Macho para c…

Alguns personagens, por causa de seu caráter, merecem e acabam ganhando nossa torcida independentemente do clube que defendam. Por exemplo: Muricy Ramalho, pela sua integridade, é merecedor de meu respeito, desde o Inter-RS até sua atual estada no Palmeiras. É um cara grosso, sem modos? Não sei. Sei que ele parece ter palavra e honestidade e isso para mim conta mais.

Um outro cara cujo “renascimento” me deixa muito feliz é o de Richarlysson. O volante é um dos melhores jogadores em atividade no Brasil. Bom em quase todos os fundamentos, versátil e forte fisicamente, precisa só melhorar a colocação tática para poder jogar em qualquer grande da Europa. Mesmo assim, parte da torcida do São Paulo, o vaia porque supostamente ele seria homossexual. Vaia que as torcidas rivais também dispensam a ele, como se a preferência sexual de uma pessoa definisse seu caráter, competência, etc.

Instintivamente, a palavra “animais” me vem à cabeça para definir as pessoas dessa parte da torcida. Mas é um erro. Animais têm uma nobreza de todos os elementos da natureza, não são covardes (por exemplo, não passam a ser muito corajosos em bandos e medrosos de enfrentar problemas sozinhos) e quase invariavelmente têm um sentido de gratidão latente.

Richarlysson, por agüentar a pressão desumana à qual é submetido por parte desses criminosos (discriminação é um crime previsto em lei e se os machões das arquibancadas não fossem um bando de covardes, fariam suas ofensas em público e pagariam para ver), é um herói. Além de não se deixar derrubar por causa das frustrações sexuais mal resolvidas e pelos preconceitos de meia dúzia de vagabundos, ainda está voltando a jogar bem. Ele está se demonstrando um homem com “H” maiúsculo, capaz de agüentar abuso vindo de alguém que não tem coragem de se expor. Se 10% das pessoas tivessem os colhões que tem o jogador sãopaulino, o mundo seria um lugar bem melhor para se viver.

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Crítica

2 Comments

  1. Michel Costa

    Nessa história, como de praxe, entre os comentários politicamente corretos, também é possível encontrar alguns nos quais a homofobia permanece, no mínimo, latente. Penso que reside neste ponto a grande questão a ser debatida. As vozes que insultam Richarlyson apenas ecoam um sentimento enraizado em nossa sociedade.
    Até bem pouco tempo atrás, o homossexualismo era visto por quase todos como uma espécie aberração da natureza. Mesmo aqueles que reconheciam sua existência através dos tempos, se pautavam em coisas como família e religião para afirmar que aquilo estava errado.
    Ainda é comum, ouvirmos ou vivenciarmos famílias que se voltam contra o filho que se assume homossexual, da mesma forma que se aliviam quando o garoto tímido começa a namorar uma garota.
    De certo modo, é algo comparável ao racismo (no sentido correto do termo, não a injúria qualificada) tão presente na sociedade e no futebol durante a primeira metade do século XX, onde muitos clubes não permitiam a presença de negros entre seus atletas e sócios. Outra comparação válida é a maneira como os recursos naturais eram tratados como inesgotáveis e que hoje, apesar de todos saberem que não são, ainda haver a rotina do desperdício.
    Um bom exemplo da presença do ranço homofóbico em nosso meio é notar que tanto a diretoria do Tricolor, quanto companheiros de clube, passando pelo capitão e participante Rogério Ceni e até seu irmão Alecsandro, hoje no Internacional, pouco ou nunca adotam uma postura de defesa ou protesto contra os intolerantes da torcida. Não duvido que deem apoio ao atleta, mas ele não é aberto, não é público. E isso tem a ver com a própria baixa aceitação do homossexualismo em nossa sociedade.
    Por outro lado, é muito positivo notar que a intolerância – seja de qualquer natureza – vem diminuindo gradualmente com o passar dos anos. Filmes, documentários, artigos e outras mídias têm abordado o tema com mais frequência, indicando o caminho da igualdade para as pessoas.
    Entretanto, essa mudança de mentalidade não acontecerá da noite para o dia. Aos que corretamente defendem a liberdade de opção sexual, vale citar o sociólogo francês Edgar Morin que diz que a ética da compreensão também está em compreender a incompreensão do outro. Nesse aspecto, é muito justo defender o atleta e solicitar punição aos que ofendem. No entanto, é também necessário que ponderem sobre como as manifestações vindas da arquibancada refletem o que se passa na sociedade e lembrar que um sentimento enraizado não é tão simples de ser extirpado como se pensa.

  2. Gilson

    Fecho contigo nessa questão. O que parte da torcida do São Paulo – será que são mesmo torcedores do tricolor? – faz com esse cara é uma sacanagem gigantesca. Richarlysson raramente joga mal. É um jogador nota 7 e quase sempre entrega isso em campo – uma performance nota 7. Talvez seja o jogador mais regular em atividade no país. E sempre tem alguns imbecis pegando no pé do cara! O que parece irreversível é esse gosto que a sociedade atual pegou pelo estilo Big Brother e agora todo mundo se acha no direito de dar pitacos na vida alheia. É problema dele se o cara trepa com homem, mulher, aliens etc. Eu tenho a minha vida e a da minha mulher para dar conta. E isso já me toma um tempo bem razoável…

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