Copa América: retorno à “era Dunga”?

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No último domingo, a seleção brasileira venceu a Venezuela por 2×1, em jogo válido pela última rodada da fase de grupos da Copa América 2015, disputada no Chile. As manchetes, piadas e postagens nas redes sociais posteriores ao confronto, mencionavam as opções do técnico Dunga, ao substituir os atletas durante a segunda etapa do jogo.

Dunga nasceu Carlos Caetano Bledorn Verri. Enquanto atleta, ganhou projeção no futebol mundial integrando a seleção brasileira tetracampeã mundial em 1994, time do qual foi capitão. Mas quatro anos antes disputou a copa de 1990, na Itália. Aquele time comandado pelo treinador Sebastião Lazaroni, foi eliminado nas oitavas de final pela Argentina de Diego Maradona.

Devido à postura tática exageradamente defensiva do Brasil de Lazaroni, aquela geração acabou pejorativamente descrita enquanto futebol da “era Dunga”. Dunga era o primeiro volante a frente de um sistema defensivo, na época composto por três zagueiros (a saber Ricardo Gomes/Mauro Galvão/Mozer). O Brasil de Lazaroni jogava em 3-5-2.

Contra a Venezuela.

Voltando ao presente, o Brasil fez uma atuação aceitável em termos técnicos e táticos contra os venezuelanos. Ressalte-se, o fez sem Neymar suspenso e já de volta do Brasil, para cumprir período de férias. Neymar ainda apresenta deficiências técnicas e táticas, as quais se acentuam na seleção.

O atacante tem dificuldades sim, em desvencilhar-se de marcadores vigorosos e os problemas persistem devido a sua insistência em fixar-se a ponta esquerda do ataque brasileiro. A saída de Neymar ocorreu em contraparte a outra mudança no time que foi a exclusão de Fred, em nome de Robinho. O meia Phillipe Coutinho ocupou a vaga de Neymar.

Assim o time de Dunga tinha um desenho tático efetivo em 4-2-3-1, na linha dos três meias ofensivos estavam Coutinho, Willian e Robinho. A diferença é que os três mostram a versatilidade para alternar as posições entre si. Neymar não sabe atuar centralizado tal qual um camisa 10 clássico, embora use esta camisa na seleção.

Willian geralmente atua pelo centro/direita. No lance do segundo gol, anotado por Firmino na segunda etapa, Willian criou a jogada pelo lado esquerdo. Se estiver em campo, Neymar fica “engessado” na faixa esquerda do ataque.

Com Robinho pelo lado direito, o desenho pode ser vertido do 4-2-3-1 para um 4-4-2 tradicional, onde o próprio avança como segundo atacante ao lado de Firmino. Com a faixa direita ocupada, Daniel Alves avança menos à linha de fundo e quando o faz, tem a cobertura de um dos meio-campistas.

Todos os zagueiros em campo.

Com a formação inicial Jefferson, Alves, Thiago Silva, Miranda e Filipe Luís. Fernandinho, Elias, Robinho, Willian e Coutinho. Firmino, Dunga ao obter a vitória parcial por 2×0, resolveu “fechar” o time na segunda etapa. Manteve os dois defensores titulares, mas postou David Luíz à frente da defesa e Marquinhos na lateral direita, adiantando Daniel Alves.

David Luíz entrou no lugar de Coutinho e Marquinhos no lugar de Robinho. Foi o motivo das chacotas proporcionadas no dia seguinte. A imprensa brasileira falava dos quatro zagueiros em campo. A imprensa espanhola ressaltou os seis defensores em campo ao fim da partida, contados também os dois laterais.

Mas como bem frisou o jornalista Paulo Massini no programa “4 em campo” (rádio CBN) no dia seguinte, a ideia de Dunga não foi absurda. David Luiz tem sim se notabilizado no futebol europeu por atuar também como primeiro volante, e isso desde sua passagem pelo Chelsea.

Companheiro de David no PSG, Marquinhos foi utilizado na temporada que se encerrou na lateral direita, pelo treinador Laurent Blanc. Com Marquinhos no setor, Daniel Alves se torna um externo de direita sem obrigações defensivas, maneira como Dunga já o utilizou na seleção, entre 2006 e 2010.

A seleção retorna á campo no sábado pelas quartas de final da Copa América. O adversário será o Paraguai.

Imagem de David Luíz tentando uma bicicleta: El País.