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Macho para c…

Alguns personagens, por causa de seu caráter, merecem e acabam ganhando nossa torcida independentemente do clube que defendam. Por exemplo: Muricy Ramalho, pela sua integridade, é merecedor de meu respeito, desde o Inter-RS até sua atual estada no Palmeiras. É um cara grosso, sem modos? Não sei. Sei que ele parece ter palavra e honestidade e isso para mim conta mais.

Um outro cara cujo “renascimento” me deixa muito feliz é o de Richarlysson. O volante é um dos melhores jogadores em atividade no Brasil. Bom em quase todos os fundamentos, versátil e forte fisicamente, precisa só melhorar a colocação tática para poder jogar em qualquer grande da Europa. Mesmo assim, parte da torcida do São Paulo, o vaia porque supostamente ele seria homossexual. Vaia que as torcidas rivais também dispensam a ele, como se a preferência sexual de uma pessoa definisse seu caráter, competência, etc.

Instintivamente, a palavra “animais” me vem à cabeça para definir as pessoas dessa parte da torcida. Mas é um erro. Animais têm uma nobreza de todos os elementos da natureza, não são covardes (por exemplo, não passam a ser muito corajosos em bandos e medrosos de enfrentar problemas sozinhos) e quase invariavelmente têm um sentido de gratidão latente.

Richarlysson, por agüentar a pressão desumana à qual é submetido por parte desses criminosos (discriminação é um crime previsto em lei e se os machões das arquibancadas não fossem um bando de covardes, fariam suas ofensas em público e pagariam para ver), é um herói. Além de não se deixar derrubar por causa das frustrações sexuais mal resolvidas e pelos preconceitos de meia dúzia de vagabundos, ainda está voltando a jogar bem. Ele está se demonstrando um homem com “H” maiúsculo, capaz de agüentar abuso vindo de alguém que não tem coragem de se expor. Se 10% das pessoas tivessem os colhões que tem o jogador sãopaulino, o mundo seria um lugar bem melhor para se viver.

Surpreendente São Paulo

Não tinha assistido nenhum dos três últimos jogos do São Paulo – time que eu imaginava e afirmava estar alijado das chances de título nesta temporada. Neste domingo, vi a vitória contra o Sport e tenho de dar a mão à palmatória. Ricardo Gomes merece cumprimentos.

O São Paulo de Muricy ainda é a espinha do time de Gomes, mas o ex-zagueiro conseguiu uma façanha ao reverter um quadro psicológico desfavorável. É nítido e sabido que há diversos atletas que não se bicam mais. E todos nomes importantes, como Borges, Washington, Dagoberto, Hugo. Mesmo assim, o treinador, ao menos aparentemente, conseguiu colocar todos no mesmo barco.

Taticamente, não vejo ainda uma grande mudança apesar dos meus colegas jornalistas dizerem que houve uma revolução. Ricardo Gomes tentou implantar um 4-4-2 mas não deu certo e retornou ao 3-5-2 que Muricy usou nos últimos anos. Tentou fazer um meio-campo mais leve mas percebeu que a força do São Paulo estava na marcação forte. As jogadas pelo chão ganharam espaço, mas no geral ainda é o mesmo time que marca forte, puxa ataques pelas pontas e privilegia jogadores “multifunções”, como Jean, Richarlysson, Jorge Wagner e Zé Luís.

Ainda não acho que o São Paulo lutará pelo título esse ano. O “sprint” que o Tricolor está dando agora não durará por todo o segundo turno e é natural que mais cedo ou mais tarde haja uma queda de rendimento. Contudo, a vaga na Libertadores está ao alcance da mão. Depois de três anos dominando o Brasileiro, uma presença no G4 após um começo tão ruim já será um feito para se tirar o chapéu para Gomes, especialmente se ele já começar a trabalhar o time de 2010 visando a Libertadores.

Sem Muricy, com Leco

Eu sei que é notícia velha, mas o tempo impediu que eu comentasse o assunto antes. Finalmente, depois de três anos de luta (nos quais Muricy ganhou três títulos brasileiros), o diretor Carlos Eduardo Barros e Silva, o Leco, finalmente conseguiu o que queria: sacar o treinador do São Paulo unica e exclusivamente para provar o seu poder.

Não é preciso dizer que o clube vai se arrepender da decisão, assim como a parte da torcida que queria a cabeça do tricampeão. Não só porque Muricy certamente vai para o Internacional (onde será tetracampeão com toda certeza), mas também porque a aposta em Ricardo Gomes é perdida desde o minuto zero. Ricardo teve uma temporada boa na carreira, no Bordeaux, em 2007. Antes e depois disso, fracassou retumbantemente.

Leco é um remanescente da política tricolor anterior à chegada de Juvenal Juvêncio. Era o diretor de futebol do presidente Marcelo Portugal Gouveia e como não demonstrou a menor competência para o cargo, foi substituído pelo próprio Juvenal que, posteriormente, viria a ser o presidente. Os argumentos e Leco em relação a Muricy sempre foram dignos de dó. É impossível acusar um treinador tricampeão (que não é tetra porque comprovadamente o Corinthians ficou com um título forjado na corrupção) de qualquer coisa ligada à incapacidade. Muricy não tem o perfil de jogar bem torneios de mata-mata, é verdade. Mas num time como o São Paulo, que não é brilhante, jogadores como Hernanes, Jorge Wagner, Dagoberto e Miranda despencam de produção, não existe possibilidade de que não se decline. Ademais, todos os clubes apresentam momentos de reorganização depois de sequencias vitoriosas. Esse ano seria o do São Paulo.

Mas não será. Isso porque Ricardo Gomes – salvo um grande engano da minha parte – não chegará ao final do Brasileiro. Ele não tem nem fibra para suportar a pressão nem inventividade tática para rearrumar o time O elenco é razoável para os padrões brasileiros (nada além disso), jogadores como Washington claramente criaram uma cisão no grupo e o motor do time nas últimas três temporadas, a defesa impenetrável, ruiu. O São Paulo perdeu as jogadas pelas laterais e por isso, Washington virou um jogador burocrático. Nomes fundamentais do elenco, como Richarlyson, Dagoberto, Zé Luis, além dos já citados Hernanes e Jorge Wagner, estão jogando com 10% da capacidade. Borges encerra seu contrato em dezembro e ao que parece, não há uma grande sequencia de contratações para chegar ao Morumbi. Leco pode ir dormir tranquilo. Conseguiu fazer com que o São Paulo retornasse aos padrões gerenciais falimentares de sua gestão. Pode até ser que, graças à sua incrível visão e perspicácia, o São Paulo consiga uma vaga na Copa Sulamericana. Já será um grande feito, dados os seus limites.

Roendo a corda

O São Caetano vai enfrentar um São Paulo titular em Presidente Prudente. O jogo é ridículo, o campeonato é ridículo, a federação é ridícula, a data e local da partida são ridículos e o São Paulo tomou uma decisão que o deixa numa situação…ridícula. E além disso, medrosa.Como lembrou Paulo Calçade nesta semana na ESPN, a diretoria do clube está ficando craque em ameaçar e depois pipocar.

K9 e Hernanes: Europa em junho

Não adianta ninguém dizer que não, porque só não vê quem não quer. Keirrison e Hernanes serão vendidos com certeza em junho e muito provavelmente terão a mesma destinação: Barcelona. Um emissário do Barça está no Brasil para observar Hernanes e o diretor do clube, Txiki Beguiristain já admitiu interesse em Keirrisson.

Demorou muito, até. Os dois estão um nível acima dos demais. Perda maior para o Palmeiras, que não tem substituto para K9, enquanto o São Paulo se cobriu – embora não dê para não sentir uma perda como a do volante.

Celebrar

Numa copinha que realmente tem bons jogadores para o futuro, encontrei uma razão para celebrar: quase todos os times de empresários caíram na primeira fase. Tudo bem, não quer dizer muita coisa, mas qualquer derrota para essa gente vale a torcida.

Vestígios de uma Copinha


Houve uma época em que a Copa São Paulo de juniores era um torneio sério. Mesmo. Os clubes investiam nas divisões de base. Na verdade, os clubes eram mesmo “clubes”, onde os sócios se reuniam em torno de uma comunidade e assim, seus filhos e conhecidos acabavam sendo assimilados pela vida da agremiação. Aliás, o verbo “agremiar”, segundo o dicionário Houaiss, significa “reunir (pessoas) em grêmio, assembléia, corporação ou agremiação; tornar(-se) associado; ligar(-se), reunir(-se), agregar(-se)”.

O tempo fez com que os clubes se distanciassem dos sócios e das torcidas. Passaram a ser instituições dominadas por uma oligarquia interna onde a prática de esportes não interessava. O dinheiro é que era importante. Daí, as divisões de base “à antiga”, onde crianças se divertiam e talentos se apuravam, desapareceram. Vieram as divisões de base dominadas por interesses políticos. Eu mesmo conheço um caso de um jogador de um grande clube paulista que foi cedido a um clube do exterior com a condição que o filho de um diretor também seguisse para o clube comprador, na Inglaterra. Hoje, as categorias de base pertencem na maioria a empresários, que pouco se lixam com o bem-estar da criança, sua formação moral e intelectual e mesmo física. Querem vender. Se para isso precisarem colocar crianças em risco, dane-se.

A degradação dos clubes e de suas categorias de base transformou a Copa São Paulo numa piada. Catadões de moleques, muitas vezes até mal-alimentados, vestiam camisas de times que não existem, clubes de mentira. Um deles, o Roma (que hoje é o malfadado Grêmio Barueri, que infelizmente chegou à primeira divisão do Brasileiro), foi até campeão da Copinha e depois, viu-se na condição de acusada de usar garotos irregularmente.

A piada da Copinha atual tem 88 clubes, onde pouco mais de 10 são realmente sérios, com investimento de profissionais capazes e que cuidam também da formação pessoal dos jovens atletas. Os que fazem isso com mais decência mostram serviço no torneio. E para nossa sorte, alguns deles realmente impressionam, com times e jogadores cheios de potencial, como há muito não se via. Mesmo sendo uma piada organizacional para atender empresários, essa edição 2009 tem vestígios dos bons anos da Copinha.

Não tive como ver todos os jogos da Copinha, mas entre os que eu assisti, fiquei impressionado com sete deles. Cruzeiro, Grêmio, Internacional (o de verdade, gaúcho), Portuguesa, Santos, São Paulo e Vasco da Gama. Não vi os jogos de Figueirense e Vila Nova (que tiveram resultados expressivos) e apesar de ter jogado muito bem, o Palmeiras enfrentou um time muito, mas muitíssimo fraco, o Cuiabá. A grande maioria dos outros clubes não existe – são farsas armadas por empresários. Algumas até conseguem resultados expressivos, mas não merecem nota.

Todos eles têm nomes que aparentam ter potencial. João Paulo e Rafael Forster no Inter, Piraju (Lusa), Murilo (Palmeiras), Neymar e Choco( Santos), Wesley (Grêmio), Bernardo (Cruzeiro), Oscar e Bruno Formigoni (São Paulo) são alguns deles, para citar nomes desses times. O que me incomodou – muito – foi ver que alguns garotos que ainda não tem 18 anos já fazendo gols e se preocupando em aparecer para as câmeras ou comemorando como craques consagrados. É fácil perceber que alguns deles estão fadados ao fracasso, mesmo com talento. Outros ainda carregam o germe da esportividade, comemorando muito e com os colegas.

O saldo, contudo, foi bom. Cruzeiro, São Paulo, Internacional e Santos têm os melhores times até agora. O São Paulo me pareceu o mais completo e com jogadores mais formados, no geral. Cruzeiro e Santos têm grandes valores individuais (como Bernardo e Neymar), mas ainda podem melhorar o coletivo. Duas coisas têm de ser lembradas aqui: 1) “Craques” de 17 anos existem aos cântaros; craques aos 20 são raros, ou seja, nada de glorificar crianças por um jogo bom contra o Cene ou Castanhal. 2) Acompanhe os clubes que têm os times mais bem arrumados (especialmente se você torcer para um deles). Há 99% de chances desses clubes arrancarem rumo à “Nova Elite” do futebol brasileiro puxados pelos lucros na produção honesta de atletas. As farsas empresariais desaparecerão. Infelizmente, outras virão depois.

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