Na última quarta-feira aconteceu a primeira partida da final da Copa do Brasil, esta disputada pelos mineiros Atlético e Cruzeiro. Para além do “blábláblá” dos bastidores sobre local do jogo e mando de campo, tivemos sim num patamar de futebol brasileiro, uma boa partida entre dois times em bom momento. O alvinegro mineiro venceu a raposa por 2×0 na arena Independência (Belo Horizonte/MG), e ostenta uma vantagem interessante em relação ao jogo de volta.

Não vamos incensar aqui nem dirigente “a”, nem dirigente “b”. São todos pertencentes a fauna de cartolas decrépitos do mesmo futebol brasileiro. Mas em relação aos times do eixo RJ/SP, Atlético e Cruzeiro tem lançado mão de planejamento e perspectivas minimamente cabíveis. O Galo venceu a Libertadores 2013 e dificilmente venceria o FC Bayern na final do Mundial de Clubes, torneio no qual foi eliminado nas semifinais.

Porém, enquanto o alvinegro se recuperava da “depressão” pós derrota no Mundial, Alexandre Kalil se certificou de que Ronaldinho Gaúcho não mais renderia em campo, e o dispensou. Livrou-se do maior salário e não deixou um atleta decadente se tornar maior que a agremiação. Faltava buscar alguma regularidade após perder Cuca substituído por Paulo Autuori. Não vamos “meter o pau” nesta transição de técnicos, até porque time brasileiro algum realmente faz planejamento.

O rumo de comando só veio com a chegada de um supostamente obsoleto Levir Culpi. Em campo peças importantes da Libertadores 2013 ainda estavam ali. Victor, Marcos Rocha, Leonardo Silva, Leandro Donizete, Josué e Diego Tardelli. Num pânorama sul-americano, ainda são atletas que formam um time competitivo. Isso num grupo mentalmente fortalecido após a derrota no Mundial de Clubes. Os “milagres” voltaram a acontecer nas partidas em casa (seja Mineirão ou Independência) nas quartas de final e semifinal da Copa do Brasil, respectivamente contra Corinthians e Flamengo.

Do outro lado o Cruzeiro manteve a base campeã brasileira em 2013 a qual pode vencer o mesmo torneio em 2014. Mais além priorizou a manutenção de um treinador jovem e promissor, Marcelo Oliveira. O avanço paralelo em duas competições, poderia ter ocorrido também na última temporada, em que a raposa foi eliminada pelo Flamengo nas oitavas de final da Copa do Brasil passada.

Porém, manter o alto nível físico, promovendo rotação de atletas no plantel, sem perca de qualidade técnica é o grande problema cruzeirense. Mas este problema há em todos os clubes do país. O desgaste físico afeta também os “achados” do Cruzeiro, Everton Ribeiro e Ricardo Goulart jogadores que podem chegar ao futebol europeu.

Como bem observaram os apresentadores do programa “4 em campo” (rádio CBN), desta última quinta-feira, o time do Cruzeiro vale-se do condicionamento físico para manter a intensidade de jogo. Ambos os times se desenham num 4-2-3-1, módulo padrão no futebol europeu, sem se valerem do artifício de centroavante fixo. A movimentação à frente é o diferencial ofensivo e ambos os ataques se equivalem, com Tardelli (pelo lado do Galo) e Marcelo Moreno (pelo lado cruzeirense), como os principais finalizadores.

A partida de volta ocorre no dia 26/11 no Mineirão. O Cruzeiro pode ter o aspecto físico de seu elenco ainda mais exaurido, devido aos jogos do brasileirão onde luta pelo título. O Galo pode se dar ao luxo de promover um rodízio poupando os atletas no Brasileiro, se necessário pois apenas luta para se manter na zona de classificação para Libertadores.

O regulamento da Copa do Brasil, também é interessante tomando gols marcados fora de casa como critério desempate. Um panorama que dá ao Atlético uma condição de ligeiro favoritismo.

Foto: Bruno Cantini – CAM.