Nesta última terça-feira, o mundo parou para ver a disputa particular entre Cristiano Ronaldo e Ibrahimović possíveis finalistas da Bola de Ouro 2013, algo que realmente aconteceu na partida de volta da repescagem das eliminatórias europeias. Ambos anotaram todos os gols vistos em Suécia 2×3 Portugal, onde os lusitanos mostraram melhor conjunto e uma superioridade técnica e momentânea de CR7. Ibrah só conseguiu anotar os gols suecos em jogadas de bola parada e, infelizmente verá a copa no Brasil pela tv.

No entanto, na França, outro possível finalista da Bola de Ouro, Franck Ribery também estava em campo. A França virou uma condição adversa contra a Ucrânia, batendo os ucranianos por 3×0, placar necessário para levar a vaga sem precisar ir para a prorrogação. Isso no Stade de France (Saint Denis). Ribery porém, é apenas mais uma peça importante da nova França de Didier Deschamps. Num passado não muito distante, esta França protagonizou papelão no último Mundial na Africa do Sul, há quase quatro anos. Com um comando corroído nas mãos de Raymond Domenech, vice-campeão quatro anos antes em 2006, os franceses caíram na primeira fase de forma patética em 2010.

O clima interno revelou uma fauna de “jogadores celebridade”. Viu-se o próprio Ribery choramingando diante dos jornalistas, o capitão Evra brigando com o preparador físico e Anelka cortado nos vestiários durante partida oficial. Peças importantes da França de 2006 se viam no grupo como Thierry Henry e William Gallas, sendo que Henry fora muito criticado por não ter peito de “socar a mesa”. Era o único campeão do mundo naquele grupo. E Gallas, na época em fim de ciclo no Arsenal, mal falava com os companheiros nos vestiários do próprio Emirates.

Leve-me ao seu líder…

Mais que a liderança técnica de Zinedine Zidane, que se aposentou após a final de 2006, sentiu-se a falta de liderança moral e psicológica, do hoje auxiliar técnico do Real Madrid. O bafão dos bleus repercutiu em todo o mundo, sendo que chefes de estado franceses exigiram esclarecimentos. A Adidas retirou das ruas de Paris anúncios que estampavam as caras de seus patrocinados que faziam parte do time, tão logo a equipe voltou para casa. Uma renovação naturalmente se iniciou com Laurent Blanc no comando técnico do time, cujo primeiro desafio foi a EURO 2012. Os bleus foram eliminados pela campeã Espanha, nas quartas de final, sendo que o torneio não tem oitavas de final.

A base não era muito diferente do atual time. Uma das lideranças do grupo campeão Mundial em 1998, Blanc ainda apostou em Ribery, único grande talento do atual grupo francês, num time que mostrava mais disposição física e transpiração do que inspiração. Porém, nos bastidores espécimes ariscos da fauna de “jogadores celebridade” voltaram a se revelar, desta vez na persona de Samir Nasri. Mais tarde, o veterano Malouda, externo esquerdo que atuou de volante na competição, revelou ter enfiado o “dedo na cara” do imaturo Nasri. A saída de Blanc (hoje no PSG) após a eliminação na EURO não causava boa impressão. Pouco depois, o experiente técnico e capitão de 1998, Didier Deschamps foi confirmado como novo treinador.

Em termos morais e psicológicos, tem-se a impressão de que a figura de Deschamps impõe algo mais ao elenco francês, que se mostra em fase de transição. A França nem de longe é favorita ao Mundial. Ribery segue enquanto parte importante do time, e tanto Blanc quando Deschamps, não desperdiçaram os talentos disponíveis. Nasri, por exemplo, seguiu sendo convocado. O time que se viu no Stade de France contra a Ucrânia se desenha de forma similar a muitas grandes seleções europeias do momento, em 4-2-3-1.

Valbuena, Cabaye e Pogba são meio campistas que parecem estar sendo bem lapidados, ainda que muito distantes de nomes como Patrick Vieira, ou do próprio Zidane. Matuidi, que ganhou projeção com Carlo Ancelotti na temporada passada pelo PSG, mostra muita disposição física, mas não é um Makelélé. Ribery compõe o lado externo da linha de três meias ofensivos, se projetando pela esquerda como segundo atacante. A França sofre no quesito atacantes, com o irregular Benzema que pode ser revezado com o ainda jovem Giroud.

Ribery.

Ribery foi peça importante na conquista da tríplice coroa obtida pelo FC Bayern na última temporada. Na temporada anterior, foi um dos melhores em campo pelo FC Bayern, na final da CL vencida pelo Chelsea. O francês saiu substituído no decorrer do segundo tempo, devido a lesão, naquela ocasião. Mereceu o prêmio de melhor jogador da Europa na última temporada e possivelmente sofreu muito com os rótulos de “novo Zidane”, que a imprensa francesa atribuiu a vários outros meias que atuavam pela esquerda. Goucurff chegou ao Milan sob rótulo de “petit Zizou” e até Malouda (!!!) foi tido como substituto. Na biografia de Zidane escrita por Patrick Fort e Jean Philippe (no Brasil, “Zinedine Zidane” pela Sá Editores/2008), é Ribery quem escreve o prefácio.

O meia do FC Bayern era o último jogador que se imaginava no grupo francês que foi a Alemanha em 2006. Raymond Domenech incluiu Ribery no elenco e deixou o ídolo Robert Pires de fora, gerando piadas acerca de qual signo do zodíaco respondia por Pires. Domenech supostamente fazia consultas esotéricas para tomar decisões. Finalmente Ribery parece ter ciência da importância que tem para o grupo francês, que mostrou colhões diante de sua torcida em Saint Denis, na última terça feira.

A última campeã mundial que faltava confirmar presença no Brasil em 2014, carimbou seu passaporte. E não deve mais sentir falta de Zidane.