E para o jogo contra a Colômbia que o Brasil venceu por 2×1, pelas quartas de final do Mundial 2014, Felipão mudou o time. A perspectiva era ruim uma vez que o confiável volante Luiz Gustavo se via suspenso por segundo cartão amarelo. Felipão no entanto, promoveu duas mudanças. Paulinho surgiu na lacuna de Gustavo, mas foi Fernandinho que acabou fixo na cabeça de área. Daniel Alves, que sempre apresentou problemas na marcação, finalmente saiu para a entrada de Maicon.

Fernandinho surpreendeu, por aparentemente ser um volante de saída de jogo em transição. O meia do Manchester City, dedicou marcação especial ao colombiano James Rodriguez e o fez como faria um Mauro Silva ou um Gilberto Silva. O futebol inglês atual é onde menos há espaço para um camisa 10 clássico, como James.

O meia clássico fica cercado por dois volantes, um de cada lado do circulo central e uma linha de quatro defensores a sua frente. É por isso que há poucos nesta função. Fernandinho valeu-se da experiencia, e jogou oportunamente “feio”, mas de forma funcional, tendo até proporcionado jogadas desleais.

Com Fernandinho ao seu lado, Paulinho consegue propôr um encurtamento de espaços, o qual só funcionou por Maicon ter postura defensiva infinitamente superior à de Daniel Alves. Com Maicon não há a “avenida” no campo direito de defesa do Brasil. Maicon (atualmente na Roma) já está em fim de carreira mas seu ápice foi na Internazionale, no fim dos anos 2000, tendo sido o lateral direito titular da conquista da tríplice coroa da temporada 2009/2010, comandada por José Mourinho.

Só a experiencia de Maicon no futebol italiano o faz defensivamente muito superior à D. Alves. Na Inter, Mourinho teve que deslocar o intocável capitão Javier Zanetti, um dos maiores laterais da história neroazzurri, para o meio ou para a esquerda.

Na época Maicon ainda tinha vigor físico para disparar pela direita quando o time detinha a posse de bola. No entanto, ele ainda consegue cruzar bem e chutar entrando em diagonal. Na Inter de Mourinho, Maicon era o lateral que avançava com a linha defensiva composta por Lúcio, Samuel e Chivu. O lateral esquerdo era propositadamente um terceiro zagueiro.

Voltando a seleção, com Maicon na direita até Marcelo passou a atuar melhor. Maicon compõe a linha de três defensores (Maicon/Thiago Silva/David Luiz) e o faz bem valendo-se de sua força física. Com Marcelo avançando quando há a posse de bola, o desenho tático se dá em 3-4-3, com Marcelo sendo o quarto homem da faixa central. O time finalmente conseguiu ter consistência defensiva.

Ainda assim a partida foi definida em lances isolados, dois gols de bola parada dos dois zagueiros centrais, Thiago Silva aproveitando lance de escanteio e David Luiz em cobrança de falta magistral. Com o time funcionando coletivamente, Neymar pouco apareceu. Ainda lhe falta aprimorar a capacidade de visão de jogo.

Tostão costumava escrever em sua coluna na Folha de SP, que não há jogador individualista e sim atleta sem visão de jogo.