Corinthians…o melhor do mundo?

Ontem, casualmente, meu dial do rádio do carro passou pela Jovem Pan. A mesa discutia um assunto relevantíssimo: se o Corinthians era o melhor time do Brasil. Flavio Prado afirmava que sim. Ia além: ele tinha dúvidas se o Corinthians não venceria o Barcelona, tal era a sua fase. A ponderação sensata, como sempre veio de Claudio Carsughi, o mestre (mesmo, e não “mais um” mestre). “Num jogo seco, não é impossível. Num campéonato de pontos corridos, ficaria atrás do Barcelona, com muitíssima distância.

Excitado, Flavio Prado foi além: o time do Corinthiand de hoje, segundo ele, é muito melhor do que o Real Madrid que jogou o Campeonato Espanhol. Assim, no mínimo, ficaria em segundo lugar – e com pouca distância. Foi quando desliguei o rádio.

Ainda que respeitando a opinião de Flavio Prado (afinal, é um direito inalienável de qualquer um), acho que esse tipo de observação é um desserviço ao ouvinte. Depois de uma conquista (merecida), é claro que o entusiasmo com o Corinthians aumente, mas comparar o time do Mano com Barcelona, Real Madrid ou qualquer grande europeu é uma piada, desconhecimento de causa ou má fé.

Pode ser piada, porque não há nenhum jogador no Corinthians que tenha nível para jogar no Real Madrid (nem no do Campeonato Espanhol bem em nenhum outro). Cabe lembrar que exatamente o mesmo Ronaldo – de muitíssimo longe o melhor corintiano do elenco – não conseguia jogar num Real Madrid pior do que o da última temporada.

Pode ser desconhecimento, porque não é impóssível que um comentarista se informe melhor sobre um campeonato do que outro. Como sei que Flavio Prado é um profissional ocupado, é possível que ele não acompanhe de perto a Liga. assim, saberia que Sneijder é melhor do que Wellington Saci, que Huntelaar tem mais mercado que Jorge Henrique e que Diarra é consideravelmente melhor do que Cristian.

Má fé, sinceramente, eu prefiro não acreditar. Flavio Prado não é um jornalista que precise fazer uso de artimanhas para conseguir ibope com torcedores. Já é conhecido o suficiente. Há casos que, outros “jornalistas” sabem que estão falando asneira mas preferem assim porque aumentam o seu prestígio. Me lembro agora de um comentarista de um canal de TV a cabo que tem duas bandeiras: defender a CBF e Dunga e falar sempre bem de Flamengo e Corinthians. Assim, ele garante a sua “simpatia” com todo mundo. Ele certamente está politicamente bem no mercado, mas é um negligente de último nível com a sua responsabilidade, que é a de dizer a verdade.

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9 Comments

  1. Michel Costa

    Gílson,

    Agora estamos em caminhos próximos.
    Hoje, não acho possível a manutenção de equipes tão fortes quanto as do início da década de 90. Como escreveu o Cassiano, o mercado está tão irrestrito que os melhores jogadores acabam indo para a Europa ou até para alguns mercados periféricos.
    Na verdade, diferente do autor deste blog, acredito que, mesmo as equipes sofrendo tanto com os desmanches e contando apenas com as revelações que ainda não foram negociadas, atletas que não se adaptaram ao exterior, os veteranos e aqueles que não tem mercado lá fora, ainda é possível montar equipes capazes de cumprir um bom papel no cenário internacional, mesmo não que se nivelem aos gigantes europeus.

    Abraços.

  2. Gilson

    Michel, posso estar enganado, mas não creio que exportando cerca de 1000 jogadores/ano o Brasil consiga manter equipes competitivas por muito tempo. A questão aí não é ser favorável a qualquer um dos lados, mas observar a realidade. É óbvio que por uma série de motivos o futebol brasileiro de tempos em tempos mostra a sua força. Aí surgem vários rostos novos, como foi o caso do biênio 92/93 (Ronaldo, Rivaldo, Dida, Roberto Carlos etc.). E, sobre esses resultados listados, tenho a ligeira impressão que a dupla Real/Manchester não estava lá muito preocupada com o Mundial. Posso estar enganado, mas acho que a verdadeira ambição deles era vencer a CL – coisa que o Real depois conseguiu. O Milan, por exemplo, estava focado na conquista do Mundial dois anos atrás e venceu o Boca sem tantos sustos. 'Pool e Barça também procuraram a vitória por toda a partida nos confrontos contra os brasileiros. Não conseguiram. Acontece. Faz parte do jogo. Mas creio que desses resultados se inferir que as equipes brasileiras poderiam disputar um campeonato/copa desde o início, e em pé de igualdade, com as potências européias vai uma certa distância. Mas, como sempre diz alguém que conheço, o futebol é um engradado de novidades…

  3. Michel Costa

    Gílson,
    Esse é um debate que frequentemente tenho com o meu primo. Ele é um 'eurocentrista' de carteirinha, eu diria.
    Concordo contigo qdo escreve que dificilmente um time brasileiro ganharia a UCL. Mas, com um pouco de sorte, um Palmeiras de Felipão poderia fazer o que o Porto fez em 2004, por exemplo.
    Quanto ao argumento de que numa partida tudo pode acontecer, tbém é usado pelo meu primo, costumo citar alguns confrontos recentes sobre os quais podemos ponderar:
    B.Dortmund 2×0 Cruzeiro;
    R.Madrid 2×1 Vasco;
    M.United 1×0 Palmeiras;
    Vasco 3×1 M.United;
    Corinthians 2×2 R.Madrid;
    SPFC 1×0 Liverpool;
    Inter 1×0 Barcelona;
    Aconteceram outros encontros nesse período, mas se ficarmos nesses, que são mais importantes, em 7 partidas temos 3 vitórias europeias, 3 brasileiras e um empate.
    Sei que não se trata de uma amostra muito grande, mas, em termos estatísticos, já é o suficiente para, pelo menos, colocar essa tese em xeque.

    Abraço.

  4. Gilson

    Já tive um treinador de basquete que tinha uma interessante visão sobre correlação de forças no esporte (profissional ou amador). Depois, já adulto, ampliei e revisei a teoria. O cara aprovou e a utilizo até hoje. Segundo ela, no esporte ganha sempre quem tem mais tesão para perseguir a vitória. Em caso de empate entre as duas equipes nesse quesito, o próximo item é o preparo físico. Caso surja um novo empate, passamos para o conjunto. Se ambos os times apresentam conjuntos equilibrados e harmônicos, a coisa chega ao craque. A equipe com maior número de craques irá vencer. Se ainda aí ocorrer equilíbrio na disputa, a vitória irá sorrir para quem tiver a fortuna de ser agraciado com o menor número de equívocos do árbitro nos lances capitais da partida. Em qualquer equipe daqui ou da Europa existem jogadores dos mais diversos níveis. Abismo técnico quando se pensa em países onde o futebol conta com um razoável grau de desenvlvimento é difícil de encontrar. Só que os craques de verdade, com raríssimas exceções, estão na Europa. E eles, acredito, no final das contas acabam fazendo a diferença. Se uma equipe daqui se aventurar a disputar a CL, que lá é levada a sério por todo mundo, pode até ir longe, mas faltará craque para fazer a diferença. Em uma disputa de partida única, a coisa fica mais imprevisível.

  5. Michel Costa

    Você tocou num ponto interessante, Cassiano. Futebol sempre foi um mundo meio à parte.
    Como bem disse o Mourinho numa entrevista recente, é daqui que sai o talento.
    Uma boa maneira de compararmos a força de um time brasileiro é observarmos as equipes nacionais de alguns anos atrás e vermos até que ponto os jogadores de determinado time chegaram.
    Vejamos o Santos de 2002, por exemplo. O alvinegro contava Alex, Léo, Renato, Elano, Diego e Robinho. Na fase de classificação, os santistas ficaram na 8ª colocação no Brasileiro. Enquanto isso, o 1º classificado, o São Paulo, possuia nomes do calibre de Kaká, Fábio Simplício, J. Baptista e Luis Fabiano.
    Um bom exercício de imaginação é projetar até onde iriam essas equipes no Velho Continente.
    Aliás, sabe o que disse Claudio Carsughi quando perguntado sobre até onde iria esse Santos na Serie A italiana? "Com um bom centrovante, acredito no título." Me lembro dessa frase do mestre como se fosse hoje.
    Sobre o Ronaldo, acredito que nas poucas vezes em que esteve livre de lesões no Milan, desequilibrou tbém.
    Mas que fique claro que não imagino que esses times atuais são tão fortes quanto os gigantes europeus, mas, em campo, não acredito na existência de um abismo.
    Abs

  6. Cassiano Gobbet

    Gilson, a diferença é que antes, só a imprensa falava bobagem e a gente escutava; hoje, todo mundo fala e a gente escuta. O ponto é que supostamente a mídia deveria pagar os profissionais mais gabaritados e não os populistas. abs

  7. Cassiano Gobbet

    Michel, discordo diametralmente e faço uma única pergunta nesse sentido: me indique um único mercado de qualquer área de atuação (engenharia, matemática, administração, entertainment, etc) em que os melhores profissionais não trabalhem na praça que paga melhor. Claro que há jogadores que estão começando a carreira no Brasil que terão sucesso na Europa, mas na média, os melhores já estão lá. É um equilíbrio clássico de economia. Um exemplo é o Ronaldo, que é ridiculamente superior a qualquer outro atacante no Brasil – na Europa, ele não tinha mais como jogar com a atual condição física. Aqui, ele faz chover. Abs.

  8. Michel Costa

    Cassiano,

    Essa questão do nível das equipes brasileiras em comparação com as européias é um dos assuntos mais delicados do futebol. Costumo dizer que é preciso ter cuidado para não cairmos nos extremos na hora de exemplificar.
    Acompanho o futebol europeu com muita atenção e, sinceramente, não acho que jogadores como Pepe, Albiol, Marcelo, Gago e Diarra são coisa de outro mundo se comparados a Chicão, William, André Santos e Cristian. Mas, claro, não incluo os nomes de Kaká e C. Ronaldo nessa história.
    Penso que a maior razão para observações tão exageradas como as de Flávio Prado também são fruto da quase que absoluta ausência de partidas entre equipes européias e brasileiras na última década. Um campo de observação que seria muito útil nessa discussão.
    Particularmente, eu que não sou corintiano, acho que a atual versão do alvinegro disputaria uma vaga na UCL caso disputasse la Liga.

    Grande abraço.

  9. Gilson

    Interessante. Uns dois anos atrás participei de uma reunião sobre possibilidades de utilização da internet no meio corporativo. A empresa em que trabalhava previu corretamente esse boom da chamada social media e queria antecipar a concorrência. As idéias propostas era bem interessantes, embora todas um "pouco" caras, e quando chegou a minha vez de falar disse que não deveríamos ser vanguarda naquele quesito, pois a chance de erro seria enorme e a possibilidade de corrigir o rumo depois muito mais difícil. Estava quase sendo voto vencido quando resolvi apelar: perguntei quanta coisa realmente criativa vinda de sites de social media, como YouTube, Facebook etc. o pessoal já havia visto. As respostas não foram muitas. Matei aquele assunto dizendo que esperava ansioso – sou um otimista e ainda espero – que um dia um Spielberg comece sua carreira no YouTube. Moral dessa história – antes que me perca: nunca antes as pessoas tiveram tantas e tão completas ferramentas para expressar a própria opinião. E nunca se disse e escreveu tanta bobagem. E nisso incluo grande parte da imprensa. Pena.

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