

Imagem de Alexis Sánchez comemorando: El País