A queda de produção da Inter depois da eliminação na Liga dos Campeões é conhecida e era até esperada. A competição continental era o verdadeiro objetivo ‘nerazzurro’ na temporada. E o posterior episódio do pedido de demissão de Roberto Mancini (que depois voltou atrás) só serviu para desandar mais a maionese.

Mas depois de uma vitória sobre o Palermo (mesmo que não convincente taticamente, mas excelente no quesito determinação), a Inter patinou contra o Genoa (mais uma vez com uma expulsão). Só que foi neste domingo que a equipe bicampeã italiana realmente veio abaixo, como os castelos de areia.

Foi para a sua inimiga mais tradicional, aquela com quem fazia o ‘Derby D’Italia’, que a Internazionale ruiu. Não, não foi um placar elástico. A diferença devastadora foi no jogo, no domínio. Foi tanto que o zagueiro juventino Chiellini declarou apos a partida: “Jamais imaginaríamos dominar a Inter em San Siro desta forma”.

É verdade que a Inter tinha desfalques importantes. Sem Córdoba, Samuel, César Dacourt e Figo, Roberto Mancini cometeu um “erro” induzido: o de escalar uma zaga com Materazzi-Burdisso (induzido, porque não havia muitas outras opções). Foi a ruína interista. Burdisso fez uma presepada violentíssima que originou o gol de Trezeguet (o segundo) e Materazzi foi simplesmente patético na marcação de Del Piero.

Depois da partida em Turim, a Juventus tinha a sensação de que deveria se conformar com um campeonato a meia-força. O resultado foi de 1 a 1, mas se um time foi superior, era a Inter. Graças a um gol de Camoranesi (que abriu o placar em San Siro, com um gol impedido). Quando deixou o campo em San Siro, a Juve teve a nítida impressão de ter voltado a ser a Juventus “pré-Calciocaos”.

Tática simples, escalação inteligente

O 4-4-2 de Cláudio Ranieri parecia um pouco desequilibrado no papel. Salihamdzic, Camoranesi e Nedved são externos de meio-campo de origem. Somente Sissoko é um interditor nato. Mas a escalação se mostrou fantasticamente acertada, até porque o setor interista era uma colcha de retalhos, com dois defensores improvisados (Chivu e J. Zanetti), Stankovic e Jiménez como ‘trequartista’.

A escolha de Ranieri arrasou a de Mancini. Os quatro juventinos tinham um pulmão a mais do que os interistas e no segundo tempo, isso ficou nítido. A quantidade de vezes que Nedved e Camoranesi puxaram contra-ataques foi imensa. E daí, Del Piero ficou no man-a-mano com Materazzi uma dezena de vezes. Não fosse uma estupenda partida de Júlio César e a Inter poderia ter tomado uma goleada.

O que é preocupante para a Inter na ótica-scudetto? Alem do clima dentro do grupo (que, aparentemente, não é mais caótico como há uma semana), agora a Inter demonstra uma limitação física notória. Para se dar uma dimensão do problema, o melhor meio-campista da Inter contra a Juventus foi o português Maniche, definido por Mancini fora das câmeras como “inútil”. A oito rodadas do final, o fator que mais pode elevar a moral da Inter é saber que a Roma não está assim tão melhor e que a equipe da capital terá de se desdobrar entre Série A e LC.

A Juventus não deve lutar pelo titulo deste ano, nem com grandes milagres. Mas o sucesso desta semana mostrou que o time está nos trilhos para entrar no próximo campeonato como protagonista. A vaga na LC está próxima e reforços de peso chegarão a Turim. O tempo da Série A sem a Juventus “Juventus” se acabou. Roma, Inter e Milan estão avisados

Adivinhe se Guidolin será demitido?

Derrotas em Palermo normalmente querem dizer uma coisa: demissão do técnico Francesco Guidolin. Na verdade, provavelmente até quando ele não é o técnico ele deve ser demitido. Guidolin conseguiu a proeza de ser demitido pela terceira vez em dois anos de um mesmo clube. Deve ser um recorde.

Desta vez, uma derrota “casalinga” (em casa, em italiano) é a que custou a cabeça de Francesco, que, por sua vez, tinha sido chamado de volta ao seu cargo pela terceira vez por causa da demissão do técnico que começou a temporada, Stefano Colantuono, que por sua vez, é o provável substituto de Guidolin.

Depois da partida, o ex-treinador do Bologna, se queixou de manifestações da torcida em relação a ele, dizendo que era uma coisa armada. E aí, o presidente Maurizio Zamparini pegou a deixa, dizendo que ia manda-lo embora porque se trata de um mentiroso.

Zamparini é o verdadeiro responsável pelas campanhas ridículas que o Palermo faz em relação ao dinheiro investido. Ex-presidente do Venezia (clube que quebrou e deixou falido na Série C2). Ele é o pior estéreotipo de um cartola: tenta escalar o time, dá entrevistas escalando jogadores – ou os esculhambando – e demite treinadores quando quer. Guidolin, um treinador muito preparado, fez a imensa cagada de assinar um contrato longo com o Palermo (até o fim de 2009). Assim, Zamparini chama-o e manda-o embora quando quer.

O elenco do Palermo não é nem um pouco ruim. Tem alguns dos melhores defensores italianos (Barzagli, Cassani, Zaccardo), um grupo seleto de meio-campistas (Bresciano, Jankovic, Di Matteo) e o atacante que deve ser o mais requisitado do próximo verão europeu (o brasileiro Amauri) e uma ótima promessa (Cavani).

A impossibilidade do Palermo trrabalhar está em Zamparini. Ele não dá paz de espírito a ninguém, trata os atletas como se fossem seus e age mesmo como um verdadeiro ‘capo’. Nenhum técnico consegue montar um time em seis meses e mais do que isso Zamparini não dá. É um bom sinal de sua inteligência.

A demissão de Guidolin deve ser confirmada na terça-feira, mas ele já avisou que “seu futuro está decidido” e agradeceu a colaboração dos jogadores, isentando-os de responsabilidade no processo. O Palermo, mais uma vez, deve lutar para ficar na parte de cima da tabela, quando poderia fazer bem mais.

Azzurra: Del Piero e Cassano de fora

Na semana passada, a Federcalcio anunciou que Roberto Donadoni irá à Eurocopa sem uma extensão de contrato. Ou seja: se ele perder, demiti-lo será mais fácil. Por outro lado, é uma clara demonstração de falta de confiança e caso faça uma boa campanha, o técnico terá a liberdade de aceitar propostas de clubes.

Em meio a todo esse lixo político, Donadoni fez a convocação da Itália que deve enfrentar a Espanha num amistoso na quarta-feira em Elche. As notas mais comentadas foram a inclusão de Marco Borriello, atacante do Genoa e artilheiro do campeonato (17 gols) e a exclusão de Del Piero e Cassano.

Cassano já era dado como uma ausência certa da lista. Sua presepada mais recente, que lhe custou cinco jogos de suspensão (e para seu azar, nos quais a Sampdoria está indo muito bem). Mas Del Piero está fazendo um campeonato excelente. O capitão juventino não escondeu a irritação. “Donadoni? Nem mesmo me telefonou para dizer que eu não seria chamado”.

Del Piero tem uma parcela de responsabilidade na sua exclusão. Quando ele afirmou que não aceitaria mais jogar como ponta no esquema com três atacantes, abriu caminho para Di Natale e Quagliarella, da Udinese, que se vêem bem por ali. Borriello provavelmente é o nome que Donadoni tem na cabeça para o caso de perder Luca Toni (único titular garantido na frente). Iaquinta, o coringa, também faz ótima temporada.

A convocação atual é quase a que deve ir para o Europeu. O técnico ainda tem abertas as vagas de terceiro goleiro. Para a vaga, os preferidos são De Sanctis (Sevilha-ESP) e Curci (Roma), mas nenhum dos dois empolga a ponto de ter algum favoritismo. A última vaga deve ser de um defensor (provavelmente Chiellini, da Juve), mas aí é uma decisão que depende de qual esquema Donadoni pretende usar no torneio.

A Italia da Euro terá quatro defensores – isso parece certo. Panucci e Zambrotta nas laterais e Cannavaro e Barzagli ou Materazzi como centrais. Pirlo no meio-campo tem posto fixo, mas sua função depende da inclusão ou não de De Rossi no time titular. Com o romanista, Pirlo forma uma linha de quatro homens ao lado de Gattuso, com Camoranesi e Di Natale externos. Nessa hipótese, De Rossi age em frente à defesa como cabeça-de-área, num 4-1-4-1.

Mas o mais provável é que vejamos a ‘Azzurra’ num 4-3-3, com Pirlo mais dois interditores no meio (De Rossi e Gattuso) e um trio de atacante com Camoranesi e Di Natale apoiando Luca Toni. Em maio, a Itália será convocada para a Euro e o último amistoso será contra a Bélgica, no último dia daquele mês. A lista de convocados você vê na seção de curtas.

Os convocados para Espanha x Itália:

Goleiros: Amelia (Livorno), Buffon (Juve)

Defensores: Barzagli (Palermo), Cannavaro (Real Madrid-ESP), Grosso (Lyon-FRA), Materazzi (Inter), Oddo (Milan), Panucci (Roma), Zambrotta (Barcellona-ESP)

Meio-campistas: Ambrosini, Gattuso e Pirlo (Milan), Aquilani, De Rossi, Perrotta (Roma), Camoranesi (Juventus)

Atacantes: Borriello (Genoa), Di Natale (Udinese), Iaquinta (Juve), Quagliarella (Udinese), Toni (Bayern-ALE)

  • Nesta lista só destoa mesmo é o interista Materazzi.
  • É verdade que não há uma grande quantidade de centrais para se escolher hoje na Itália, mas a forma de “Matrix” é digna de Série C.
  • Esta é a seleção Trivela da 30a rodada:
  • Júlio César (Inter); Loria (Siena). Maldini (Milan), Gastaldello (Sampdoria); Di Natale (Udinese), Camoranesi (Juventus), Giovinco (Empoli) e Foggia (Cagliari); Locatelli (Siena); Del Piero (Juventus), Pazzini (Fiorentina)