É sabido que a vida dos clubes espanhois da primeira divisão não é fácil, à exceção de Barcelona e Real Madrid obviamente. Muitos dos problemas financeiros ocorrem enquanto reflexo da crise na Espanha. A imprensa espanhola sublinhou um superávit de quase 28 milhões de Euros, lucrado pelo peculiar Athletic Bilbao, clube sediado no território básco do reino da Espanha.

De forma mais ou menos parecida com a Catalunha, o País Básco culturalmente se difere da cultura espanhola, ambos tendo sido anexados a força ao território do reino espanhol. O Athletic é tradicionalíssimo no futebol espanhol tendo vencido 8 edições de La Liga e 23 edições da Copa Del Rey, segundo maior vencedor desta copa atrás apenas do Barcelona (26 títulos). O que faz do Athletic incomum é a insistência nacionalista em valer-se apenas de atletas báscos em seu elenco.

Inicialmente, a Real Sociedad, de origem similar também vetava a entrada de jogadores estrangeiros. Com o modo multimilionário de gerir o futebol expandido nos anos 90, a Real Sociedad acabou abrindo às portas para os jogadores de origem de outros países. Logo os clubes báscos se valiam e ainda se valem de suas categorias de base. Para se ter uma idéia, o veterano Xabi Alonso (atual FC Bayern) foi revelado pela Real Sociedad, assim como Asier Illarramendi, do Real Madrid.

No panorama pós crise financeira de 2008, os clubes médios bem administrados passaram a sobressair, isso em toda a Europa. A prova disso são os vice-campeonatos europeus de Borussia Dortmund e Atlético de Madrid, respectivamente em 2013 e 2014, mostrando que os clubes médios podem competir com os ainda milionários.

Resistência básca.

Nessa toada, o Athletic resistiu bravamente com seu “rústico” modo de pensar e sua saúde financeira não vem de ontem. Na temporada 2011/2012, em campo sob a batuta do argentino Marcelo Bielsa, o clube básco chegou às finais da Europe League e da Copa Del Rey. Bielsa lapidou Fernando Llorente e Javi Martinez, negociados respectivamente com Juventus e FC Bayern.

O clube simplesmente está adequado ao modo de gestão atual de um clube médio. Não contrata estrelas de valor absurdo e lucra vendendo seus bons valores para os times maiores, uma vez que tem um trabalho de categoria de base bem definido. O periódico espanhol El País destacou que o Athletic lucrou exatos 28.152.949 euros ao fim da última temporada 2013/2014.

O lucro se deu em grande parte, devido a súbita venda do meia Ander Herrera, por quem o britânico Manchester United pagou 36 milhões de Euros. A classificação para a atual edição da Champions League, pode trazer algo interessante ao fim da atual temporada. O Athletic não conseguia se classificar para a fase de grupos da competição há 15 anos.

Athletic Bilbao's Ander Herrera

Herrera ainda no Athletic. (Foto: Daisuke Nakashima)

O El País afirma que a entrada na CL (que subentende premiações) mais os carnês de ingressos vendidos antecipadamente pode render 24.653 milhões. O clube disputa três competições simultâneas ao menos até o fim da primeira fase da CL (liga, Copa Del Rey e a própria CL). A isso se soma 11.169 milhões, já contabilizados vindos dos novos sócios que o clube adquiriu.

O motivo deste segundo valor é o fato do bonito estádio San Mamés estar terminado. Pagas as contas previstas, o superávit previsto pelo El País pode chegar a 27.154 milhões de Euros. A previsão inicial era do clube fechar a temporada em déficit de 2.939 milhões de Euros.