Um-dois-três, Napoli no chão…

A liquidação da candidatura do Napoli ao título italiano veio pelas laterais. Não é exatamente uma surpresa. Na escolha de Pato para o lugar de Cassano, Allegri esclareceu que a sua expectativa era a de alargar a defesa a três e abrir espaço para os meio-campistas (o gol de Boateng não saiu por acaso). A rival do Milan é a Inter que, mesmo atrás na tabela e com um técnico que ainda não mostrou poder montar uma defesa sólida, tem um elenco melhor.O lance do pênalti milanista (Gazzetta dello Sport)

Pato foi o nome do jogo, sem dúvida, com um gol belíssimo, uma assistência e a jogada do pênalti, mas o espaço para seu brilho veio de uma montagem de time inteligente de Allegri. Goste-se dele ou não, sua leitura de esticar a defesa para obrigá-la a se bater com Ibrahimovic sob pressão, funcionou. E não foi só: Flamini, Boateng e van Bommel também acuaram um Napoli tímido.

A responsabilidade do insucesso napolitano é em grande parte dedicada a seu técnico. Walter Mazzarri não soube avaliar que Alexandre Pato poderia destruir sua defesa. Deveria ter recuado Dossena para grudar nele e mais nada. Isso talvez fosse abdicar de vencer, mas impediria o balde de água gelada no moral do time. Mazzarri provavelmente esperava Cassano e Robinho se invertendo atrás dos atacantes e o erro foi mortal.

Falar que o erro do árbitro influenciou o resultado da partida, Calciocaos, submissão psicológica, etc, é uma bobagem, Não houve penalidade, mas o lance era extremamente difícil e sob uma chuva torrencial. Além disso, o Napoli somente tentava conter as chegadas do meio-campo milanista e de Pato. Curiosamente, Robinho foi menos atacante que van Bommel e Boateng e justamente por isso merece elogios. Está jogando para o time pela primeira vez em sua carreira.

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21 Comments

  1. Cassiano Gobbet

    Sim, mas é exatamente esse o ponto. A primeira (e a segunda e talvez a terceira) casta de jogadores do Brasil vai para a Itália em vez de ficar aqui. Teoricamente, isso deve fazer da Série A (ainda) um torneio melhor que o Brasileiro. Mas mais uma vez – opinião é sagrada. abs

  2. Ah, aí é outra conversa. Nem comparo a Premier League com o Brasileiro. Comparo Brasileiro e a decadente Serie A. Mas, durante 15, 20 anos, a Itália teve a liga mais fantástica de todos os tempos. Praticamente todos os grandes craques do mundo (excluindo Romário) nas décadas de 80, 90 e 2000 passaram pela Bota. Bons tempos…

    Abraços.

  3. Cassiano Gobbet

    Bem, eu continuo seguindo o preceito que eu acho lógico: o torneio que tem os melhores jogadores individualmente deve ser melhor. A Itália era há uma década; a Inglaterra é agora. abs

  4. Correção: Rivaldo atuou no Cruzeiro em 2004.

  5. Mas é exatamente esse tipo de comparação mais abrangente que eu nunca vi ninguém fazer na imprensa brasileira, Cassiano. Enquanto esse trabalho não for feito, ficaremos no velho “eu acho”.
    Seria legal ver um levantamento sério que verificasse desde os jogadores que atuavam bem aqui como Hernanes e Thiago Silva e continuaram bem lá fora até Robinho, que saiu daqui como futuro craque e nunca de confirmou no Velho Continente.
    Por enquanto, ainda acredito que para cada Ronaldo, existe um Ronaldinho próximo da forma ideal e que mesmo assim ainda é nota 6,5 no Flamengo ou um Rivaldo que desembarcou magro e sem lesões no Cruzeiro em 2003 e não fez nada.
    Como disse o PVC, quem acha que o gaúcho vai jogar muito aqui com uma perna só vai se decepcionar.

  6. Cassiano Gobbet

    Os episódios individualmente podem ser relativos, o geral, não. Ex: Fulano destrói no Vasco, vai para a Espanha e flopa, mas ao ir para a França, arregaça. (Como o Diego do Santos, por exemplo, flop em Portugal, gênio na Alemanha, flop na Itália, etc).

    O ponto é que 90% dos jogadores que não se adaptam ao exterior, quando retornam, jogam bem. Não é uma questão de adaptação – é que há um desnível entre as ligas, algo que o brasileiro não consegue aceitar. Se nossos melhores jogadores estão lá (e aqui, os melhores realmente melhores, como Kaká, Pato, Luis Fabiano, Maicon, etc) pensar que a liga aqui, com os que sobraram é melhor é negação pura.

    O argumento do Careca (um dos meus ídolos de infância, mas que eu nunca ouvi dar um parecer aceitável sobre nada) é viciado. Claro que o futebol aqui é mais técnico: corre-se menos, marca-se menos, há mais tempo para se pensar no que fazer, etc. É por isso que um jogador em fim de carreira sai da Espanha e vai para o Qatar e ainda joga muito. Vamos nos lembrar: o Rivaldo não conseguia mais jogar bem NO UZBEQUISTÃO (um colega jornalista de lá me disse que ele saiu do Bunyodkor para evitar o constrangimento de ser banco) e está jogando no São Paulo. O Brasil tem uma liga sofrível que vinha melhorando, mas ainda está muito, muito aquém do que poderia. abs

  7. Cassiano Gobbet

    Michel, o Ronaldo, no Milan, no seu pior momento pré-contusão, não passou de 90kg. E quando estava perto disso, não, não jogava bem nenhuma vez. Ele chegou bem de Madri (86/87 kg) e realmente fez chover quando pôde jogar. Fora isso, era ineficiente. No Corinthians, ele já chegou acima dos 90. E antes de passar pela linha dos 100kg, era destaque total do time.

    O ponto é que é impossível comparar ligas no “eu acho”. O único meio possível é checar confrontações. Ex: Fulano é craque na liga A, mas na liga B, é menos que meia boca. Fulano é razoável na liga B, mas na A é um gigante. Conclusão: se isso acontece com frequencia, é lícito supor que a liga B é melhor do que a liga A. Levantar uma conclusão coma aferição desses fatos não é um sofisma, mas um silogismo e portanto, aceitável.

    E por mais que sua opinião difira da minha, vc há de concordar que os Elias, Jucileis, Ibsons e Maicossuéis reforçam esse argumento. No caso do Ronaldinho, se ele jogar no Flamengo o que jogou na temporada pré-copa pelo Milan (quando fez chover no campeonato mas foi absolutamente medíocre na LC), ele será o melhor jogador do Brasileiro, de muito longe. Certamente, um gol de falta contra o Boavista é feito para o Moradei se gabar e não um jogador que chega como maior contratação da década. Abs

  8. Cassiano,

    Concordo que até o momento Neymar não foi devidamente testado, embora tenha feito um Brasileiro bem interessante, assumindo um Santos sem Ganso e Robinho.
    Sobre o nível atual dos campeonatos de Brasil e Itália, é interessante pesar nomes que se deram bem e se deram mal. Ronaldo, por exemplo, só jogou bem no Corinthians quando se aproximou minimamente da forma física que ostentava no Milan, onde fez sim, bons jogos.
    Por sua vez, o xará gaúcho ainda não mostrou mais com a camisa do Flamengo do que mostrava contra os Cesenas da vida. E o mesmo vale para outros jogadores. O que não podemos fazer é usar apenas os exemplos que reforçam nossas teses. Especialidade em que o Mauro Cezar Pereira, por exemplo, é rei.

    Abraços.

  9. Boni dos Santos

    É óbvio que é relativo. Em todas as épocas houve brasileiros que foram bem e mal na Europa. Da mesma forma que um brasileiro pode não se adaptar ao calcio, um italiano do Ravenna, do Como ou do Vicenza poderia ser banco do Volta Redonda. O Careca falou que tecnicamente aqui é melhor, principalmente na parte individual, mas em termos de pegada e redução de espaços os times italianos se comportam melhor.

  10. Cassiano Gobbet

    Bem, opinião é opinião, mas há alguns pontos difíceis de argumentar contra. Ex: por que o Ronaldo não conseguia mais jogar na Europa e aqui, antes de estar com cem toneladas, era tão melhor que os outros? Jogadores como Diego, Rafael Sóbis, Daniel Carvalho, etc, são destaques aqui e na Europa sofrem para serem titulares em Málagas da vida. Sobre a questão do Neymar, concordo em parte, mas há uma coisa com a qual até vc deve concordar: o Neymar, até agora, é um jogador de brilho em Paulistões. Nos três Brasileiros, alternou boas partidas com ‘desaparecimentos’. E jogadores com “muito potencial” e “algum potencial”, quando submetidos à mascara, fracassam exatamente da mesma forma. No primeiro ano do Hamsik, ele foi de longe o melhor mediano da Itália. Daí, mascarou. Mas, de novo: opinião é opinião. Abs

  11. Tenho minhas dúvidas se o atual campeonato italiano está tão acima do que temos por aqui, Cassiano. Não acho, por exemplo, que os clubes brasileiros fariam tão feio nas competições europeias.
    Mas isso é conversa para outro momento.
    Sobre Neymar, concordo que a (falta de) cabeça no lugar pode destruir sua carreira. No entanto, nunca vi em Hamsik metade do potencial do santista.

    Abraços.

  12. Cassiano Gobbet

    Lamento dizer, mas o Hamsik é, para mim, um protótipo do que pode acontecer com o Neymar. Um cara extremamente talentoso sem cabeça para segurar a onda de “next big thing”. E se é verdade que o Neymar é muitíssimo mais vistoso, é verdade que o Hamsik, ao menos, joga em campeonatos que põem o talento dele à prova. Quem viu ele no Brescia e na primeira temporada do Napoli não tem dúvida de que ele tem potencial. Mas é como eu digo: moleque bom de bola, nos Terrões do subúrbio tem dezenas. Moleques com estrutura psicológica suficiente para explodir, a quantia cabe nos dedos da mão. abs

  13. Raphael

    O Napoli não tem elenco pra ser campeão, ele tem um bom time titular, mas não tem opção alguma de banco, para tentar modificar o panorama de uma partida.

    Conquistar a vaga para a Liga dos Campeões seria um titulo e tanto para a equipe, e para o presidente De Laurentis seria a conquista do objetivo traçado no inicio da temporada.

    Se quiser de fato brigar por taças, o Napoli precisa reforçar e muito sua defesa, e ter mais opções no elenco.

  14. Raphael

    Torço para que o Pato “engrene”. Ele é um ótimo atacante e tem ainda muita margem de progressão.

    Que as lesões, confusões na vida pessoal e etc. diminuam e ele possa ter uma sequencia de fato no clube, porque a média de gols dele é muito boa.

    Sempre apostei nele como camisa 9 da seleção e espero que ele também corra atrás disso.

  15. Rafael Borges

    Acho que o Milan jogou bem e não mais que isso. O Napoli foi decepcionante… Muito mal mesmo. Foi uma partida de um time só. O Napoli não se defendeu e nem atacou bem, jogou na base do chutão pro Cavani.

    O Milan mostrou mais de uma vez nessa temporada que tem grandes dificuldades para conter contra-ataques pelos lados do campo. Parece que Mazzarri virou refém da formação tática dele.

  16. Dois comentários:
    1 – Realmente o pênalti foi um lance difícil (para mim não foi), mas a vitória só se desenhou a partir dele. Os espaços só surgiram após o 1º gol.
    2 – Hamsik: Farsa elevada ao cubo (2)

  17. Boni dos Santos

    o Milan é um time sonolento de se assitir, vive de ‘insights’ de seus match winners: Ibra, Pato, Robinho..

  18. Boni dos Santos

    Hamsik

    Farsa elevada ao cubo

  19. Concordo com tudo, mas ainda é inegavel um sabor melancólico emanando da Serie A. Apenas este Napoli era o vice líder e não dá pra negar que nas ultimas 3 ou 4 temporadas Milan nunca teve a Inter tão ‘nas cordas’ como nesta temporada. Basta ser um pouco mais organizado que a média. Eu ainda credito a subita adaptação de Robinho ao futebol italiano ao periodo em que o mesmo foi treinado por Fabio Capello no Real Madrid (2006/2007).
    Abs

  20. Gilson

    Allegri, treinador que simplesmente adoro criticar por quase nunca concordar com o que faz em campo, mandou muitíssimo bem ontem. Ao bloquear as faixas laterais com Gattuso e Flamini, deixou Hamsik órfão, e ganhou assim o meio-campo, forçando o recuo napolitano.

    E existem certos lances no futebol, e no esporte em geral, que são emblemáticos acerca do status ganho – ou perdido – por um atleta. No lance do gol do Pato, ele era marcado por dois zagueiros e nenhum deles teve a coragem de dar o bote. Ambos tiveram medo de um drible desconcertante e, assim, foram recuando do meio-campo até a entrada da área.

    Pato, aos poucos, vai confirmando aquilo que se espera dele desde 2007.

    Forza Milan!

  21. Giuliano Melo

    Bela análise do jogo Cassiano.

    Estou realmente surpreso com a temporada que Robinho tem feito, parece que ele finalmente começou a entender o que é ser um jogador de futebol profissional, tem se dedicado, ajudado o time e cumprido a função tática que lhe é designada. Antes tarde que nunca.

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