Nesta quinta-feira, Peru x Bolívia realizam a partida menos midiática dentre os quatro confrontos válidos pelas quartas de final da Copa América 2015, que está sendo realizada no Chile. Ambas as equipes são indicadores de alguma evolução obtida pelas ditas, “seleções menores” da América do Sul.

Peruanos e bolivianos se classificaram como segundos colocados dos seus grupos. O Peru por exemplo, classificou-se atrás do Brasil no grupo C, deixando a Colômbia se classificar para as quartas de final, na condição dos melhores terceiros colocados.

Os colombianos ostentam sim maior tradição frequentando copas do mundo, tal qual o México, eliminado e que por sua vez fez parte do grupo da Bolívia. O Peru em especial tenta voltar à disputa de um Mundial, algo que não ocorre desde 1982.

Há ainda um curioso entorno político em meio ao confronto, algo ressaltado pelo periódico espanhol El País. O presidente peruano Ollanta Humala apoiou publicamente uma reclamação boliviana proferida por seu presidente Evo Morales, acerca de uma saída marítima, impossibilitada pelo território do Chile. O entorno porém, ainda não causou nenhum efeito no aspecto futebolístico.

Chile e Bolívia se enfrentaram pela última rodada da fase de grupos, com os donos da casa impondo convincente goleada por 5×0. Praticamente ninguém mencionou a questão diplomática entre Chile e Bolívia, na ocasão da partida. Por outro lado, no aspecto futebolístico, a boa apresentação boliviana até então, perdeu impacto. A equipe que tem o atacante Marcelo Moreno (ídolo do Cruzeiro no Brasil), enquanto liderança técnica, passa sim a impressão de ser a zebra.

Alguns velhos conhecidos dos brasileiros.

O time do Peru é comandado pelo argentino Ricardo Gareca, mesmíssimo treinador que passou pelo paulistano Palmeiras, na metade do ano passado. Gareca assumiu a seleção peruana pouco depois de sua desastrosa passagem pelo Palestra Itália. Vale relembrar que na metade da década passada, a seleção peruana foi treinada pelo brasileiro Paulo Autuori (ex-Botafogo, São Paulo, Vasco da Gama, Cruzeiro).

O elenco peruano trás os defensores Advincula e Yotún, com passagens pelo futebol carioca. A referência no ataque é Paolo Guerrero, agora ex-Corinthians e que já retornará da Copa América como atleta do Flamengo. No passado, Guerrero integrou o elenco do alemão FC Bayern equipe por onde ainda atua Claudio Pizarro, outra liderança técnica da equipe.

Por incrível que pareça, o poderoso Bayern teve sim problemas financeiros, mas não por falência. No período das vésperas do Mundial de 2006, sediado pela Alemanha a agremiação bávara se dedicou às reformas da Allianza Arena de Munique. Com o departamento de futebol em segundo plano Guerrero, Pizarro e o paraguaio Roque Santa Cruz eram atletas de destaque.

Pizarro retornou ao clube bávaro recentemente, na condição de ídolo em fim de trajetória. O atacante atuou pelo Werder Bremen e teve uma passagem pelo inglês Chelsea, no fim da década passada. O grande nome peruano é Jefferson Farfán, meia-atacante do também alemão Schalke 04. Incisivo, podendo atuar como meia-ofensivo ou segundo atacante, Farfán é um dos três principais atletas do Schalke atualmente. Isso junto ao meia ganês Prince Boateng e o centroavante Klaas Jan “hunter” Huntelaar, titular da seleção da Holanda.

Peruanos jogam de vermelho e branco. A zebra é preto e branco.

Voltando à Copa América, o Peru vem embalado pela boa campanha na edição 2011 do torneio, onde acabou inesperadamente com uma terceira colocação. Na ocasião, Guerreiro foi o artilheiro máximo da competição. A campanha atual vem coroada pela eleição de Ricardo Gareca enquanto melhor treinador da primeira fase.

O desenho tático do Peru varia do 4-2-3-1 para o 4-4-2. Farfán é quem se desloca da linha de 3 meias ofensivos para o ataque se necessario, juntando-se a Guerrero. O camisa 10 peruano entrou no decorrer da partida contra a Colômbia, pela última rodada da primeira fase, confronto este que terminou sem gols. O embate foi marcado por jogadas ríspidas (mas não desleais), tanto por parte de colombianos quanto da parte dos peruanos. A equipe peruana se vale em muitos aspectos da força física.

Contra a Bolívia, Gareca terá os desfalques dos volantes Lobatón e Ballón, suspensos por terceiro cartão amarelo. O citado Yotún deve surgir entre os titulares junto a Retamoso. Os peruanos são sim favoritos. O vencedor do confronto se junta ao Chile entre os classificados para as semifinais. Os chilenos bateram o Uruguai por 1×0, na última quarta-feira.

Peru x Bolívia se enfrentam às 20:30 hr (horário de Brasília) na cidade de Temuco. As partidas das quartas de final que não envolvem o Brasil, estão sendo transmitidas em nosso país pelo Sportv.

Imagem de Paolo Guerrero em treino: Andres Stapff – Reuters